10 álbuns do pop-rock nacional  — indicados por 10 nomes importantes do rock — para ajudar a atravessar a quarentena sem usar a tecla 'skip'
Na BR-3

10 álbuns do pop-rock nacional — indicados por 10 nomes importantes do rock — para ajudar a atravessar a quarentena sem usar a tecla 'skip'

Outro dia ouvi falar que a tecla mais usada do Spotify era o “skip” – o botão de pular de uma faixa para outra. Nem sempre foi assim: nos anos 1960, mais precisamente em 1966, os álbuns ganharam o lugar dos singles como a principal plataforma para publicação de canções. E o público começou a se relacionar com o universo das canções para além do que eles podiam assobiar: capas, encartes, rótulos etc., tudo passou a importar como um pacote completo. Mais do que coleções de boas canções, o álbum era uma peça de arte popular – algo para ouvir do início ao fim, durante 45 minutos sagrados, com todo um universo penetrando nos nossos ouvidos via headphones, com as capas em mãos.

O termo “álbum” era usado Estados Unidos. Vem das trilhas sonoras e das óperas que vinham em quatro ou cinco discos de 78 rpm embalados como em um álbum de fotografias. Na Inglaterra e no Brasil dizíamos “LP”, long-play, disco de “longa duração”. Hoje, virou “álbum” de novo, para uniformizar como nos referimos aos trabalhos full-length tanto em formato físico quanto nos sistemas de streaming.

Em tempos de quarentena como o que estamos vivendo, esta coluna contribui para deixar seu isolamento mais agradável. Pedi para dez grandes nomes do pop-rock brasileiro para que recomendassem aos nossos leitores grandes trabalhos para que você descubra ou redescubra o prazer de ouvir um álbum do início ao fim, sem pular. Não precisava ser o favorito nem o melhor de todos os tempos – bastava ser bom da primeira à última faixa.

Érika Martins aponta 'Saúde' de Rita Lee, como álbum para a quarentena (Foto: Divulgação)
Érika Martins aponta 'Saúde' de Rita Lee, como álbum para a quarentena (Foto: Divulgação)

A lista segue abaixo, por ordem de lançamento de cada trabalho.

“Talvez a lição seja dar uma desacelerada, ser menos consumista”, disse Érika Martins, dos Autoramas, ao mandar sua escolha. “A gente mal usufrui o que tem em casa e agora vamos ser obrigados a ouvir os discos, ver os filmes e ler os livros que estavam na estante há tantos anos e a gente comprando mais e mais. É esse pé no freio que o Universo, Luz Maior, Deus, ou seja o nome que você queira dar, está pedindo para cada um de nós.”

E com essa bela reflexão da Erika eu passo a bola para os artistas e entrego minha última coluna “Na BR-3” para o portal Reverb. Foram sete meses muito divertidos – e o arquivo está aqui para você concordar e discordar. Cuidem-se, ouçam boa música e em breve a gente se encontra! Beijos.

Os Mutantes – ‘Os Mutantes’ (1968) por Frank Jorge

“Eu sou de 1966, esse disco é de 1968; então eu escutei muito na infância. E na adolescência e período adulto eu segui ouvindo. Impactou muito minha formação cultural, prlo quanto o disco dialogava com o rock feito na época, instrumentos de orquestra, coisas que os Beatles, os Zombies também exploravam naquele contexto. Me alegrou muito, me inspirou muito e até hoje ele faz isso comigo.”

Novos Baianos – ‘Acabou Chorare’ (1972) por João Barone

“Um discos mais representativos da moderna brasilidade. A faixa ‘Um bilhete pra Didi’ é uma das melhores sínteses do rock com música brasileira.”

Rita Lee – ‘Saúde’ (1981) por Érika Martins

“Um disco que eu amo e que tem muito a ver com esse momento. São várias músicas que falam de paciência, com ficar em casa e respeitar a natureza. Tem uma regravação de ‘Mamãe Natureza’, tem ‘Banho De Espuma’, que eu amo e tem tudo a ver. Acho que a gente precisa passar por essa situação dramática na leveza.”

Paralamas do Sucesso — ‘O Passo do Lui’ (1984) por Liminha

“É bom de cabo a rabo. Foi o álbum que abriu todas as portas para os Paralamas e a apresentação no Rock in Rio foi crucial. Até hoje eles tocam várias desse disco nos shows. Barone e Bi estavam com a pilha toda e o Herbert com a caneta superafiada. Eu adoraria ter produzido esse... Mas parabéns para o produtor Marcelo Sussekind!”

Legião Urbana – ‘Dois’

(1986) por Rogério Flausino

“Foi quando a parada me bateu forte pela primeira vez!! Devo ter ouvido esse disco um milhão de vezes, e ouço até hoje. A carga poética, a intensidade instrumental, as ambiências dos teclados, a jogada com os violões... Tudo muito inovador pra época... São deste álbum aqueles que talvez sejam os maiores hits da banda: ‘Tempo Perdido’, ‘Índios’, ‘Quase Sem Querer’, ‘Eduardo e Mônica’, ‘Daniel na Cova dos Leões’, além das fodíssimas ‘Acrilic on canvas’ e ‘Andréa Dória’... aquele instrumental de ‘Tempo Perdido’ no final do lado A é de chorar!! Esse álbum realmente mudou a minha vida!!!”

Nei Lisboa – ‘Hein?’ (1988) por Marcelo Gross

“Esse é um dos clássicos dele, junto com ‘Carecas da Jamaica’ (1987) e ‘Noves fora’ (1984). As letras de Nei Lisboa são incríveis, com destaque para ‘Telhados de Paris’, ‘Baladas’ e a faixa-título. É um dos meus álbuns favoritos dos anos 1980 e uma grande referência e inspiração.”

Titãs – ‘Õ Blésq Blom’ (1989) por Sérgio Britto

“Acho que esse disco é um pouco subestimado até pelos fãs dos Titãs. Acho que eles preferem obviamente o ‘Cabeça Dinossauro’, o ‘Jesus não tem Dentes…’ e o Titanomaquia. ‘Õ Blesq Blom’ é um disco inovador, o primeiro que misturou música eletrônica como música nordestina, música modal e rock. Um disco muito bem gravado, com samples primitivos. Apesar de ser muito experimental, é muito pop, com músicas como ‘O Pulso’, ’32 Dentes’, ‘Flores’. Sou meio suspeito pra dizer, mas eu recomendo. É o meu disco favorito dos Titãs.”

Skank – ‘Calango’ (1994) por Silva

“Conheci esse álbum através do meu irmão. Ele ganhou uma fita cassete de presente e ouvia sem parar. Lembro que as misturas que o Skank fazia eram bem diferentes do que eu estava acostumado a ouvir na infância e esse disco me acompanhou a vida toda.”

Karnak – ‘Karnak’(1995) por Fernanda Takai

“Eu e o John ouvíamos demais esse disco quando saiu. Gostamos tanto que chamamos o André Abujamra pra produzir nosso terceiro disco, no ano seguinte, o ‘Tem mas acabou’. Adoro tudo nele: o som, a ordem das canções, as composições e as versões. Pato Fu e Karnak são bandas irmãs. A capa foi feita pelo Jarbas Agnelli, que depois dirigiu ‘Made in Japan’, videoclipe nosso que marcou demais. Quem nunca escutou à época, pode fazer isso agora. Quem nem era nascido tem a chance de fazer contato com quase 53 minutos de um pop rock mundialmente brasileiro. Eles têm a força!”

Karina Buhr – ‘Eu Menti Pra Você’ (2010) por Edgard Scandurra

“Todas as faixas desse álbum são excelentes. Entre canções românticas e pesados rocks, tem sonoridade única, auxiliada por dois produtores que também integram sua banda, tanto no disco como em shows: Mau (baixo) e Bruno Buarque (bateria), além de Dustan Gallas (teclados), Fernando Catatau (guitarra), Guizado (trompete) e este que vos escreve em duas faixas, uma que leva o nome do álbum e outra que diz : ‘Dorme Logo Antes Que Você Morra’.”

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