10 fatos e histórias maravilhosas de 'Eu, Elton John', autobiografia do cantor
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10 fatos e histórias maravilhosas de 'Eu, Elton John', autobiografia do cantor

Se você que saber mais sobre a vida e carreira de Elton John, que completou 73 anos nesta quarta-feira, 25 de março, não ache que assistir ao filme "Rocketman" é suficiente. Vá correndo ler "Eu, Elton John", a autobiografia de 344 páginas que até nem tem tanto "drogas, sexo e rock´n´roll", mas certamente é uma leitura que vai despertar bons momentos de prazer e alegria.

Escolher os melhores trechos dentro de um texto cheio de histórias interessantes — e traduzido com talento pelo jornalista Jaime Biaggio — é bem difícil. Livremente baseados nas dicas da "Variety", destacamos aqui 10 momentos curiosos e emocionantes do livro lançado no Brasil pela editora Planeta.

1) A amizade com Rod Stewart (Sharon & Phyllis)

A amizade com Rod Stewart incluía lances de molecagem extrema. Os dois se zoavam mutuamente, se tratando por nomes femininos: Elton era Sharon, Rod era Phyllis. “Ainda hoje, se um disco de Rod está vendendo mais que o meu, eu sei que é uma questão de tempo receber um email dele: ‘Oi, Sharon, estou escrevendo pra dizer que sinto muito por seu disco não estar nem no Top 100, querida. Que pena, logo agora que o meu está indo tão bem. Amor, Phyllis’”. Outras vezes, Elton se "vingava", como quando apareceu vestido de drag queen no palco de um show do amigo. "Quando eu saí do rehab, não fiz shows por 18 meses. Mas abri exceção para ir a um do Rod na Wembley Arena. De surpresa, apareci de drag e sentei no colo dele enquanto ele tentava cantar ‘You’re In My Heart’. Me falaram para não fazer trabalho nenhum e me concentrar em ficar bem. Mas sacanear o Rod nunca foi trabalho pra mim, é sempre um hobby agradabilíssimo”.

Elton e Rod em um jantar em 2004 da Elton John Aids Foundation. Foto: Getty Images
Elton e Rod em um jantar em 2004 da Elton John Aids Foundation. Foto: Getty Images

2) De viciado contumaz a amigo preocupado em afastar colegas da droga

Depois de 16 anos de vício em cocaína — em uma noite especialmente aditivada, em uma festa, chegou a confundir Bob Dylan com um mendigo (!) —, ele ficou sóbrio em 1990 e começou a tentar ajudar companheiros músicos a se livrar das drogas, mas nem sempre teve sucesso. ajudou Eminem a ir para o AA e encaminhou Rufus Wainwright para a reabilitação — "Ele estava usando tanta metanfetamina que chegou a ficar temporariamente cego", conta. Sobre sua turnê ao lado de Billy Joel, Elton escreve que "acabou mal, porque Billy tinha muitos problemas pessoais na época e o maior deles era o álcool". Billy chegou a adormecer no meio de uma música. "Por consequência, eu sugeria que ele precisava do tipo de ajuda que eu recebera, o que não me faz muito popular. Eu simplesmente não aguentava mais assistir um cara legal fazendo aquilo com ele mesmo". Entre os que dispensaram seu apoio, estão ainda Whitney Houston (1963-2012) que ou não ouviu seus apelos ou os ignorou — ela morreu por conta das substâncias químicas — e George Michael (1963-2016), que dispensou seus conselhos. Ele, inclusive, foi bem grosseiro ao mandar recado para Elton através de uma carta para uma revista dizendo para ele "se fuder e cuidar da sua vida". "Eu gostaria que nós não tivéssemos nos afastado. Mas mais do que isso, eu gostaria que ele ainda estivesse vivo", lamenta.

3) John Lennon: compadres consumistas

Com John Lennon (1940-1980), a relação era ótima. John fez sua última apresentação em 1974 ao lado de Elton (que depois viria a ser padrinho de Sean Lennon) e, na ocasião, deu um jeito de reaproximar ele de Yoko Ono, que estavam separados. Ele armou para que ela fosse ao camarim e, ao revê-la, John disse que “foi como um daqueles momentos de filme, em que o tempo para”. Mas todo esse carinho não impedia uma zoação eventual, é claro, como sobre o consumismo desenfreado do ex-beatle, bem similar ao do próprio Elton. “Uma vez dei para John um relógio cuco que eu tinha comprado que, no lugar do passarinho, tinha um pênis. Eu pensei que seria um bom presente para um homem que tinha de tudo. John e Yoko eram tão péssimos como eu no que dizia respeito às compras. Os vários apartamentos que eles tinham no Dakota estavam tão cheios de obras de arte, antiguidades e roupas de valor inestimável que uma vez lhes enviei um cartão, reescrevendo a letra de 'Imagine': 'Imagine six apartments, it isn't hard to do, one is full of fur coats, another's full of shoes’ (Imagine seis apartamentos, não é difícil/ um está cheio de casacos de pele, outro cheio de sapatos)".

Elton e John Lennon em 1974 no Madison Square Garden. Foto: Getty Images
Elton e John Lennon em 1974 no Madison Square Garden. Foto: Getty Images

4) Força na peruca

Elton conta que um tingimento errado estragou o seu cabelo e, pior, o deixou praticamente careca em 1976. “Algumas pessoas são abençoadas com um tipo de rosto que combina com a cabeça careca. Eu não sou uma delas....sem cabelo, tenho uma semelhança perturbadora com o Shrek", auto-ironiza. Ele chegou a recorrer a um procedimento doloroso, que incluía costurar cabelos no couro cabeludo. “Um jornalista disse que eu parecia ter um esquilo morto na cabeça. Isso foi maldade, mas tive que admitir que tinha razão.”, comentou. Finalmente, depois de usar os famosos chapéus por mais de uma década, ele assumiu a peruca e ficou livre das zombarias.

Enton em uma apresentação no Dodger Stadium em 1975: quase careca. Foto: Getty Images
Enton em uma apresentação no Dodger Stadium em 1975: quase careca. Foto: Getty Images

5) Implicância entre divas

Uma turnê ao lado de Tina Turner nunca decolou porque ele a considerava um terror completo. "Uma vez ela me ligou com a clara intenção de me dizer o quanto eu era péssimo e como teria que mudar antes que pudéssemos trabalhar juntos", escreve, indignado. Ele acabou concordando em fazer um dueto com ela no especial "VH1 Divas", mas chegou com sua banda ao ensaio já com vontade de ir embora. Mas antes, Tina rapidamente sentou no piano dele e começou a tocar. "O debate depois era se eu sabia ou não tocar 'Proud Mary', que ficou bem inflamado, chegando ao ponto de eu mandar Tina enfiar sua música na bunda e ir embora." Por incrível que pareça, eles fizeram as pazes anos depois.

Tina Turner e Elton na coletiva de imprensa do filme "Tommy", do The Who, em 1975. Foto: Getty Images
Tina Turner e Elton na coletiva de imprensa do filme "Tommy", do The Who, em 1975. Foto: Getty Images

6) Michael Jackson: o 'pobre rapaz' isolado com o filho da empregada

Michael Jackson (1958-2009) deixou Elton nervoso e apreensivo quando foi a um jantar em sua casa. “Deus sabe o que estava acontecendo em sua cabeça e com quais medicamentos ele estava sendo bombardeado, mas toda vez que eu o vi nos últimos anos, tinha a impressão que o pobre rapaz havia perdido totalmente a sanidade mental. Ele estava genuinamente doente. Era perturbador pois vivia em um mundo próprio, cercado por pessoas que lhe diziam apenas o que ele queria ouvir além de usar uma maquiagem que parecia ter sido feita por um maníaco." No tal jantar, depois de perceber que ele havia desaparecido por horas, Elton finalmente o encontrou jogando videogame com o filho de 11 anos da empregada. "Por algum motivo, ele parecia não conseguir lidar com a companhia de adultos", observa.

Michael Jackson, Barbra Streisand, Aretha Franklin, Elton John e muitos outros artistas no baile de gala em homenagem a Bill Clinton em 1993. Foto: Getty Images
Michael Jackson, Barbra Streisand, Aretha Franklin, Elton John e muitos outros artistas no baile de gala em homenagem a Bill Clinton em 1993. Foto: Getty Images

7) Perdão por 'Keepin Up With the Kardashians' e pela moda dos reality

Filmado com um orçamento apertado com duração de apenas 75 minutos, "Tantrums and Tiaras" ("Chiliques e Tiaras") foi lançado em 1997 e captura todas as as peculiaridades de Elton com uma rara intimidade. Fez um retrato completo da alma da alma do cantor: cru, revelador e extremamente engraçado. Elton conta que assistir à produção o ajudou a deixar para trás seus acessos de raiva, mas, por outro lado, ele teme ter ajudado a criar reality shows. “Foi catártico, acho que o choque de me ver daquele jeito mudou a maneira de me comportar. A única coisa de que me arrependo é como ele se tornou influente. Não é a coisa mais edificante ter 'Being Bobby Brown' e 'The Anna Nicole Show' em sua consciência. Há uma sensação de que 'Keeping Up With The Kardashians" existe por minha culpa. Então, resta me prostrar diante da raça humana e pedir perdão", ironiza.

8) Emoção com Aretha Franklin, 'a melhor cantora do mundo'

No dia 7 de novembro de 2017, Aretha Franklin (1942-2018) fez seu último show ao vivo — ela morreria nove meses depois. Foi no concerto de gala anual promovido pela Elton John's Aids Foundation, quando ela cantou um medley com hits, incluindo "I Say A Little Prayer". Elton conta que ficou chocado com a estatura da diva (1,65m; ele a imaginava muito maior) quando ela apareceu na Cathedral of St. John the Divine, em Nova York. E, logo em seguida, com a proeza absoluta de Aretha que havia retirado um tumor no pâncreas em 2010. “Eu acho que ela sabia que era a última vez em que se apresentaria, além do fato de ser um evento beneficente e em uma igreja. Por mais doente que estivesse, sua voz não tinha sido afetada. Eu estava lá, na frente do palco, assistindo a melhor cantora do mundo cantar pela última vez, e chorando", lembra.

9) No fogo cruzado entre Madonna X Lady Gaga

Ao defender Lady Gaga, ele perdeu a amizade de Madonna. "O problema começou quando eu a vi (Madonna) esculhambando Gaga em um programa na TV. Não entendi por que ela estava sendo tão maldosa, logo ela, que diz ser uma defensora das mulheres." Elton fez os comentários durante um intervalo na gravação de um programa de TV, mas sua fala acabou indo ao ar. "Foi um fim rápido para uma amizade antiga. Mas Gaga se tornou uma grande madrinha para Zachary. Ela costumava dar banho nele no meu camarim toda montada, como se fosse fazer um show. Uma cena incrível."

Elton e Madonna fazendo um dueto no Carnegie Hall em 1998. Foto: Getty Images
Elton e Madonna fazendo um dueto no Carnegie Hall em 1998. Foto: Getty Images

10) Lady Di: disputa e superexposição

Elton conta que, durante um jantar em 1981, testemunhou Sylvester Stallone e Richard Gere brigando pela atenção da Princesa Diana (961-1997). Depois que apartaram os dois, Diana ficou conversando alegremente com Richard enquanto Stallone saiu furioso, dizendo a Elton: “Eu nunca teria vindo se soubesse que o Sr. Príncipe Encantado estaria aqui. Se eu a quisesse, eu a teria levado”, desdenhou o ator. Ainda sobre Diana, Elton conta em outro trecho que ficou aterrorizado quando estava preparando-se para cantar a versão adaptada de "Candle in the Wind" no funeral da princesa. “E se eu entrar no piloto automático e apresentar a versão errada, afinal, já cantei centenas de vezes", conta ele, referindo-se à mudança que ele fez na letra da canção, anteriormente dedicada à Marilyn Monroe. Se deu tudo certo na apresentação, Elton conta que sentiu-se culpado pelo sucesso recorde do single. "Comecei a me sentir muito desconfortável com a longevidade do single de caridade. Aquilo significava uma superexposição de imagens do funeral de Diana, semana após semana, no 'Top of the Pops'. Parecia que as pessoas estavam de alguma forma se afundando na morte dela ”, escreve. Na verdade, ele diz que só cantou essa versão com a letra dedicada à Diana três vezes: duas vezes no estúdio e no funeral e nunca mais desde então. Ele se recusou a liberar para um álbum beneficente e nunca a incluiu em coletâneas. Ele até evitou cantar a versão original por anos.

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