10 raps feitos a partir de músicas gospel
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10 raps feitos a partir de músicas gospel

O hip-hop, desde o surgimento, é conhecido pela sua capacidade de se renovar ao mesmo tempo em que mantém a própria cultura viva. Isso acontece porque os DJs, e posteriormente os produtores, sempre construíram suas canções a partir da reutilização de trechos de músicas mais antigas, o sample. Ao longo dos anos, mesmo com os avanços nos equipamentos e na maneira de produzir, até hoje uma boa batida de hip-hop pode ser feita a partir de algum disco velho. A música gospel tem uma tradição forte nos Estados Unidos e, apesar de esteticamente soar distante da agressividade do hip-hop, ela fornece muito material para os músicos com ouvidos mais aguçados. A seguir, veja dez exemplos de raps que ou samplearam ou surgiram a partir de uma canção gospel (e depois ouça a original para compará-las!).

‘Nas Is Like’, de Nas (1999)

“Nas Is Like” é construída inteira em cima da repetição hipnotizante de um arranjo de cordas, tão marcante que diversos produtores e fãs passaram anos tentando rastrear a origem do sample. Recentemente, o produtor da faixa, DJ Premier, revelou que a melodia foi encontrada em um disco que ele pretendia jogar fora, “Thoughts on the Carols” (assinado por John V. Rydgren & Bob R. Way), de 1966, cujo conteúdo era basicamente pregações da Igreja Luterana com um fundo musical. Assim que ouviu “What Child Is This?”, o produtor decidiu transformar os primeiros segundos da faixa no riff principal do hit de Nas.

‘Jesus Chorou’, dos Racionais MC's (2002)

Antes de passar mais de uma década fazendo estritamente música gospel, Al Green já cantava sobre Deus desde os anos 1970. “Free at Last” (1973), cuja base foi utilizada pelos Racionais em “Jesus Chorou”, é um desses casos. Apesar de a música do ícone do soul originalmente ter uma inclinação afirmativa, na mão de Mano Brown (produtor da faixa), a mesma base ganha contornos tensos em uma das canções mais tristes do grupo brasileiro de hip-hop.

‘Jesus Walks’, de Kanye West (2004)

Kanye West ficou conhecido pela habilidade de manipular vozes na produção de rap, e muito do material usado por ele vem de coros gospel. E isso já era perceptível logo no primeiro disco de West, “The College Dropout”, com “Jesus Walks”. As vozes são tão importantes na construção do instrumental que basta ouvir alguns segundos da faixa original, “Walk With Me”, do The Arc Choir, para identificar o sample. Os coros ficaram tão famosos que a faixa de 1997, do coral gospel, foi parar na trilha da série “Dear White People”, da Netflix.

‘Is There Any Love’, de Kid Cudi (2008)

Trevor Dandy, cantor jamaicano que vivia em Toronto, no Canadá, lançou um único disco gospel, “Don't Cry Little Tree”, em 1970. Apesar de Dandy hoje ser praticamente desconhecido, a faixa “Is There Any Love” foi redescoberta e utilizada em pelo menos cinco músicas de grandes rappers nos anos 2000. O primeiro a perceber o potencial do sample foi Kid Cudi, que pegou não só a base mas também o refrão para uma faixa homônima de 2008. Desde então, “Is There Any Love” foi relançada como single (em 2010) e apareceu em canções de Ghostface Killah (“Drama”, 2010), Common (“Kingdom”, 2014), Logic (“Fade Away”, 2015) e Mac Miller (“Perfecto”, 2018).

‘3 Kings’, de Rick Ross (feat. Dr. Dre e Jay-Z) (2012)

Essa música reúne três gigantes do hip-hop: Dr. Dre, Jay-Z e Rick Ross. E todos eles se apresentam com rimas pesadas em cima de uma bateria exaltada e uma base de baixo e piano. Mas “3 Kings” só faz jus ao nome com a grandeza fornecida pelos coros que aparecem ao fundo, retirados de uma música gospel de 1976, “I'm So Grateful (Keep in Touch)”, do The Crowns of Glory. Em 2016, o rapper Cousin Stizz também usou o sample, dessa vez ainda mais aparente, em “Wanted to Live”.

‘Sunday Candy’, Chance the Rapper (2014)

Conhecido por ser um religioso fervoroso, Chance the Rapper não exatamente usou um sample: ele regravou o refrão de uma música gospel em “Sunday Candy”. Famosa por ter sido cantada em cerimônia para o ex-presidente norte-americano Barack Obama, a faixa recria a energia de “It's Gonna Rain”, canção contagiante lançada em 1982 pelo Reverendo Milton Brunson & The Thompson Community Singers. Apesar de cantada e incorporada no repertório do rapper de Chicago, “Sunday Candy” foi lançada pelo grupo de acompanhamento dele (Donnie Trumpet & the Social Experiment).


‘Views’, de Drake (2016)

“The Question Is” é uma bonita balada gospel lançada pelo The Winans em 1981. Em 2016, o produtor Maneesh Bidaye resgatou os coros e o refrão da faixa para uma música de Drake, “Views”. Além do clima de reflexão da original, o rapper canadense aproveita o sample como inspiração do tema de praticamente toda a letra, na qual ele fala de lealdade, fé e ética no show business.

‘Father Stretch My Hands’, de Kanye West (2016)

No disco “The Life of Pablo”, Kanye West evoca o gospel em algumas canções, sendo a principal delas “Ultralight Beam”, uma parceria com Chance the Rapper. Mas é em “Father Stretch My Hands” que ele resgata um dos samples mais marcantes do álbum. Depois de 2016, é praticamente impossível ouvir “Father I Stretch My Hands”, a original lançada pelo Pastor T. L. Barrett, em 1976, sem lembrar da versão de West.

‘Nobody’, DJ Khaled (2017)

O mesmo Pastor T. L. Barrett que rendeu o sample a Kanye West também teve uma música utilizada por outro grande produtor, o DJ Khaled, apenas um ano depois. No caso, Khaled escolheu “Nobody Knows”, de 1971, para o instrumental de “Nobody”, que traz vocais de ninguém menos que Alicia Keys e Nicki Minaj. No refrão, Alicia Keys agradece a Deus pelas suas conquistas.

‘Family Feud’, de Jay-Z (2017)

O disco “4:44” ficou conhecido por ser um dos mais pessoais de Jay-Z, quando ele falou sobre os problemas no casamento com Beyoncé e reviveu traumas do passado. Em “Family Feud”, o rapper trata tanto da divisão na própria família quanto dos conflitos geracionais no hip-hop. Produzida por No I.D., a música é inteira feita em cima da repetição dos vocais femininos de “Ha Ya (Eternal Life)”, canção gospel lançada pelas The Clark Sisters em 1980. “Family Feud” ainda conta com o auxílio luxuoso de Beyoncé, que aparece acrescentando mais uma camada de voz à base.

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