2019: o futuro que já passou nas diversas encarnações da trilha de ‘Blade Runner’
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2019: o futuro que já passou nas diversas encarnações da trilha de ‘Blade Runner’

No ano passado, o que parecia distante, aconteceu: aquele letreiro que abria o clássico sci-fi noir cult “Blade Runner, o Caçador de Androides”, que anunciava ‘Los Angeles, 2019’, finalmente, chegou. E, passou. O que ficou dele? Quase nada. Ainda não temos carros voadores, androides servis, e nem Los Angeles virou uma cidade cinza e chuvosa. Mas, é verdade que, de modo geral, o planeta caminha a passos largos para se tornar um lugar inviável de se viver e com vários problemas. Pode ser que, num futuro distante, precisemos migrar para colônias fora da Terra, como no filme.

Mas, para além da distopia mostrada no filme (baseado em livro de Philip K. Dick, “Do Androids Dream of Electric Sheep?”, publicado em 1968, e cuja ação se passava de fato em 2021), o que ficou de “Blade Runner”, além de seu visual incrível, de seus personagens inesquecíveis (os androides eram bem mais fascinantes do que os humanos), foi a trilha sonora. Que, apesar de muito popular à época, tem uma história meio complicada por trás.

Vangelis, alguns anos antes de escrever a trilha de 'Blade Runner'/Michael Putland (Getty)
Vangelis, alguns anos antes de escrever a trilha de 'Blade Runner'/Michael Putland (Getty)

No filme, somos o tempo todo conduzidos através das cenas por uma trilha sintetizada e bastante marcante, criada pelo compositor grego Vangelis, nome muito conhecido pelos amantes do rock progressivo, que já havia feito sucesso à bordo da banda Aphrodite's Child (do qual saiu o cantor pop Demis Roussos), nos anos 1960; criado álbuns referenciais nos anos 1970, e feito as bases para uma trajetória de êxitos na carreira solo de Jon Anderson, vocalista do Yes. Um deles foi “I Hear You Now” (que fez muito sucesso nas FMs brasileiras na época), do álbum “Short Stories”, lançado em 1980 — como Jon & Vangelis —, com o qual lançaram quatro álbuns juntos.

Então, em 1981, veio o grande sucesso no mainstream para Vangelis, quando ele ganhou o Oscar de melhor trilha para o filme inglês “Carruagens de Fogo” (que também levou o Oscar de melhor filme do ano). Desde então, o seu tema da vitória, é usado em eventos esportivos, e virou um clichê inevitável. Logo, ele se tornou um trilheiro requisitado. Daí, voltamos a “Blade Runner” (1982), um dos filmes mais importantes da história do cinema.

Apesar de Vangelis ter criado o score original para o filme — todo à base de sintetizadores —, quando a trilha sonora oficial foi lançada, muita coisa que ele criou foi omitida do disco. A gravadora preferiu seguir um caminho mais comercial e destacar canções com vocais ou com bases jazzísticas (que, até tocam no filme, como “One More Kiss, Dear”) e deixar a trilha a cargo da The New American Orchestra. Vangelis e o diretor Ridley Scott odiaram.

Levou mais de dez anos para que a trilha original de Vangelis fosse, finalmente, lançada, em 1994. E, só em 2007, por ocasião dos 25 anos do filme, é que uma trilha mais completa, com tudo o que ele criou para o filme, saiu (em vinil, é triplo e colorido). Neste meio tempo, dezenas de edições bootlegs (piratas), com a trilha de Vangelis, circularam de forma não-oficial. A diferença? Mais temas instrumentais sintetizados e um clima arabesco.

Não existe uma trilha única para “Blade Runner”. Os fãs precisam ter diversas edições para ter tudo o que o grego criou. Já o filme, este, está na história do cinema para sempre, independentemente da data. Não expira.

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