6 de janeiro é aniversário de Syd Barrett, ex-Pink Floyd, e de Walter Franco
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6 de janeiro é aniversário de Syd Barrett, ex-Pink Floyd, e de Walter Franco

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Separados por um ano de diferença, dois visionários da música experimental fazem aniversário neste dia 6 de janeiro. O mais velho deles, infelizmente, não está mais entre nós: Syd Barrett fundou o Pink Floyd em 1965 e, de quebra, inventou a psicodelia como a conhecemos hoje, mesmo que isso tenha custado sua sanidade mental e a própria vida, a longo prazo. Já o paulista Walter Franco, autor de dois clássicos da música de invenção brasileira nos anos 1970, segue vivo e criando, para nossa alegria.

Syd Barrett nasceu em 1945 como Roger Keith, mas mudou seu nome graças à música. O nome artístico era uma homenagem ao baixista Sid "The Beat" Barrett, que não tinha nenhum parentesco com ele, mas pertencia à cena de jazz de Cambridge, a cidade inglesa onde nasceu, e o acompanhava desde os 14 anos, quando começou suas aventuras pelo mundo da música. Ele passou a assinar com "y" justamente para não ser confundido com o outro músico. Syd teve algumas bandas ainda na adolescência, até que começou a reunir o grupo que eventualmente se tornaria o Pink Floyd com nomes como The Abdabs, The Screaming Abdabs, Sigma 6, Meggadeaths e Tea Set, até chegar em The Pink Floyd Sound, encurtado a seguir apenas para o nome que o consagrou. 

No mesmo ano em que fundou o grupo, em 1965, tomou LSD pela primeira vez. O impacto que o ácido psicodélico teve em sua criatividade mudou completamente o som da banda, que deixou o blues elétrico em segundo plano para começar a explorar novas aventuras musicais. Isso incluía referências a "Alice no País das Maravilhas", astronomia, I Ching e paganismo. Musicalmente, Syd, que era guitarrista e vocalista, conduzia o grupo em apresentações ao vivo que criaram boa parte dos ícones da psicodelia tradicional. As roupas multicoloridas e com referências vitorianas, incursões instrumentais que terminavam abruptamente depois de longos minutos, show de luzes e cores projetados sobre a banda, letras de duplo sentido e com referências místicas ou surrealistas tocando em festivais que duravam a noite inteira. 

Mas o excesso de drogas acabou por tirar Syd da própria banda que fundou, devido à sua instabilidade social. Na primeira turnê para os EUA, Syd não dublava em programas de TV que exigiam playback e às vezes tocava apenas um acorde enquanto olhava fixamente para o nada. Ele teve de ser afastado da banda para ser substituído pelo amigo de infância David Gilmour. Os outros integrantes da banda o ajudaram em seus únicos dois discos solo, lançados no início dos anos 1970, mas depois Syd se enclausurou em casa e era raramente visto em público, até morrer, vítima de diabetes, em 2006.

Walter Franco, nascido no ano de 1946, não pertenceu a nenhum movimento musical específico, embora tenha sido beneficiado pelo tropicalismo que experimentou possibilidades sonoras antes de seus primeiros discos serem gravados, preparando território para incursões ainda mais ousadas. Seu álbum de estreia, "Ou Não", de 1973, trazia apenas uma mosca na capa e foi editado — em vez de produzido — por Rogério Duprat, que picotou as gravações na mesa do estúdio, remixando o disco antes deste conceito sequer existir. Seu trabalho mais importante é o experimental "Revolver", gravado em 1975, que ajudou a consolidar seu nome como um dos principais autores daquele período. 

Experimentando com música eletrônica, música indiana e poesia concreta, Walter preparou caminho para a existência da vanguarda paulistana. Mais tarde, ele iria se encontrar no mítico teatro Lira Paulistana, quando se apresentava ao mesmo tempo em que outros luminares do período, como Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé, além de novatos como o grupo Rumo, Língua de Trapo e Premeditando o Breque. Trabalhou com Augusto de Campos e Júlio Medaglia, além de provocar o público dos festivais com a música "Cabeça!". Walter diminuiu o ritmo de gravações com o passar do tempo, mas apresenta-se ao vivo até hoje, tocando ao lado do filho Diego Franco, que também toca cítara indiana.

Parabéns!

Outros aniversariantes neste dia 6 de janeiro incluem o percussionista brasileiro Laudir de Oliveira que tocava com a banda Chicago (1940-2017), o cantor e produtor Van McCoy (1944-1979), a cantora inglesa de folk Sandy Denny (1947-1978), o guitarrista do AC/DC Malcolm Young (1953-2017), a cantora Kathy Sledge das Sisters Slege (1959), o baixista do Living Colour Muzz Skillings (1960) e o líder dos Arctic Monkeys Alex Turner (1986). 

6/1/1958: Voa V!

A fabricante de guitarras Gibson lança o modelo Flying V, que ficou famosa nas mãos de célebres guitarristas como Jimi Hendrix, Marc Bolan e Billy Gibbons do ZZ Top.

6/1/1973: 'You probably think this song is about you '

Carly Simon nunca admitiu com todas as letras que seu hit "You're So Vain" era sobre o ator Warren Beatty, mas quando ele chegou ao topo das paradas de singles dos EUA para ficar por três semanas, uma onda de boatos cogitava uma série de outros artistas como possível assunto da canção (que trazia Mick Jagger nos vocais de apoio).


6/1/1975: Brilha!

No dia do aniversário de seu fundador Syd Barrett, o Pink Floyd entra no estúdio Abbey Road para gravar seu nono disco, "Wish You Were Here", um disco-tributo ao amigo que se perdeu nas drogas, reverenciado na faixa-título "Shine on You Crazy Diamond".

6/1/1977: Eu pago a multa!

A gravadora EMI dispensa os Sex Pistols e paga a multa de £ 40 mil para não ter que lidar com os problemas que a banda causava.

6/1/1990: 'Oh think twice...'

Phil Collins chega ao topo da parada de álbuns mais vendidos dos EUA com seu disco "...But Seriously", que ficaria lá por mais três semanas.

6/1/2006: Luto duplo

Morrem o cantor de soul e jazz Lou Rawls aos 72 anos e o guitarrista e trompetista da Magic Band de Captain Beefheart, Alex St. Claire

6/1/2007: Country triste

Morre o guitarrista "Sneaky" Pete Kleinow, que tocou nos Flying Burrito Brothers ao lado de Chris Hillman e Gram Parsons, que eram dos Byrds, além de gravar com John Lennon e Joni Mitchell.

6/1/2017: Sem FM

A Noruega anuncia que será o primeiro país a interromper as transmissões de rádio FM no mundo. 

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