A fã que rodou os EUA atrás de The National — e conseguiu cantar com Matt Berninger
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A fã que rodou os EUA atrás de The National — e conseguiu cantar com Matt Berninger

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Por Bárbara Martins e Verônica Raner

A história de Larissa Andrioli, fã de The National, é o que podemos chamar de “o sonho perfeito de qualquer fã”. Sem tirar nem pôr, as aventuras da jovem tradutora de Juiz de Fora, radicada no Rio de Janeiro, atrás da banda de rock indie formam o roteiro ideal para quem pensa em, um dia, conhecer seus ídolos. Ela não só encontrou a banda diversas vezes, como viajou para os EUA para uma série de shows do grupo. Em um deles, encontrou Matt Berninger na rua. No outro, teve seu cartaz notado da primeira fileira pelo vocalista, que aceitou o pedido de Larissa para cantar com ele e foi até ela compartilhar um refrão. 

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“Eu conheci The National por causa de dois amigos meus, no final de 2010. Eles tinham acabado de lançar o ‘High Violet’, quinto disco deles, e tinha uma música chamada ‘Runaway’. Ela mexeu muito comigo e me fez começar a ouvir o resto das músicas deles”, conta, em entrevista ao Reverb. À época da conversa, no fim de 2018, ela estava na Califórnia, naquela que se tornou sua experiência mais memorável com a banda. 

A ideia inicial era ir até os EUA para assistir a duas apresentações do National no Greek Theater, em Berkeley. Tradicional palco de shows, o local aberto em formato de arena era especial para Larissa. "Decidi que minha viagem atrás deles seria para os EUA porque é o lugar em que eles faziam mais shows emblemáticos e tocavam músicas que eu dificilmente ouviria em outros lugares. Depois que vi como era o Greek Theater, pensei que não poderia estar em outro lugar”, diz. Enquanto Larissa organizava a viagem, o grupo confirmou mais apresentações pela costa oeste americana. Foi quando a tradutora viu acender em sua cabeça o questionamento que lhe moveu: “E se eu fosse a todos os shows?”. Foi o que aconteceu. 

A primeira vez que Larissa encontrou Matt Berninger foi no Circo Voador / Foto: Arquivo pessoal
A primeira vez que Larissa encontrou Matt Berninger foi no Circo Voador / Foto: Arquivo pessoal

Em setembro de 2018, ela partiu para aventura no exterior. Antes disso, já havia conhecido Matt durante uma apresentação no Circo Voador, no Rio. Ela havia gravado um vídeo e compartilhado na internet pedindo que os produtores da apresentação lhe ajudassem a conhecer a banda. As imagens chegaram até o Queremos! e, ao fim da apresentação, ela pôde conversar com Matt Berninger. Naquele dia, ele assinou em um pôster o verso favorito de Larissa: “It takes an ocean not to break” (é preciso um oceano para não desmoronar”, em tradução livre). As palavras em pilot viraram permanentes no corpo da tradutora. A tatuagem a fazia lembrar da força que a vida exigia dela. 

As letras do Matt me tocavam muito nesse sentido de pensar que alguém tão diferente de mim, sentia as mesmas coisas que eu

Foi com as músicas do National que Larissa se sentiu acolhida na vida. A profundidade das letras lhe causou identificação. Nos versos de Matt Berninger, encontrou o eco de dores profundas que sentia por conta da depressão. “Eu convivia com milhares de pessoas mas me sentia muito sozinha e não conseguia conversar sobre isso. As letras do Matt me tocavam muito nesse sentido de pensar que alguém tão diferente de mim, sentia as mesmas coisas que eu”, explica. 

Logo depois do show no Circo, Larissa decidiu que iria eternizar aquele momento. A ideia era ousada: iria reunir vídeos gravados de forma amadora pelo público e remontar o show. A história — já contada pelo Reverb — rendeu um DVD que Larissa decidiu levar para os EUA e tentar entregar a Matt. 

Pelo Facebook, ela conheceu outros fãs que também iriam aos shows em solo americano. As amizades lhe renderam companhias para as apresentações. Na primeira delas, em Los Angeles, o grupo chegou cedo para esperar na fila, na rua. Enquanto aguardavam a abertura dos portões, se assustaram ao perceber que, virando a esquina, caminhando tranquilo, vinha o próprio Matt, em carne, osso e carisma. “Ele é muito simpático. No Brasil já tinha sido e ali foi de novo. Brincou com a gente, perguntou se queríamos tirar foto. Ele é maravilhoso.” Na cidade das estrelas, viveu “o maior show de sua vida”. “Eles tocaram duas músicas da minha santíssima trindade das músicas. Eu achei que fosse morrer, foi desesperador, eu não podia acreditar”. 

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Eu dei a infelicidade para todas aquelas pessoas lá de me ouvir cantando, porque eu sou uma desgraça. Mas foi maravilhoso

Depois de ir até o show em Santa Bárbara de carro, Larissa retornou a Berkeley para as apresentações no Greek Theater. Ali, colocou em prática um plano que havia montado em casa. Sabendo do costume de Matt de descer para os braços do público em certas músicas, preparou um cartaz com um pedido: “Esse é meu último show. Por favor, canta comigo”. Matt não só viu, como obedeceu. “Ele pegou meu cartaz, guardou e começou a cantar a música. No final, ele desceu e veio direto para mim. Subiu na grade, me abraçou, segurou meu rosto e a gente cantou junto”, relembra. “E eu dei a infelicidade para todas aquelas pessoas lá de me ouvir cantando, porque eu sou uma desgraça. Mas foi maravilhoso”, brinca. 

Quando a música acabou, ainda do palco, Matt indagou Larissa sobre aquele ser o último show dela. Larissa não mentiu, apenas não imaginava que teria outra oportunidade de vê-los. E ela terá. Os ingressos e as passagens já estão comprados: em agosto, ela vai a Glasgow, na Escócia, reencontrar a banda. Certamente, voltará de lá com mais um capítulo para essa história. 

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