'A geração mais triste': duo feminino inglês IDER dá voz a angústias e melancolias dos vinte e poucos anos
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'A geração mais triste': duo feminino inglês IDER dá voz a angústias e melancolias dos vinte e poucos anos

Um retrato colorido e multifacetado das ansiedades, crises de identidade e dúvidas típicas dos jovens de 20 e poucos anos de hoje. A julgar pela recepção da crítica, "Emotional Education", álbum de estreia da dupla pop britânica IDER, consegue fazer isso como pouco outros álbuns desta geração. As composições, todas escritas por Megan Markwick e Lily Somerville, ambas de 26 anos, estão cheias de autorreflexão, críticas à superficialidade das mídias sociais e, claro, descrições sagazes e sensíveis de suas desilusões amorosas.

Mas o que se destaca mais na audição "terapêutica" do novo trabalho da dupla é o laço de amizade, fortalecido depois que foram morar juntas num apartamento no Norte de Londres. "No coração do IDER está a nossa amizade", diz Megan, que conheceu Lily no curso de música na Universidade de Falmouth em 2012. "Compartilhamos experiências, sentimentos e emoções que alimentam diretamente a nossa música”, diz Megan

Megan Markwick e Lily Somerville moram juntas em Londres. Crédito: Getty Images
Megan Markwick e Lily Somerville moram juntas em Londres. Crédito: Getty Images

Ansiedade e saúde mental são assuntos abordados pela dupla ao longo das faixas do disco, como em "Swin", que traz uma mensagem de companheirismo. "O álbum fala sobre saúde mental de diferentes formas. Queremos que as pessoas se conectem para se sentir fortalecidas e saber que não estão sozinhas", confirma Lily. " Nós estávamos lutando com a indústria da música quando escrevemos 'Swin'... tudo pode ser uma merda às vezes. As mídias sociais proporcionam grandes coisas, mas também sofremos muito com a ansiedade", diz Megan.

As duas concordam que o tema tem pontos positivos e negativos e que o importante é como você faz uso da tecnologia. "Há tantas pessoas incríveis usando as mídias sociais de maneira extremamente positiva. Como em qualquer nova tecnologia, você só precisa descobrir como usá-la, mas acho que ainda não conseguimos fazer isso porque a transformamos em um vício. A questão é: como podemos usar essas plataformas para criar conexões e sermos mais reais?", questiona Lily. "Quando estávamos escrevendo o álbum, tínhamos que ser muito rigorosas. Porque chega a um ponto em que fica muito difícil, quando você está ali rolando a tela e, na verdade, não está realmente olhando para nada", confessa Megan.

O medo do futuro e a pressão para ser bem-sucedido são explicitamente explorados no single “You Got Your Whole Life Ahead of You Baby”. Em “Saddest Generation”, elas cantam sobre solidão e isolamento, e em “Mirror” abordam questões do namoro em tempos de Internet: "Estou tentando tanto te esquecer/ Quando você esteve on-line pela última vez?".

O aspecto extremamente pessoal de "Emotional Education" - e uma possível exposição - não assusta as cantoras. "Estamos apenas sendo honestas", afirma Lily. "Somos acostumadas a ser diretas e abertas", diz Megan, que ressalta o poder feminino do duo IDER. "Suponho que o fato de sermos duas mulheres que escreveram um álbum inteiro, por nós mesmas — o que, infelizmente, ainda é bastante raro no mundo pop — reafirma o poder feminino. Fizemos isso deliberadamente. E porque era o melhor caminho para nós", esclarece Megan.

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