A história da fã brasileira que hospedou Lucy Rose na própria casa
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A história da fã brasileira que hospedou Lucy Rose na própria casa

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Ficar perto do ídolo é o sonho de todo . A gaúcha Paula Fernanda, de 34 anos, não só conseguiu cumprir esse feito, como deu casa, comida e roupa lavada a Lucy Rose. Em maio de 2016, Paula não só conheceu cantora britânica, dona do hit “Shiver”, como a hospedou em sua própria casa e ainda organizou dois shows (um deles para 300 pessoas!) em sua cidade, Porto Alegre, sem nunca ter feito nada parecido na vida. E se você pensa que o imóvel que Paula dividia com o irmão era um ambiente espaçoso e com muitos cômodos, não se engane: tratava-se uma quitinete com apenas um beliche. A história ainda teve direito a briga, sustos e até uma viagem conjunta para Rio de Janeiro, com passeio voo de helicóptero organizado pela cantora e tudo.

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A empreitada “louca”, como Paula descreve, começou com uma ideia de Lucy: de tanto ouvir “please come to Brazil”, ela decidiu fazer uma turnê pela América Latina organizada pelos próprios fãs. Com uma publicação em suas redes sociais (a página no Facebook soma quase 200 mil curtidas), a cantora perguntou quem gostaria de recebê-la em sua casa. Quem se voluntariasse teria que cumprir apenas uma obrigação: arrumar um lugar pequeno para um show com entrada fosse gratuita. Paula não só se candidatou prontamente a virar produtora e ceder hospedagem, como enviou para Lucy referências que mostravam que ela era uma “pessoa normal”. 

“Não queria que ela achasse que eu era uma louca ou que eu podia ser uma assassina. Eu me apresentei, expliquei que gostava muito da música dela e mandei o link do meu perfil no couchsurfing”, brinca a fã, se referindo à plataforma social de hospedagem, cheia de recomendações de outros anfitriões e hóspedes.  

A candidatura deu certo. Lucy respondeu à mensagem explicando que precisaria de um local pequeno para a apresentação. Poderia ser um café, uma biblioteca ou uma livraria, exemplificou à época. “Eu acho que ela não tinha noção de quantos fãs tinha por aqui. A gente também não tinha. Na medida em que as coisas foram acontecendo é que nós percebemos que ela era muito amada”.

Paula e sua família em um jantar organizado especialmente para Lucy e o marido, Will / Paula Malaszkiewicz / Arquivo pessoal
Paula e sua família em um jantar organizado especialmente para Lucy e o marido, Will / Paula Malaszkiewicz / Arquivo pessoal

Paula acabou fechando com uma loja de discos com capacidade para 100 pessoas. Os ingressos foram distribuídos no Twitter. Para a surpresa de todos, esgotaram-se em apenas 13 minutos e as reclamações na rede social foram muitas. Foi só neste momento que Lucy e Paula perceberam que um lugar tão pequeno não seria o suficiente e buscaram um lugar maior, que coubesse todo mundo, para uma segunda apresentação. O local encontrado foi o Margot Bar, para 300 pessoas. Na hora H, tanto a fã quanto a cantora só perceberam que as pessoas estava de fato empolgadas com o show (e não com os ingressos gratuitos) quando o público começou a cantar as músicas a plenos pulmões. 

“Conheci o trabalho da Lucy em 2011, quando ela veio ao Brasil para tocar com o Bombay Bicycle Club. Eu curti o som e, depois, uma amiga me disse que o nome dela era Lucy Rose. Mal sabia eu que um dia iria acontecer isso tudo e que ainda viraríamos amigas”, reflete a jovem, que é tradutora profissional de inglês e francês e mantém contato com a cantora até hoje. 

Mas quase que essa saga toda não aconteceu. Antes de vir para o Brasil, Lucy passou por outros países da América do Sul, como o Paraguai, de onde iria para Porto Alegre de ônibus. Meses antes da turnê, Paula já havia checado os horários disponíveis para que o planejamento não desse errado. Estava tudo combinado. Só esqueceram de combinar com a empresa de transportes. Quando Lucy foi comprar o bilhete, uma semana antes da data, percebeu que aquele horário do ônibus não existia mais. 

“Se ela fosse esperar o ônibus em outro horário, ela perderia os shows de Porto Alegre. Parecia que não havia mais o que fazer. Até que um outro fã se ofereceu para dirigir por três horas e levá-la de carro até São Borja, no interior do Rio Grande do Sul. De lá, ela e o marido viajaram por 12 horas até Porto Alegre. Eles disseram que foi a pior viagem da vida deles”, relembra Paula. Ela conta que nem acreditou quando viu os dois na rodoviária da capital gaúcha. “Foi nessa hora que a ficha começou a cair porque até ali nada disso parecia real. Quando vi os dois, pensei: ‘o que eles estão fazendo aqui? Como essa pessoa que canta músicas que eu amo e que mora do outro lado do mundo veio parar na minha casa?’”, se diverte. 

A convivência entre ídolo e fã resultou até mesmo em uma mini briga por conta da cama em que dormiriam. Como a casa só tinha um beliche, Paula falou para Lucy e o marido, Will, dormirem na cama, enquanto ela e o irmão ficariam em um colchão no chão. Lucy se negou e as duas tiveram uma discussão, mas, no fim, a britânica cedeu. Os quatro dormiram no mesmo quarto por duas noites e, como compensação, ganharam até um banquete tipicamente brasileiro (Lucy amou arroz com farofa, e também chimarrão) dos pais de Paula. 

Depois da estadia em Porto Alegre, Paula ainda acompanhou Lucy durante sua viagem para o Rio, onde abriu para o cantor sueco José González e fez um show solo, também organizado por fãs. Como uma forma de agradecer tudo o que Paula havia feito, Lucy e Will levaram a fã gaúcha e um amigo em um passeio de helicóptero sobre a cidade. 

Paula teve a chance única de levar a ídolo para jantar em seu lugar favorito de Porto Alegre / Paula Malaszkiewicz / Arquivo pessoal
Paula teve a chance única de levar a ídolo para jantar em seu lugar favorito de Porto Alegre / Paula Malaszkiewicz / Arquivo pessoal

“Fomos conhecer o Pão de Açúcar e quando estávamos lá a Lucy viu um helicóptero pousando. Na hora que ela olhou para aquilo, eu já vi tudo no rosto dela. Eu morro de medo de voar e ela convidou a gente para um passeio. Lembro que ela e o Will nos olharam e ela falou ‘a gente quer criar essas memórias com vocês’. Ainda tentamos convencer os dois do contrário mas não deu certo. Nos primeiros três minutos de voo eu estava muito nervosa. Só pensava ‘ferrou’, mas depois relaxei e foi incrível. Vou contar para os meus netos”. 

Por toda trabalheira e desgaste, além de problemas pessoais que vivia na época, Paula considera a experiência completa um tanto quanto traumática, mas diz que tudo valeu a pena. Além de ter construído tantas memórias ao lado de Lucy, ela também criou laços com outros fãs da cantora que viveram o mesmo êxtase de produzir um show e hospedar o ídolo. “Nós formamos uma comunidade. Hoje meus melhores amigos são pessoas que receberam a Lucy no Uruguai”, conta.

Dois anos depois, a turnê de Lucy virou um documentário produzido pela cantora. “A Lucy é gente como a gente, isso foi o que mais me chocou. Sempre temos essa impressão de que pessoas famosas têm uma vida de luxo e quando eu a conheci percebi que os artistas passam pelas mesmas situações e incertezas pelas quais que nós passamos. Nós duas conversamos muito e nos tornamos amigas. Eu vivia uma época de muita incerteza na minha vida e ela me ajudou a compreender que, apesar de vivermos em contextos diferentes, no fundo somos muito parecidas”. 

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