A história de superação da cantora de ópera desabrigada que encantou quem passava pelo metrô de Los Angeles
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A história de superação da cantora de ópera desabrigada que encantou quem passava pelo metrô de Los Angeles

Como já contamos aqui no Reverb, Emily Zamourka, uma mulher russa de 52 anos, foi flagrada pela polícia de Los Angeles cantando ópera no metrô. A artista, que vivia como sem-teto, é autodidata e foi para os EUA na juventude, em busca de oportunidades de trabalho. A procura, no entanto, não foi bem-sucedida. Ela precisou morar nas ruas por anos, mas logo foi descoberta pelo pessoal da internet, que rapidamente viralizou o vídeo da artista cantando a ária "O Mio Babbino Caro", do compositor italiano Giacomo Puccini.

Após o sucesso estrondoso nas redes sociais, a cantora, até então anônima, recebeu algumas propostas milionárias de gravadoras para contratá-la. Ainda não se sabe se Emily assinou com algum selo, mas ela já disse, em algumas entrevistas, que está avaliando os melhores caminhos.

De acordo com o "Daily Mail", do Reino Unido, Emily, na verdade, se chama Liudmila Grekova, e não nasceu na Rússia, mas sim em Moldávia, país do Leste Europeu que fazia parte da União Soviética. Ela é a nona filha de um casal que frequentava a Igreja Adventista do Sétimo Dia, proibida pelo partido comunista na época. Quando criança, aos 2 anos, Emily foi colocada para adoção por conta da saúde frágil de sua mãe. Ela viveu com outra família durante anos e, o que se conta, é que os pais adotivos, Ivan e Ioana Zamorca, batiam nela. Na adolescência, aos 12 anos, Emily voltou a se reunir com os pais biológicos.

O "Daily Mail" encontrou alguns amigos de infância de Emily. Eles revelaram que seu talento extraordinário é algo que a cantora carrega consigo desde muito jovem, quando começou a estudar música na escola. No ambiente acadêmico, ela aprendeu a cantar e a tocar violino e piano. "Ela era muito talentosa, mas triste. Ela era abençoada. Muito artística. Ela parecia de outro mundo quando escutava ou cantava uma música", falou Paulina, uma das amigas da artista.

Antes de mudar para os EUA com os pais adotivos, nos anos 1990, Emily foi casada com Anatolii Murga, um homem ucraniano que a destratava. Com o fim do relacionamento, ela imigrou com a família para diversos estados americanos, como Missouri, Washington e Califórnia. Seu sonho era ensinar música em outro país, o que nunca aconteceu.

Aos 17 anos, a artista foi admitida por uma universidade da Moldávia, mas acabou abandonando o curso para viver nos EUA. Antes disso, ela gravou um disco, que não teve muito sucesso. Ele está guardado nos arquivos da Universidade Estadual Alecu Russo, em Balti, na Moldávia.

Atualmente vivendo em Los Angeles, Emily lutou contra problemas de saúde e até passou uma noite de Natal na cadeia por realizar pequenos furtos de itens de supermercado. Outro baque em sua vida foi a morte da mãe adotiva, aos 94 anos. A perda aconteceu justamente quando a cantora foi "revelada" pelos policiais de Los Angeles.

Antes de viver nas ruas, o que começou em 2017, Emily realizava pequenos bicos e topava empregos sem nenhuma relação com seu verdadeiro sonho. Ela tem irmãos adotivos bem-sucedidos, como Elijah, de 59 anos, e uma sobrinha, Zlata Grekov, que é violinista. Seu irmão vive na Califórnia, próximo a Los Angeles, mas é pastor de uma Igreja Adventista, e como a artista se afastou da religião, seus parentes pararam de fazer contato com ela.

"A igreja tentou ajudá-la durante muito tempo, mas ela saiu do nosso radar em 2013", respondeu Elijah por email.

O locatário do último apartamento de Emily, David Franklin, de 72 anos, disse que ela foi despejada do local pois "preferia gastar seu dinheiro alimentando pássaros de rua do que pagar o aluguel". E foi por isso que a cantora se tornou uma sem-teto. Não por relações com álcool ou drogas.

Uma vez vivendo na ruas, Emily teve seu violino de US$ 10 mil roubado, o que lhe custou muito caro, já que vivia pedindo esmolas enquanto tocava o instrumento. O jeito, então, foi usar seu único dom que restava: a voz. Assim, ela reencontrou o caminho de sua vida, dos amigos, familiares e do público, que tem adoração por seu talento e história.

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