A história do fã que foi a um show no Circo Voador e acabou convidado para tocar no palco com Frejat
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A história do fã que foi a um show no Circo Voador e acabou convidado para tocar no palco com Frejat

O ano era 1991. Dia de show do Midnight Blues Band — banda de Roberto Frejat, George Israel e outros músicos — no Circo Voador, no Rio de Janeiro. Bruno Sampaio tinha 17 anos e iria ao show acompanhado de seu irmão mais velho, que dali a alguns dias iria se mudar para a França. Guitarrista e saxofonista, Bruno começava a ter aulas de gaita mas já se mostrava talentoso com o novo instrumento que havia escolhido tocar. No dia do show, chegou ao Circo com a gaita no bolso, mas sem um propósito específico. Andava com ela para cima e para baixo como alguém que não queria largar a nova paixão. Mal sabia ele que, dali a pouco, seria chamado pelo próprio Frejat para tocar com a banda.

"O Circo estava lotado, naquela estrutura precária de antigamente mas completamente lotado. O show foi rolando e o Frejat em uns três momentos chamou o gaitista da Atlântico Blues para tocar, mas o cara não apareceu", relembra ele. "Ele chamava pelo Carlito, que era o gaitista. 'Carlito, se você tá por aí, aparece', mas ele não aparecia", conta.

Após os pedidos insistentes, Bruno se convenceu de que poderia tentar a chance, já que o gaitista oficial não dava sinais de vida. "Eu estava com a gaita no bolso. Ele chamou a primeira vez, quando foi a segunda, eu vi que ele realmente queria alguém para tocar gaita. Fui cara de pau e andei até a parte da frente pra ele me ver", diz. Com a gaita em punho, Bruno começou a acenar para que Frejat o visse. O show já estava perto de acabar, quando o gaitista iniciante finalmente foi notado no meio da multidão.

(Vídeo de uma apresentação da Midnight Blues Band em 1993)

"O Frejat me viu pulando, estendeu o braço e me puxou para cima. Eu era um moleque, uma criança, e fiquei muito nervoso. Até esqueci de pegar o microfone para tocar."

A emoção foi tanta que Bruno nem lembra qual música tocou. E não foi apenas uma: ele acabou solando em três músicas no bis. "O George Israel me deu o microfone para eu tocar e eu só lembro de ver aquele tapete de gente no Circo lotado. Na primeira música a banda tocou mais alto, acho que eles ainda estavam me testando para ver se eu realmente tocava. Quando viram que sim, aumentaram meu volume e a coisa foi", diz.

Para quem estava apenas começando, a experiência foi indescritível. Anos depois, com a carreira de músico já consolidada, Bruno voltaria ao palco do Circo com a banda Mr. Blues. Apesar de ser apegado à sonoridade do jazz, Bruno se reconhece como um ouvinte eclético. “Ouço de tudo, menos axé. Não é muito a minha praia.”

Atualmente, Bruno trabalha na noite, mas não com música. Depois de largar as carreiras musical e a de design gráfico, ele é dono de uma padaria em São Paulo. Acorda ainda de madrugada para preparar os pães que serão vendidos pela manhã.

"Ter subido no palco aquele dia foi muito bacana. Quando acabou o show, o Frejat ainda me chamou para ir ao camarim com o resto da banda. Viver aquela euforia toda. Naquela época, o Circo Voador era nada luxuoso, mas, para mim, era o paraíso estar ali."

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