Projeto de arte junta dois Fabrizio Moretti: o brasileiro dos Strokes e um colecionador italiano
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Projeto de arte junta dois Fabrizio Moretti: o brasileiro dos Strokes e um colecionador italiano

Se o nome “Fabrizio Moretti” for mencionado a um grupo de roqueiros, a identificação vem rápida: é o baterista brasileiro dos Strokes. Pergunte pelo mesmo nome a um público diferente — estudiosos da arte renascentista, por exemplo - e a resposta será... diferente. Para esta segunda turma, o Fabrizio que conta é um negociante de artes italiano, xará do músico ítalo-brasileiro e especializado em pinturas e esculturas.

Em uma iniciativa classificada pela BBC como “uma das mais intrigantes decisões profissionais dos últimos tempos”, o Moretti do rock e o Moretti das artes se uniram no projeto “Fabrizio Moretti x Fabrizio Moretti: In Passing”. Trata-se de uma exposição com instalações interativas, em cartaz na filial de Nova York da casa de leilões Sotheby’s entre 15 e 18 de dezembro. São 24 quadros e esculturas de “velhos mestres” da arte italiana, incluindo Luca Signorelli, Taddeo di Bartolo, Bartolomeo di Giovanni e Giuseppi Vermiglio. As obras, pertencentes à coleção de Moretti (o das artes), serão leiloadas no encerramento da mostra.

Os xarás Fabrizios: o baterista e o colecionador de artes. Reprodução
Os xarás Fabrizios: o baterista e o colecionador de artes. Reprodução

“Eles (a Sotheby’s) me procuraram e perguntaram: ‘Você conhece esse colecionador de arte?’”, contou Moretti (o dos Strokes) à BBC. E o pior é que ele conhecia. “Eu sabia que ele tinha uma galeria em Nova York. Costumava passar pela porta e dizer: ‘Ei, eu reconheço esse cara...’”, lembra o baterista, 39 anos. A casa de leilões sugeriu então que os dois Fabrizios pensassem em uma colaboração, de modo a lançar um olhar mais contemporâneo sobre as peças a serem vendidas.

O baterista dos Strokes, filho de pai italiano e mãe brasileira, viveu até os 3 anos no Brasil, época em que começou a se interessar por artes plásticas. “Quando criança, eu passava o dia inteiro desenhando cavalos”, diz ele. Mais tarde, já radicado em Nova York, chegou a estudar escultura a sério. “Se o convite fosse para fazer uma playlist de músicas para servir de trilha sonora, ou algo parecido, talvez não seria algo interessante”, admite o músico. “Mas a Sotheby’s me deu a oportunidade de botar a mão na massa. Realmente me deixaram pirar.”

O Moretti italiano afirmou que se sentiu “intrigado” com o convite para colaborar com seu homônimo. “Fabrizio é respeitado como artista visual e como músico, e é excepcional em ambas as atividades. Exatamente como os artistas selecionados para a mostra”.

O colecionador de artes Fabrizio Moretti. Crédito: Getty Images
O colecionador de artes Fabrizio Moretti. Crédito: Getty Images

As obras de arte em leilão compõem, dentro da instalação concebida por Moretti & Moretti, uma espécie de “quebra-cabeças interativo”. “É quase como um labirinto, no qual as pinturas são ‘pontos de exclamação’ espalhados pelo percurso, onde a que a arte se revela em fragmentos diferentes”, explica o músico. “A ideia era criar um caminho que limitasse a forma como visitante percebe as obras, mas que também desse controle ao público. Só uma pessoa pode se aproximar de cada quadro por vez, então é como se ela possuísse a pintura naquele momento.”

Depois que as obras forem leiloadas, o Moretti dos Strokes vai retomar seu posto à bateria. O grupo vai fazer um show na véspera do Ano Novo, no Brooklyn, em uma volta às origens, em Nova York. “Envelhecendo, eu sinto saudade daqueles dias do começo”, admite o baterista. “Pra ser honesto, eu nem consegui prestar atenção no que estava acontecendo conosco naquela época. Num minuto estávamos tocando em um clubinho em Manhattan; no momento seguinte, seguíamos para shows lotados em Londres. Foi tudo muito rápido.”

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