A incrível história da guitarra perdida de Noel Gallagher que reapareceu do outro lado do mundo
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A incrível história da guitarra perdida de Noel Gallagher que reapareceu do outro lado do mundo

Músicos e colecionadores sabem: guitarras vêm e vão... Mas muito raramente voltam. Perder um instrumento querido é uma ocorrência relativamente corriqueira; recuperá-lo, nem sempre. Pergunte a Richie Moore, um do Oasis e orgulhoso proprietário de uma Gibson Custom Shop Les Paul Florentine, com acabamento silver sparkle (prateado brilhan, em tradução livre) que pertenceu a Noel Gallagher. Moore, um músico radicado em Manchester, Inglaterra, viveu uma história de idas e vindas com a guitarra que um dia pertenceu à sua banda favorita — que foi sua, deixou de ser e afinal voltou às suas mãos, conforme ele narrou recentemente ao site "Guitar World".

“Tenho uma ligação emocional com essa guitarra”, conta Moore, que viu o instrumento pela primeira vez na TV, ao assistir a um documentário sobre o Oasis, quando tinha apenas 15 anos. “Meu pai viu Noel tocando com a Les Paul e ele me disse: ‘Meu Deus, olha essa guitarra. Noel sabe escolher seu equipamento”. A Les Paul Florentine é um modelo semiacústico relativamente raro e se distingue das Les Paul tradicionais pelas fendas em formato de “F”. “A banda estava no auge na época, e Noel usou bastante a guitarra naquele período”, lembra Moore.

A Gibson Custom Shop Les Paul Florentine, que pertenceu a Noel Gallagher. Foto: Reprodução
A Gibson Custom Shop Les Paul Florentine, que pertenceu a Noel Gallagher. Foto: Reprodução

Em 2001, completamente por acaso, Moore avistou, em uma feira de guitarras, um instrumento que lhe pareceu familiar: uma Gibson Custom Shop Les Paul Florentine prateada. “Vi a guitarra e comentei com um amigo: é igual à guitarra do Noel”, lembra Moore. “Aí um cara se aproximou e disse: ‘Essa é A guitarra do Noel’”. Era Rick Zsigmond, da loja de instrumentos New Kings Road Vintage Guitar Emporium.

O fato é que o principal compositor do Oasis tinha passado adiante algumas de suas (muitas) guitarras, e o modelo que fascinara Moore aos 15 anos estava à venda. A guitarra seria leiloada nos Estados Unidos, mas se ele pagasse um sinal como garantia, poderia levá-la — se o preço mínimo no leilão não fosse atingido. “Você não tem ideia do quanto eu queria aquela Florentine”, lembra Moore.

A Gibson foi a leilão... e não encontrou comprador. “Eu só tinha 19 anos e precisei pedir um empréstimo no banco para pagar a guitarra”, conta Moore. Imediatamente depois de pegar o tão sonhado instrumento, o novo proprietário foi direto bater à porta da casa de Noel Gallagher.

“Ele simplesmente atendeu a porta e me recebeu sem qualquer cerimônia. Comentei que consegui comprar uma das guitarras dele, e ele me perguntou se eu queria que a autografasse”, narra o superfã do Oasis. “Mas eu não quis. Queria manter o instrumento exatamente do jeito que era quando Noel o usava no Oasis. Ele ficou muito feliz quando soube que eu era um fã e que a comprei para tocar, não apenas para deixá-la guardada.” Algumas semanas mais tarde, Gallagher e Moore se reencontraram em Londres e registraram uma foto para a eternidade: o fã, seu ídolo e a guitarra que os unia.

Richie procurou Noel para mostrar que ele havia recuperado a guitarra. Foto: Reprodução acervo pessoal
Richie procurou Noel para mostrar que ele havia recuperado a guitarra. Foto: Reprodução acervo pessoal

Cumprindo sua palavra, Moore usou a Gibson inúmeras vezes em showzinhos em pubs. “Eu subia no palco meio bêbado e tocava uma meia-dúzia de covers. Foram bons tempos. Mas dois ou três anos depois, eu precisei vender a guitarra”, ele recorda. Problemas familiares e uma mudança para os Estados Unidos o obrigaram a se desfazer do instrumento. “Sabia que estava cometendo um erro. Uma semana depois de vendê-la, chamei o novo dono e pedi para comprá-la de volta. O cara estava feliz com a guitarra e não queria se desfazer dela, mas se um dia ele resolvesse vendê-la, eu teria preferência na compra.” Os contatos entre os dois foram rareando, até que cessaram por completo. Moore passou 17 anos sem ter mais notícias da Florentine.

“As pessoas vinham me perguntar: ‘Ei, cadê a Silver Sparkle do Oasis?’ Indaguei em fóruns online se alguém tinha visto a guitarra, ou se tinha ideia de onde estava. Então resolvi procurar no Facebook, usando o perfil do meu irmão”, diz Moore, que não é usuário da rede social. “Digitei o nome do cara e lá estava ele!” Entretanto, a surpresa logo deu lugar à preocupação. “Comecei a ver um monte de mensagens de pêsames no perfil dele... o cara tinha morrido há um ano!”

Uma troca de mensagens com a família do falecido trouxe luz à busca. “O irmão sabia que eu era o dono anterior da guitarra e mencionei que se um dia ele fosse vendê-la, tinha prometido que seria para mim”, conta Moore. Depois de algumas noites sem dormir, afinal foi procurado pelo irmão. “Ele disse que sentia que a guitarra me pertencia, que era o que o irmão teria feito”. Moore recebeu a ligação numa terça; na sexta-feira, voou de Manchester para Nova York, e de lá para Kansas City.

No dia seguinte, voltou para casa com a Gibson do Oasis nas mãos. Quer dizer, mais ou menos; ele pagou uma passagem de primeira classe para a guitarra (e uma de classe econômica para si mesmo). “Quando a recuperei, foi muito emocionante. Uma jornada inacreditável. Eu comecei a tocar guitarra por causa do Noel, então é incrível ter uma das guitarras dele em casa. Eu penso na Florentine como se ela ainda fosse dele. Até disse para a assessora dele: ‘Se o Noel algum dia se sentir nostálgico e quiser usá-la, é só pedir.’”

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