A incrível jornada de Eric Burton, do Black Pumas: em dois anos, foi de cantor de rua a indicado ao Grammy
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A incrível jornada de Eric Burton, do Black Pumas: em dois anos, foi de cantor de rua a indicado ao Grammy

Nesta quarta-feira (20), Dia da Consciência Negra em alguns estados brasileiros, também aconteceu o anúncio dos indicados ao Grammy em 2020 — a cerimônia está marcada para 26 de janeiro. Artistas como Lizzo, Lil Nas X e Billie Eilish estão participando da disputa, merecidamente, enquanto outros artistas, como o BTS, ficaram de fora da corrida pelo gramofone dourado.

Se o grande ícone do k-pop foi esnobado pela premiação, o mesmo não aconteceu com um duo de soul music misturada com rock e funk, um nome já com prestígio mas ainda com pouca notoriedade no mainstream pop: o duo Black Pumas, que se projetou a partir de Austin, no Texas. Eles estão concorrendo na categoria artista novo, que muitos traduzem ou entendem como revelação.Os Black Pumas são o guitarrista e produtor Adrian Quesada, 42 anos, e o cantor Eric Burton, 30.

Em 21 de junho deste ano, a dupla lançou seu álbum de estreia, autointitulado, com 10 faixas — entre elas, as irresistíveis "Colors" e "Black Moon Rising" (ouça abaixo). Uma cover funky que gravaram de "Eleanor Rigby", dos Beatles, também ajudou a ganhar público a partir das redes sociais. Adrian já tem história com o Grammy. Foi integrante do Grupo Fantasma, que em 2011 ganhou a categoria álbum latino de rock. Ele também tocou numa banda local de Austin, chamada Brownout, e colaborou com Prince e Daniel Johnston.

Já Eric, de 30 anos, é um novato cuja voz é impressionante. Ele começou a cantar na igreja e em musicais de teatro no Vale de São Fernando. Antes de conhecer Adrian, era um músico de rua que se apresentava no pier de Santa Monica e nas ruas de Austin. Mas isso não quer dizer que ele tenha sido sem-teto ou que tenha vivido a marginalidade. Nos Estados Unidos, para se apresentar em locais públicos pedindo colaborações, é preciso ter uma licença. E foi assim que Eric resolveu dar seus primeiros passos na profissão, com tudo regularizado dentro da lei. Depois de perambular pelo sul da Califórnia e o Novo México, foi a Austin, no Texas, para tentar se estabelecer na pulsante cena local (a cidade se gaba de ser a capital da música ao vivo nos Estados Unidos). Inicialmente nas ruas, e depois, com Adrian, já como Black Pumas, ganharam a gig de atração fixa no bar C-Boy's, em 2018.

Em pouco tempo, Eric conseguiu alugar um apartamento, deixando para trás os sofás de casas de amigos, e um contrato para gravar também não tardou. Mesmo se não levarem o Grammy, os Black Pumas já são vitoriosos. Não apenas pela indicação, mas porque eles venceram o Austin Music Awards deste ano, nas categorias de nova banda e música do ano.

Adrian Quesada e Eric Burton formam o duo de Austin, no Texas, Black Pumas/Reprodução/Facebook
Adrian Quesada e Eric Burton formam o duo de Austin, no Texas, Black Pumas/Reprodução/Facebook

Em entrevista à "Billboard", Adrian lembrou que ele e Eric estavam em um bar, em Londres (onde se apresentaram esta semana), quando souberam da indicação para o Grammy. O abraço levou o produtor às lágrimas, e logo várias rodadas de tequila por conta da casa os deixaram mais sintonizados com o reconhecimento conquistado.

"Tocando na rua, aprendi que a única forma de cativar as pessoas era sendo eu mesmo, e sendo livre. Nas ruas, ninguém está ali por você. Então, você precisa tocar para si mesmo. Caso contrário vai ficar bastante magoado", contou Eric ao "Spotify". "Essa experiência me treinou para agir desta forma sempre. Nas minhas performances, canto como se estivesse no chuveiro, ou dançando numa garagem vazia. Isso começou a chamar a atenção das pessoas, que agora estão aqui por minha causa, por causa do meu som, da minha honestidade enquanto artista."

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