A playlist da vida de MC Soffia
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A playlist da vida de MC Soffia

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Quando MC Soffia nasceu, em 2004, Beyoncé havia acabado de lançar o primeiro solo, “Dangerously in Love”. “As músicas dela mudaram um pouco, né? Eu até escuto, mas não tanto quanto antes”, confessa a cantora brasileira. Ela conquistou espaço como uma sensação mirim do rap de mensagem, falando de representatividade e autoestima em “Minha Rapunzel Tem Dread” e “Menina Pretinha”, e depois chamando a atenção do mundo em uma performance com Karol Conka na abertura das Olimpíadas do Brasil, em 2016. Hoje, a MC de São Paulo tem 14 anos de idade, mas ela já está envolvida com música desde os seis, época em que conheceu “Whip My Hair”. O hit de 2010 de Willow Smith é a primeira forte lembrança musical dela enquanto criança. “Ah, e eu também ouvia a Elza Soares, umas músicas que nem eram dela, mas eu gostava”, diz ela, em entrevista ao Reverb.

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Beyoncé, Karol Conka, Willow Smith e Elza Soares são só alguns dos nomes que ajudaram a construir a identidade musical da MC Soffia. Desde muito cedo (tem vídeos dela aos 11 anos cantando no YouTube), ela se espelha nessas cantoras para manter uma desenvoltura rara com o microfone em mãos. O que também impressiona é o discurso: como uma menina tão jovem é tão esclarecida em relação a assuntos densos como o racismo? Os temas podem até ser incomuns para outras crianças, mas, na casa dela, são conversas há muito tempo presentes. “Eu sempre tive minha família me falando dessas questões”, explica. “Minha mãe foi quem me falou que eu era bonita e tinha que me aceitar”. Até pela consciência desenvolvida especialmente com a mãe, Kamilah Pimentel, a MC teve diversas referências de cantoras negras, que a representassem assim como as bonecas negras feitas pela avó, Lúcia Makena. “Eu tinha minhas bonecas e pensava que elas eram minhas irmãs ou algo assim. E o resto foi a influência da minha família mesmo”. 

 Queria ser a Willow Smith, queria cantar e fazer clipes iguais aos dela

Soffia lembra de quando assistiu a “Whip My Hair” pela primeira vez. O clipe trazia Willow (filha de Will Smith), então com 10 anos de idade, balançando as tranças imensas para todos os lados junto a outras garotas. “Lembro que eu era bem novinha. Queria ser a Willow, queria cantar e fazer clipes iguais aos dela. Vi na internet”. Além do acesso ao YouTube, a garota cresceu assistindo a vídeos na MTV e a alguns programas da TV Cultura. O curioso é que ela sequer entendia as letras das músicas cantadas em inglês. “Os clipes me emocionavam mais até do que as músicas, porque eu não entendia tudo que elas falavam. Eu ia escutando, cantava fazendo embromation e indo assim, meio que sem entender”, ri. “Não sabia que a Willow estava falando do cabelo, mas eu conseguia ver pelo clipe. Ela mexia muito o cabelo, eu amava. Por ser nova e estar cantando daquele jeito. Eu já estava começando a cantar também”.

Uma música da Willow (“Fireball”, em parceria com outra artista da qual Soffia é fã, Nicki Minaj) até chegou a inspirar a batida de uma faixa da MC brasileira, “De Onde Eu Vim”, em que ela rima: “Quando olho na TV, só conta mentira/ Conta pra menina que para ser bonita tem que alisar o cabelo e passar a tal da química”. Soffia também já cantou sobre uma Rapunzel africana – a “princesa Rastafari” – em “Minha Rapunzel tem Dread”, desconstruiu o padrão de beleza da boneca mais famosa do mundo ocidental em “Barbie Black” e exaltou a beleza negra em “Menina Pretinha” (cujo clipe soma quase 2 milhões de views). Em termos de letra, sua referência maior é a (agora amiga) Karol Conka, até pela proximidade não só de idioma, mas de abordagem, já que a menina, assim como a rapper curitibana, é uma MC. “As músicas dela sempre foram bem legais, mas quando ela canta… Ela é muito ativa, tipo bem doida, bem firme, bem legal. E tem umas letras muito interessantes.”

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A esta altura, Soffia tem ciência de que já está sendo vista como ícone por outras garotas. Depoimentos de pessoas que deixaram de alisar o cabelo graças às músicas da MC não são raros de encontrar no canal dela no YouTube, por exemplo. “A música me deu oportunidade de conseguir fazer shows e passar minha mensagem para as meninas negras, as crianças. E cada vez mais eu apareço nos lugares que eu queria aparecer”, diz. Soffia canta sobre representatividade e é, ela mesma, um produto das próprias “rainhas” – as diversas mulheres negras que a influenciaram, desde a mãe até a Beyoncé. Até hoje, a MC “só” conseguiu dividir o palco com Karol Conka, mas ela já tem planos sérios de colaborar com todas que estão no Top 3 pessoal: “A Rihanna é com quem quero mais trabalhar. É a mais do rap, dá para fazer mais coisa junto. A Beyoncé também, porque ela é a rainha de tudo. Faria com ela um show, com a Rihanna um clipe e, com a Nicki Minaj, fotos”.

Confira a playlist que montamos com as maiores inspirações musicais de MC Soffia:

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