‘A todo momento tenho aquela sensação de ‘que porra está acontecendo?', diz Billie Eilish
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‘A todo momento tenho aquela sensação de ‘que porra está acontecendo?', diz Billie Eilish

Billie Eilish, que acaba de completar 18 anos, foi escolhida como artista do ano pelo "The Guardian". O lançamento de seu álbum "When We All Fall Asleep, Where Do We Go?" em março, um estrondoso sucesso, garantiu seu nome como uma das artistas pop mais badaladas da atualidade. A turnê da cantora passa pelo Brasil em maio de 2020 com shows em São Paulo (no Allianz Parque) e Rio (na Jeunesse Arena).

A trajetória de Billie começou em 2015, quando chamou atenção no Soundcloud com a música "Ocean Eyes": uma artista que falava diretamente com seu público porque ela era seu próprio público, já que a música era uma lição de casa que foi publicada no site para um professor acessar. Mas 2019 parece ter sido o ano mais impactante para Billie, que colecionou momentos como uma performance arrebatadora no Coachella; a indicação, como pessoa mais jovem, para as quatro maiores categorias do Grammy; elogios de colegas, desde Tyler, The Creator até Thom Yorke; e uma série de artistas ainda mais jovens já fazendo um trabalho sob sua influência.

Billie Eilish teve performance arrebatadora no Coachella. Foto: Getty Images
Billie Eilish teve performance arrebatadora no Coachella. Foto: Getty Images

"De repente, todos acham que eu sou famosa, mas eu tinha 13 anos quando surgiu 'Ocean Eyes'. Então, foi muito mais rápido do que algumas pessoas que levam 20 anos para acontecer — comigo foram em três!. Mas a todo momento eu tenho aquela sensação de 'Que porra está acontecendo?', de um jeito bom e ruim", diz ela sobre o sucesso.

Com um tom sombrio, aventureiro e eclético em suas músicas, Billie parece não ter preocupação em seguir tendências. "When We All Fall Asleep, Where Do We Go?", seu disco de estreia, foi gravado em casa por ela e seu irmão Finneas O'Connell.

Sem produtores famosos nem parceiros, ela provou também que dentro de um mundo onde artistas fazem de tudo para mostrar seus trabalhos autorais, ela o fez da forma mais simples possível. A direção do perturbador e minimalista clipe de "Xanny", por exemplo, tem sua assinatura. "Desde o início eu queria dirigir vídeos, mas as pessoas diziam que eu não tinha nenhuma experiência nem tempo. Existe esse mundo estranho de 'você não tem nenhuma experiência e não pode ter o trabalho'. Como vou conseguir o emprego se não posso ter nenhuma experiência? Eu acho que esse é um grande problema no mundo com mulheres", aponta Billie.

Determinada, conseguiu convencer todos à sua volta: "Eu sabia o que queria e os convenci, confiei a confiança e, daqui em diante, quero fazer meus próprios vídeos e até um filme. Eu amo cinema, os enquadramentos da câmera, o visual. Eu acho que 'Precisamos Conversar Sobre Kevin' é filmado tão bem que é minha referência de objetivo na vida, mesmo que seja sobre a pior merda de todos os tempos. Quero que as pessoas sintam o mesmo que eu quando assisti esse filme", diz.

Tanto sucesso e assédio acabou carregando Billie para um quadro de depressão, segundo a própria revelou no início do ano. "As pessoas falam sobre como fazer música é algo que cura, eu já acho que ouvir música é sim, mas não acho que fazer música seja. Mas é o que eu faço para viver e isso me lembra de tudo que eu tenho alcançado na vida", conta ela, que parece obter forças também de sua legião de fãs. "É estranho crescer como fã, desejando que meu artista favorito faça isso ou aquilo, e agora estar do outro lado. Agora entendo por que meu artista favorito não poderia ser do jeito que eu queria. Os fãs são a razão de você estar em qualquer lugar e, na verdade, eles me protegem a maior parte do tempo. Então, sim, eu os amo. É muita responsabilidade, mas eu vivo com isso, sabe?", conta.

É claro que uma garota de 18 anos como Billie está longe de ter uma adolescência "normal". O que parece não ser um problema: "Eu nunca quis uma vida normal . Não é como eu sonhava em crescer, mas todas as coisas que eram consideradas normais eu nunca gostei de fazer... Estou bem com o jeito que as coisas são e não gostaria de mais nada. Mesmo que eu não goste de algumas coisas, eu realmente não me importo - tudo faz parte de algo que eu nunca poderia ter imaginado alcançar", afirma.

O sucesso e os elogios realmente parecem não deslumbrar a cantora, que não pensa, pelo menos por enquanto, em trabalhar com outros artistas. Seu irmão vem fazendo parcerias com nomes como Selena Gomez e Camila Cabello, mas nem assim ela se anima. "Não gosto de trabalhar com outras pessoas. Finneas é realmente bom em compor, muito rápido, então ele tem facilidade em sentar com alguém para escrever. Para mim, nunca foi uma coisa confortável, por isso meu trabalho não pode ser com alguém aleatório. Não sou contra, mas não vejo a necessidade no momento", afirma.

E o que não falta é convite para colaborações, de Alicia Keys ao BTS. "Colaborar realmente não me interessa. Não é nada contra ninguém, simplesmente não sinto vontade. Amo outros artistas, mas odeio que, assim que conheço um artista, o mundo inteiro já fale algo como 'Billie Eilish e fulano devem estar fazendo uma música juntos!'. Por que não posso ser apenas uma amiga? Não estou dizendo que isso nunca vai acontecer, mas não é algo que estou procurando agora", explica a cantora.

Billie com o irmão e parceiro Finneas. Foto: Getty Images
Billie com o irmão e parceiro Finneas. Foto: Getty Images

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