A vida dupla de Eliza Schinner, que já tocou com músico dos Rolling Stones
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A vida dupla de Eliza Schinner, que já tocou com músico dos Rolling Stones

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De quase médica para baixista conhecida na cena musical e social media. Eliza Schinner tem 37 anos e tanta história para contar que parece que, na verdade, já viveu muito mais. A bagagem vem de uma mulher que aos 10 anos já era um prodígio nas aulas de música que fazia, em Botafogo, no Rio de Janeiro, e que escolheu o baixo como instrumento porque seria mais fácil para formar uma banda com o irmão, que já tocava guitarra. Os caminhos curiosos da música a fizeram trabalhar com mais de 30 bandas. Há cinco anos, ela assume os graves acústicos da banda de punk rock carioca Nove Zero Nove, “uma mistura de Rage Against The Machine com Charlie Brown Jr.”. Eliza divide sua vida entre ensaios, shows, gravações e — sabe-se lá como ela ainda consegue — o trabalho como social media do Rock in Rio.

"Eu tinha 13 anos, minha mãe ainda morava no Brasil. Ela frequentava a igreja adventista e me colocou para tocar na banda da Regina Motta, que cantava lá. Eu comecei a viajar o Brasil acompanhando ela e foi quando eu fiz o meu primeiro show. Foi uma experiência muito importante para sentir como era participar de um conjunto. Depois eu virei ateia e hoje não quero nada com religião. Aí, mais tarde, fui tocar saravá metal com o Gangrena Gasosa", se diverte a baixista, se referindo à banda que surgiu nos anos 1990 com repertório inspirado no metal e na umbanda. 

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O acaso pautou a carreira de Eliza desde o começo. Sua entrada na Nove Zero Nove é um bom exemplo disso. Eliza participava de um programa de televisão no BIS, canal de TV a cabo, chamado “Vida de Rockeira”. Naquele ano, por conta disso, a baixista foi convidada para participar como jurada de um concurso de bandas e quem levou a melhor na premiação foi justamente a Nove Zero Nove, uma das concorrentes.  

"Eu olhei eles tocando e pensei: 'eu preciso fazer parte dessa banda!'. Dois meses depois, o vocalista entrou em contato comigo para perguntar se eu tinha indicação de baixista. Eu me indiquei", conta. Como se não bastasse, Eliza entrou no grupo em uma quinta-feira e no dia seguinte, a banda faria um ensaio para um show que aconteceria no sábado, no Espírito Santo. Eliza aprendeu a tocar tudo em apenas dois dias.  

Também do dia para a noite ela se viu diante da oportunidade de tocar no Rock in Rio (muito antes de sonhar em trabalhar no festival) com Darryl Jones, há 25 anos baixista de turnê dos Rolling Stones. 

"O Arnaldo Brandão (da banda Hanói-Hanói, da qual Eliza fazia parte na época) conhecia pessoalmente os Rolling Stones. Próximo ao Rock in Rio em 2011, ele soube que o Darryl viria para o Brasil, e o convidou para tocar com a gente (Eliza tocaria na banda de Arnaldo Brandão, no palco da Rock Street, na edição daquele ano do festival) . E ele topou", conta. Eliza diz que quase "passou mal" quando o ex-baixista de Miles Davis e Sting chegou no estúdio para ensaiar com eles. "Quando ele apareceu, eu estava tocando. Ele viu e disse: 'eu não vou tocar sem você. Vamos tocar com dois baixos'", conta. "A gente estava com dois baixos no estúdio, um maravilhoso e um vagabundo. O Arnaldo queria que eu desse o vagabundo para o Darryl, mas eu disse que não e dei o meu Rickenbacker (marca de instrumentos musicais). Eu queria aquela energia no meu baixo para sempre", diz. 

A música entrou na vida de Eliza muito cedo. Aos oito anos, ela escolheu como presente de aniversário um piano. Os pais levaram na brincadeira, queriam lhe dar um instrumento de brinquedo. Ela insistiu tanto que o pai comprou um piano “bem vagabundo”. “Quando eu ganhei esse piano ele virou a razão da minha vida. Minha vida era eu ir para a escola, voltar para casa e ficar oito horas por dia tocando. Eu era um prodígio”, lembra sobre as aulas de música. 

E pensar que Eliza quase seguiu por outros caminhos. Aos 17 anos, ela passou para o vestibular de Medicina na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, no Rio de Janeiro. Tudo para provar para os pais — que implicavam com a vida de roqueira da jovem baixista — que era capaz de fazer o que quisesse. 

"Eu tinha 19 anos e minha vida era tocar um monte de instrumento (além do piano e do baixo, Eliza ainda toca guitarra e bateria). Eu estava tocando e bebendo cerveja o tempo todo, dava para saber que meu negócio não era música clássica, era ter banda de rock. Eu falei para a minha mãe que iria cursar Música e ela disse que não, que ela não iria 'sustentar vagabundo'", relembra. "Eu era muito nerd na escola e aí resolvi fazer vestibular para Medicina. Eu passei e cursei a faculdade até o final do 9º período. Larguei porque estava tocando em uma banda chamada El Niño. Foi quando resolvi trancar. Pensei: 'Foda-se essa faculdade'". 

Eliza integra a equipe do Rock in Rio desde a penúltima edição em Lisboa, em 2016. Outro rumo aleatório que o destino tomou. Ela entrou nesse meio fazendo “frilas” na época do Orkut e atualmente trabalha como supervisora de conteúdo do festival. Ela conta que, por lidar de perto com um grande evento como esse, "o coração vive batendo mais forte". "A vontade do músico é sempre estar no palco. Às vezes você fica apavorada por estar contando a história da música quando você queria que a sua história estivesse sendo contada. Mas é muito foda. Eu tenho o emprego mais foda do mundo", empolga-se. 

"Eu não tenho vida. Eu saio do trabalho basicamente todo dia e vou para algum estúdio onde fico normalmente até 0h, 1h da manhã", conta. "Só tem um dia que eu sempre aviso para as bandas que eu não posso fazer nada: terça-feira". Por quê? "Para ver Masterchef! Tenho que descansar, senão eu vou ficar maluca".

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