Adele magra: qual é o problema por trás da foto de aniversário da cantora?
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Adele magra: qual é o problema por trás da foto de aniversário da cantora?

Adele completou 32 anos no último dia 5 de maio e, como de costume, publicou uma foto em seu Instagram para agradecer às mensagens de parabéns. Tudo normal, nada que já não tenhamos visto ao longo dos últimos 12 anos, desde a ascensão da cantora inglesa com seu álbum de estreia, “19”, e, três anos depois, com o arrebatador “21”. Não fosse por um detalhe: sua forma física.

Desde o começo do ano, a perda de peso de Adele já havia virado notícia nos jornais e tablóides mundo afora. A cantora publicou uma foto no Natal, em que aparecia ao lado de um “Papai Noel Grinch”. Pouco depois, em janeiro, teve imagens suas com fãs viralizadas na internet por conta do aparente emagrecimento. Visivelmente mais magra, a cantora aparecia sorrindo ao lado de admiradores locais. O termo “Adele magra”, no Brasil, atingiu o nível máximo de interesse via buscas no Google. O fato se repetiu na manhã desta quarta-feira, após a publicação da foto de aniversário.

Adele posa para celebrar seus 32 anos em foto que viralizou / Foto: Reprodução
Adele posa para celebrar seus 32 anos em foto que viralizou / Foto: Reprodução

Mas, então, qual é o problema de falar sobre a magreza de Adele? Muitos. Basta ler os comentários para ver que a perda de peso da cantora é quase sempre associada a uma melhora: ela está linda porque emagreceu. Ela está “deusa” porque emagreceu. Ela está “radiante” porque emagreceu. O padrão de beleza socialmente aceito é aquele que coloca a mulher (bem mais do que os homens) gorda como feia e, a magra como bonita. Algo que não está restrito a personalidades da mídia, mas que qualquer anônima que passa por uma mudança considerável de peso já deve ter ouvido. “Nossa, você está bonita, emagreceu!”, “que linda, está magrinha!”, “o rosto dela é tão bonito, pena que é gordinha, né?” e afins.

Ser magro nem sempre é questão de ter saúde. Assim como o sobrepeso nem sempre é sinal de problemas sérios no organismo. A questão é que socialmente estamos tão condicionados a colocar esses estereótipos em pólos opostos que aprendemos a relacionar magreza a corpos bonitos e aqueles que não estão nesse padrão automaticamente “precisam se cuidar”. Sacar a carta do “é questão de saúde” costuma mascarar o nome deste tipo de associação: gordofobia. O pensamento que demoniza curvas e usa o termo “gordo” como pejorativo. Ser gordo não é pejorativo. Pejorativo é colaborar para a manutenção de um status quo discriminatório.

Adele e seus Grammys em 2012 / Foto: Getty Images
Adele e seus Grammys em 2012 / Foto: Getty Images

Adele sempre foi bonita e isso nunca teve a ver com seu peso na balança ou com seus olhos claros. A beleza da dona de um Oscar — por “Skyfall”, em 2013 — e 15 Grammys (entre eles, os quatro principais troféus da edição de 2012) está em sua voz potente e afinada, em seu bom humor, na espontaneidade de quem tenta mostrar que é “gente como a gente”, no carisma e na sinceridade com que sempre se manifestou sobre aquilo em que acredita.

Adele nunca foi uma artista que gostou de se expor. Desde o início da carreira, ela sempre foi clara sobre preservar a privacidade e sobre a difícil relação que nutria com a exposição exacerbada, principalmente com relação ao filho, Angelo, de sete anos, fruto da relação com Simon Konecki. Em sua última turnê, pelo álbum “25”, a cantora falou sobre como fazer shows e preparar giros pelo mundo eram gatilhos para crises de ansiedade e pânico. Não é o caso de depreender intenções e objetivos por trás do emagrecimento, caso Adele não se manifeste a respeito. A cada um cabe cuidar de seu próprio corpo — e refletir sobre os porquês e as consequências dos padrões de beleza que nutrimos.

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