Alguém disse que os videoclipes morreram?
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Alguém disse que os videoclipes morreram?

Antes do advento da internet, clipes de música eram fundamentais na comercialização de uma faixa. Quem viveu a era da MTV se lembra bem de como os vídeos eram importantes. Tanto que o canal, à época o maior entres os dedicados à música, tinha conteúdo baseado quase que exclusivamente à exibição dos pequenos filmes.

Com a chegada da internet, o cenário mudou. A própria companhia americana passou a investir em programas e reality shows até chegar à decisão de não mais investir na apresentação de clipes. O orçamento dedicado dentro das gravadoras para a produção dos filmetes diminuiu consideravelmente e não mais parecia primordial investir nisso para lançar uma música ou promover um artista.

Mesmo com a chegada do YouTube, em 2005, esse cenário não mudou de fato. Ainda havia certa resistência por parte da indústria da música sobre o investimento que deveria ser feito para produção de conteúdo do tipo. Até agora.

Se você andou se inteirando do que acontece no universo pop, vai concordar que 2018 já pode ser considerado o ano em que os videoclipes deixaram de ser questionados quanto à sua relevância e se tornaram uma ferramenta absolutamente próspera. Observem vídeos como "Apes**t", faixa principal do álbum conjunto de Beyoncé e Jay-Z, ou melhor, The Carters. O sucesso da faixa se construiu em boa parte pelo manifesto artístico gravado no Museu do Louvre pela dupla. É óbvio que não podemos ignorar a importância que o maior casal do entretenimento tem nesse cenário, mas “Apes**t” é o mais recente exemplo de como os videoclipes tem levado músicas ao patamar de hit, e não o contrário.

Vale lembrar que antes do casal "On The Run" quebrar a internet - desculpa, Kim! - com "Apes**t", Bey já havia lançado dois álbuns visuais, "Beyoncé", em 2013, e "Lemonade", em 2016.

Outra amostra atual vem de Drake. O rapper canadense e sua equipe têm jogado as cartas certas na utilização de vídeos como marketing para promover seu mais recente álbum, "Scorpion". Quando o vídeo de "God's Plan", primeiro single do trabalho, surgiu, muito do buzz causado pela faixa veio do fato de que o rapper aparece distribuindo dinheiro pelas ruas de Miami, na Flórida, no clipe. Mesmo destaque pode ser dado aos já icônicos clipes de "Alright" e "Humble", de Kendrick Lamar, ou ao que Taylor Swift — goste você dela ou não — tem feito com seus vídeos desde "Blank Space" em 2014.

Os videoclipes nunca morreram por completo, mas, este ano, chegaram a um patamar igual ou ainda maior do que quando estiveram no auge, nos anos 1980 e 1990. O sucesso da faixa não é o que necessariamente determina como será ou o orçamento de um vídeo. Em 2018, videoclipes não existem apenas para manter uma conversa sobre determinado artista ou banda. Cada filme é fundamental para andar ou voltar casas no jogo da indústria.

O que dizer de Childish Gambino e "This Is America”? Não é que Donald Glover não tivesse uma carreira já frutífera no universo musical antes do clipe, mas a polêmica em torno de como a faixa foi apresentada em imagens o colocou entre os principais nomes da música americana da atualidade. O vídeo já ultrapassou a marca de 400 milhões de visualizações no YouTube.

Com o streaming em alta, o retorno trazido pelas bilhões de reproduções de vídeos de grandes artistas - e sua movimentação não só no YouTube, mas em redes sociais como o Instagram ou o Twitter - tem se tornado um dos focos de investimento da indústria. Ano passado a "Billboard" estimou que dois vídeos de "Shape of You", de Ed Sheeran, renderam mais de US$ 4 milhões de lucro para a gravadora do astro britânico apenas via YouTube.

Se alguém um dia pensou que a era dos videoclipes havia se encerrado, pensou errado. Ela possivelmente nunca esteve tão forte.

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