Alma de Batera: músico e pedagogo ensina bateria a deficientes
Inspiração

Alma de Batera: músico e pedagogo ensina bateria a deficientes

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Um par de baquetas e uma vontade de transformar vidas. Paul Lafontaine estava acostumado a tocar bateria na noite paulistana quando, em 2006, deixou o trabalho na boemia de lado e se tornou voluntário. A princípio, a atitude solidária seria só até encontrar um novo emprego remunerado. No entanto, a aproximação com filantropia fez despertar nele a vontade de trilhar esse caminho de uma forma mais concreta. Por conta disso, iniciou o curso de Pedagogia para trabalhar com inclusão. O que ele nunca imaginou é que conseguiria juntar a paixão pela música e o trabalho como voluntário em um projeto só. Foi assim que surgiu o Alma de Batera.

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"Eu queria entrar em alguma instituição como estagiário para depois ficar de vez, só que ninguém me chamava. No começo de 2008, meu professor de bateria me procurou para dizer que tinha quatro alunos deficientes para me indicar. Quando ele falou isso, eu quis na hora. Nunca pensei em juntar os dois mundos", conta o baterista, em entrevista ao Reverb. A ideia para o nome veio quando o projeto já estava no segundo ano e foi fruto de uma reflexão sobre dons e talentos.

"Tem um significado muito grande porque os alunos, mesmo aqueles com muita dificuldade de tocar bateria, têm isso na alma. Eles tocam com o coração, com o brilho nos olhos. Eles podem não ter condição cognitiva, física, mas têm alma de baterista independente da limitação", afirma o músico. Nas aulas, ele tem a ajuda de um professor voluntário e está montando um material digital para capacitar outros professores a darem aulas. Paul também está em fase de análise de propostas de investidores para fazer a ONG crescer ainda mais. 

A vontade do músico era que o projeto fosse visto como um curso de educação musical e não como uma espécie de reabilitação. Quando a oportunidade surgiu, ele decidiu arriscar. No início, tinha apenas os tais quatro alunos indicados pelo professor. No final do ano, o número já havia mais que dobrado. A organização atualmente conta com 12 alunos e mais de 50 entre os que já passaram por ela. Desde 2010, o projeto foi aprovado em um edital da prefeitura de São Paulo e o Alma de Batera ganhou asas. 

Dedé, um dos alunos do 'Alma de Batera' / Foto: Alírio de Castro / Divulgação
Dedé, um dos alunos do 'Alma de Batera' / Foto: Alírio de Castro / Divulgação
 Os alunos, mesmo aqueles com muita dificuldade de tocar bateria, têm isso na alma. Eles tocam com o coração, com o brilho nos olhos 

"A lista de espera tem 50 pessoas. A gente está correndo atrás de um local para termos um espaço próprio, mas temos dificuldade com relação ao patrocínio", explica Paul. Na metodologia de trabalho, não há um caminho específico para cada tipo de deficiência, mas o músico e pedagogo procura adaptar os métodos para atender cada um de seus alunos. 

Por dar tanta atenção às necessidades específicas de cada um, Paul sensibiliza seus alunos e familiares. Em 2009, ao parar de receber apoio financeiro de uma instituição que o ajudava, Paul pensou em desistir do projeto. Mas encontrou em Ney, um de seus pupilos, o incentivo que precisava.   

"O Ney foi um dos meus primeiros alunos com síndrome de Down. Quando virou 2009 e eu estava sem nenhum aluno, só com ele, eu pensei que não ia dar mais certo e decidi parar com o trabalho. No dia que eu estava decidido a falar pra mãe dele que eu não ia continuar com as aulas porque eu precisava trabalhar com outra coisa, o Ney me abraçou e falou 'Paul, você é o melhor professor do mundo'. Então enquanto eu impactar a vida de alguém da forma que eu impactei a vida do Ney, eu vou continuar dando aula”.  

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