Anitta, Iza, Ludmilla... O que o YouTube tem a ver com a ascensão das novas divas pop do Brasil?
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Anitta, Iza, Ludmilla... O que o YouTube tem a ver com a ascensão das novas divas pop do Brasil?

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Adele, Lily Allen e até os Arctic Monkeys foram 'descobertos' no finado MySpace. Revelações da música atual, como o jovem Lil Nas X, pipocaram diretamente do aplicativo Tik Tok. Mas nenhuma plataforma da internet é tão definitiva quanto o YouTube, onde surgiram os gringos Justin Bieber e The Weeknd, assim como muitos brasileiros, de Luan Santana, até Luisa Sonza, Anitta, Ludmilla e Iza.

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A plataforma de vídeos da Google é sucesso no país como em nenhum outro do mundo, segundo Zach Fuller, analista sênior do MIDiA Research. Os números, divulgados em reportagem da revista americana "Billboard", evidenciam essa afirmação de forma gritante. Em 2018, 79% dos acessos de brasileiros no YouTube foram através de clipes e músicas. Em comparação à média global, de 44%, é possível avaliar como nosso povo é obcecado pelo serviço.

Ainda em 2018, 65% dos brasileiros acessaram o YouTube por semana à procura de músicas, enquanto 30% utilizou o Spotify. Na média mundial, esses números caem para 46% e 17%, respectivamente. Leo Morel, diretor de marketing da plataforma iMusic, considera o YouTube o "maior competidor das empresas de streaming no Brasil". "A marca tem reconhecimento global e é totalmente gratuita", afirmou ele à "Billboard".

Ludmilla, ex-Mc Beyoncé, tem 4,9 milhões de seguidores no YouTube/Reprodução/Instagram
Ludmilla, ex-Mc Beyoncé, tem 4,9 milhões de seguidores no YouTube/Reprodução/Instagram

Por ser o principal meio de acesso a músicas para boa parte dos brasileiros, o YouTube despertou o interesse de caças-talento de gravadoras. Um deles é Sergio Affonso, presidente da Warner Music Brasil. O executivo dedica ao menos uma hora de seu dia na plataforma para encontrar a "nova Anitta". "Passo muito tempo procurando talentos no YouTube", disse ele à "Billboard". "Olho para os artistas com o maior número de views, e também para aqueles que se identificam com a minha marca e têm talento."

Foi assim que ele encontrou Ludmilla (atualmente, com 4,9 seguidores em seu canal), antes conhecida como MC Beyoncé, e Iza (com 2,3 followers), que gravava covers de suas artistas favoritas no YouTube. O caminho para encontrar Anitta (seguida por 12 milhões de pessoas) foi um pouco diferente, mas também passou pela plataforma, afinal, ela começou a chamar atenção dos produtores da Furacão 2000 por gravar vídeos rebolando e cantando. Assim, ela foi galgando o sucesso e acabou se tornando a estrela internacional que é hoje.

Para além da função "ajudar a descobrir revelações da música", o YouTube também ajudou a "reposicionar a marca" de alguns artistas brasileiros já estabelecidos no mercado. Foi assim, por exemplo, com o Jota Quest. Em 2018, a banda trabalhou com 20 youtubers, chamados para reinterpretar os clássicos do grupo em vários estilos. A ideia surtiu efeito e atraiu a atenção de novos fãs, de outras faixas etárias. 

"Crescemos em uma época em que só havia uma forma de trabalhar: você lançava um álbum, depois promovia, fazia turnês, lançava novas músicas e daí começava um novo disco", observou o vocalista do Jota Quest, Rogério Flausino. "Agora, tudo mudou. Você pode alcançar o sucesso de outras maneiras, com mais plataformas. Os cantores revelados no YouTube são um exemplo disso."

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