Aos 103 anos, Vera Lynn, a cantora que encorajou tropas inglesas na 2ª Guerra, tem nova mensagem emocionante
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Aos 103 anos, Vera Lynn, a cantora que encorajou tropas inglesas na 2ª Guerra, tem nova mensagem emocionante

Em meio a tantas mensagens positivas que famosos e anônimos vêm mandando pela web, uma foi particularmente emocionante. Vera Lynn, que carrega o título "Dame" — a honra das ordens de cavalaria do Reino Unido — desde 1975, lançou um vídeo e mandou mensagens encorajadoras para todos que estão sofrendo com a pandemia do coronavírus. A cantora, que se apresentou para tropas britânicas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), completa 103 anos nesta sexta-feira (20/3).

Dame Vera, nascida em East Ham, em Londres, ganhou popularidade ao fazer shows para as tropas durante a guerra em países como Egito, Índia e Birmânia. Suas músicas mais conhecidas são "We'll Meet Again", "The White Cliffs Of Dover", "A Nightingale Sang in Berkeley Square" e "There'll Always Be an England". Agora, ela volta a ser inspiração, clamando todo o país a encontrar 'momentos de alegria' em tempos difíceis.

A "Sweetheart das Forças" lançou um vídeo para marcar seu aniversário de 103 anos. Com a música que virou referência de suas apresentações na época, "We'll Meet Again", ela aparece numa imagem sépia, de arquivo, cantando. Ao final, a narração que fez de sua casa especialmente para o vídeo, manda o tocante recado: "Keep smiling and keep singing" ("Continum sorrindo e continuem cantando").

"Estamos enfrentando um momento muito desafiador no momento e sei que muitas pessoas estão preocupadas com o futuro. Estou muito encorajada ao ver que, apesar dessa luta, vemos as pessoas se unindo. Elas estão se apoiando, oferecendo assistência aos idosos, enviando mensagens de apoio e cantando nas ruas. “A música é tão boa para a alma e, durante esses tempos difíceis, todos devemos ajudar um ao outro a encontrar momentos de alegria. Continue sorrindo e continue cantando", escreveu ela em seu canal oficial do Youtube.

O texto chama a atenção para a mensagem da canção composta por Ross Parker e Hughie Charles que, infelizmente, soa bem atual. "Originalmente gravada em 1939, 'We'll Meet Again' é um dos hits mais memoráveis e estimulantes que sustentaram a moral os britânicos durante os anos de guerra. As palavras são tão comoventes hoje como sempre, com o 'distanciamento social' e isolamento — uma mensagem que permanece a mesma para todos".

Dame vera em 1943 em Londres, quando cantou na campanha "Salvage Week". Foto: Getty Images
Dame vera em 1943 em Londres, quando cantou na campanha "Salvage Week". Foto: Getty Images

Em outra mensagem divulgada na quarta-feira (18/3), Vera Lynn conclamou o país a se unir e superar o coronavírus. "Em todo o mundo as pessoas estão enfrentando tempos extremamente complicados. É provável que todos tenhamos que tomar decisões difíceis nos próximos meses. Lembro-me da Segunda Guerra Mundial, quando nosso país enfrentou os tempos mais sombrios e, apesar de tudo, se uniu para o bem comum. Mesmo se estivermos isolados, ainda podemos nos unir em espírito. Como a guerra nos mostrou há muitos anos, somos mais fortes do que pensamos e, por mais desesperador que possa parecer, lembre-se de que ainda podemos ser gentis, ainda podemos rir ... e ainda podemos cantar”, disse a cantora.

Sobre seu aniversário, Vera diz estar muito feliz em chegar aos 103. "Agradeço a todos pelos gentis presentes, cartões e gestos que recebi e também a generosidade em relação ao meu fundo de caridade. Me preocupo muito com esse trabalho e as doações recebidas em meu aniversário são o melhor presente que se pode imaginar”, destaca ela, referindo-se à Dame Vera Lynn Children's Charity, que criou em 2001.

Aos 92 anos, ela se tornou a artista viva mais velha a liderar a parada de álbuns do Reino Unido, com sua coletânea "We’ll Meet Again: The Very Best Vera Lynn", de 2002. Além de várias honrarias oficiais, Vera teve referências e homenagens no meio artístico. O álbum "The Wall" (1979), do Pink Floyd, traz a faixa "Vera", referindo-se à cantora e seu sucesso: "Does anybody here remember Vera Lynn?/ Remember how she said that/ We would meet again/ Some sunny day?" ("Alguém aqui se lembra de Vera Lynn?/ Lembra como ele disse/ Que nós nos encontraríamos de novo/ Num dia de sol". O grupo ainda usou "We'll Meet Again" como introdução às performances ao vivo da turnê em 1980 e 1981 e a canção "The Little Boy that Santa Claus Forgot" no início do filme "Pink Floyd - The Wall" (1982).

Em seu álbum de 2018 "Would You Still Be In Love", o cantor americano Anthony Green lançou a música "Vera Lynn", uma referência às canções "We'll Meet Again" e "A Nightingale Sang In Berkeley Square".

Dame Vera foi inspiração também no cinema. Em "Dr. Fantástico", filme de 1964 de Stanley Kubrick, a cena final que mostra várias explosões nucleares é embalada por "We'll Meet Again". Em um desfecho um pouco menos trágico, "Kong: A Ilha da Caveira", de 2017, a mesma música marca a cena em que os sobreviventes da missão escapam da ilha.

A homenagem mais recente veio do meio das artes plásticas. Em janeiro, o pintor Ross Kolby apresentou um retrato da cantora, que ficará em exibição permanente no Royal Albert Hall, local onde se apresentou 52 vezes de 1937 a 2006.

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