Aos 70 anos, Toody Cole mantém vivo o legado do Dead Moon, banda cult amada por Dave Grohl
Inspiração

Aos 70 anos, Toody Cole mantém vivo o legado do Dead Moon, banda cult amada por Dave Grohl

Em 1987, um casal de Portland, cidade do estado americano Oregon, decidiu começar uma banda. Um detalhe interessante sobre este casal: naquela época, eles estavam com seus 40 e poucos anos, tinham filhos para cuidar e uma loja de instrumentos musicais de má qualidade para administrar. Estes dois "loucos" eram Fred Cole (1948-2017) e Toody Cole, única integrante viva do Dead Moon, que também contava com o baterista Andrew Loomis (1963-2017).

Mesmo sem os companheiros de banda, considerados seus "grandes parceiros da vida", Toody continua a manter vivo o legado do Dead Moon. Ela, entretanto, não quer mais saber de tocar baixo. É uma das poucas coisas do passado que deixou para trás, porque sua casa e memória são repletas de lembranças do ex-marido e dos tempos em que viajavam em turnê e faziam shows para poucos gatos pingados pelos EUA. Já na Europa era diferente. A galera compreendia o som daquele grupo punk totalmente independente, pilhado em fazer coisas cruas, extremamente visceral.

Em uma das raras entrevista recentes que concedeu, Toody conversou com um repórter da "Billboard". Ela abriu o baú de memórias, contou sobre o tempo em que ela e Fred viveram no Canadá no estilo narrado no filme (e livro) "Na Natureza Selvagem" ("Into The Wild") — o ex-marido de Toody chegou a matar um urso com uma arma —, convidou o jornalista para visitar a lápide de Andrew Loomis em um cemitério em Portland, revelou antigas tradições da banda — como colocar uma vela acesa na parte de baixo de uma garrafa de Jack Daniel's e terminar o show apenas quando ela acabasse —, e passeou de carro com o repórter pelo centro de Portland, onde novos edifícios substituíram picos lendários, como o Satyricon, considerado o CBGB (meca do punk de Nova York) da costa oeste.

O Dead Moon, apesar de ser uma daquelas bandas cult que ninguém nunca ouviu falar, é considerado um dos punks mais importantes para a cena musical de onde também saiu o Nirvana, o Pearl Jam, Alice in Chains, e outros. O próprio Dave Grohl já admitiu que a melhor coisa de Portland é o Dead Moon. Quem somos nós para discordar?

Certa vez, eles quase abriram um show para o Nirvana, mas acabaram desistindo e rumaram até a Nova Zelândia, onde fizeram uma pequena turnê. Perguntada sobre a decisão, Toody acredita que a fama da banda não teria aumentado de qualquer maneira. "Sinceramente, não teria mudado nada", avaliou ela. "Nós nunca pensamos em ser o Nirvana ou algo desse tipo, honestamente."

A ideia era manter o Dead Moon pequeno, com sua pequena, mas fiel base de fãs, que continua a se renovar, principalmente com relançamentos de discos da banda anterior de Toody e Fred, os Rats. Quando a Mississippi Records entrou em contato com Toody, mostrando interesse no repertório de suas bandas, ela ficou apreensiva. Achou que o material não teria valor e iria afundar a gravadora em dívidas. A baixista, no entanto, estava errada. Os discos venderam relativamente bem, mais ainda do que na época em que foram lançados originalmente.

Com seu "time fora de campo", Toody, agora com 70 anos, pensa que, se seguir a tradição das mulheres de sua família, ainda vai viver muitos anos. E o que ela espera fazer até a hora de dizer adeus? "Estou saudável, forte e aproveitando a vida, mesmo sem Fred. Ainda tenho muitos planos e coisas que quero fazer. Pretendo visitar o lugar onde vivi com Fred no Canadá. Será a primeira vez que volto lá em 50 anos", contou ela, que hoje se diverte vendo seus fãs envelhecerem. "É minha revanche, né? Eu sempre fui a tiazona da época. E hoje vejo as fotos do passado e penso: 'Nossa, como eu era jovem'."

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