Ariana Grande: ‘7 Rings’ rende uma fortuna a herdeiros de Rodgers & Hammerstein, autores das canções de ‘A Noviça Rebelde’
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Ariana Grande: ‘7 Rings’ rende uma fortuna a herdeiros de Rodgers & Hammerstein, autores das canções de ‘A Noviça Rebelde’

Foi surpreendente quando foi revelado que 90% dos royalties das composições em "7 Rings", o hit número 1 em 2019 de Ariana Grande, foram parar nas mãos — ou melhor, cofres — dos titãs do teatro musical Richard Rodgers (1902-1979) e Oscar Hammerstein II (1895-1960). Como a música de Ariana tem a melodia de "My Favorite Things", do musical "A Noviça Rebelde", de 1959, Rodgers e Hammerstein também foram creditados como compositores. Os sete outros parceiros que assinaram a canção com a intérprete dividiram os 10% restantes.

"7 Rings" foi tocada mais de 570 milhões de vezes nos Estados Unidos, tornando-se a quarta música mais consumida do ano no país. “Quando as coisas acontecem, como a música de Ariana, falamos sobre o quão bom isso pode ser para Rodgers e Hammerstein, para 'My Favorite Things' e 'The Sound of Music', tudo em um só conjunto. Quando as coisas são feitas de uma maneira respeitosa e adequada — ou até mesmo de uma forma nova e louca —, estamos sempre abertos a isso”, diz Bill Gaden, presidente da Concord Music Publishing na América do Norte, à "Variety".

Essa abertura levou a uma enxurrada recente de sucessos para a R&H, começando com a produção da Broadway "Oklahoma!" em abril. O musical de 1943 teve várias adaptações em 2018 — seu 75º ano — incluindo uma versão gay no Oregon Shakespeare Festival, uma encenação afro-americana em Denver e a interpretação moderna de Daniel Fish.

As músicas de Rodgers e Hammerstein viraram standards de jazz, chegaram a vários comerciais, foram gravadas em raps e foram temas de programas de TV que variam de novelas de época a séries de ficção científica. “Eu digo que continuamos passando metade do dia protegendo o valor dessas músicas incríveis nos musicais e metade do dia explorando-as quando apropriado”, diz Gaden, que supervisionou a R&H por 14 anos ao lado de Ted Chapin, presidente da R&H por quase 40 anos. "É engraçado ver o vem e vai da popularidade de uma música na publicidade. Quando recebemos muitas solicitações de ‘Getting to Know You’ há um ano e meio, olhamos para trás e percebemos que ela não entrava em um anúncio há anos”, observa.

Rodgers e Hammerstein criaram sua empresa em 1943 para publicar seu trabalho e licenciar os shows da dupla. Eles também adquiriram materiais musicais de outros compositores. A organização detém quase 400 shows e obras de escritores como Irving Berlin e Lin-Manuel Miranda. Gaden observa que “o brilho de Rodgers e Hammerstein é que nunca venderam nada. Portanto, temos total controle, aprovação e a capacidade de criar novas oportunidades, tudo internamente. É algo realmente raro", explica.

Rodgers & Hammerstein escreveram apenas 11 musicais entre 1943 e 1959, mas essas canções sobrevivem através de regravações, anúncios, na TV e no palco. Veja alguns exemplos:

"Oklahoma!", que ganhou o Tony de melhor remontagem de musical, encerrou temporada no dia 19 de janeiro na Broadway e embarcará em turnê. A Skydance Television, de David Ellison, está desenvolvendo uma série de TV usando os personagens e a música de "Oklahoma!"

Dois rappers de destaque criaram músicas em cima de composições de R&H: "I Said Me", de 2 Chainz, usa um trecho de “My Favorite Things” e "Zanies and Fools", de Chance The Rapper, incorpora “Impossible/It’s Possible”, de "Cinderela".

As músicas de R&H apareceram nas últimas temporadas de "Watchmen", "This Is Us", "Fresh off the Boat", "Younger", "Chilling Adventures of Sabrina", "The Orville" e "Four Weddings and a Funeral".

Este ano, os anunciantes se apaixonaram por “Getting to Know You”, de “The King and I”. Um anúncio da Toyota usou a versão de Julie Andrews; a empresa Cisco colocou funcionários para cantar a música e promover soluções para computadores; e o Airbnb veiculou uma propaganda com a balada cantada por Doris Day.

O que é peculiar na trajetória de "My Favorite Things" é que, antes de ganhar uma versão popular definitiva, na voz de Julie Andrews, mostrada no filme "A Noviça Rebelde", em 1965, uma gravação do tema já havia entrado para o cânone das mais importantes faixas do jazz. O saxofonista John Coltrane (1926-1967) a registrou no Atlantic Studios, em Nova York, em outubro de 1960, apenas um ano depois que a canção havia estreado na Broadway. A faixa acabou dando nome ao sétimo álbum de Coltrane, lançado em 1961, e estourou também como single.

A gravação histórica traz McCoy Tyner no piano, Elvin Jones na bateria e Steve Davis no baixo, com Coltrane assumindo o sax soprano, uma novidade em sua carreira discográfica, em tempo de valsa. Segundo Tyner, ele decidiu gravar a música depois de ter se impressionado com a partitura. Mas o tratamento que deu ao arranjo fez toda a diferença, incorporando escalas indianas de raga que havia aprendido com Ravi Shankar e utilizando uma estrutura pouco usual.

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