‘Arlequina’: quando a trilha pop é a super-heroína que tenta salvar o filme
Na Trilha do LEÃO

‘Arlequina’: quando a trilha pop é a super-heroína que tenta salvar o filme

Às vezes, quando um filme quer parecer “descolado” ou moderninho (termos horríveis!), os produtores apelam para uma trilha que mantenha as pessoas interessadas, caso ele seja uma bomba. Parece ser o caso em “Arlequina em Aves de Rapina” (novo nome de “Aves de Rapina: Arlequina em Sua Emancipação Fantabulosa”; tiveram de mudar para chamar atenção do público, já que fracassou no lançamento nos Estados Unidos. Aqui não, foi muito melhor). O lance é criar cenas com edições rápidas — que pareçam clipes — e tascar música boa/bacana. Nem sempre funciona. Neste caso ajudou um pouco nos momentos mais entediantes.

A trilha de “Birds of Prey: And the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn” (no original) é muito melhor do que o filme. Numa de suas mais empolgantes cenas (a única, na verdade, passada dentro de uma casa de espelhos de um parque de diversões), eles usam o clássico da banda americana Heart, “Barracuda” — que, nos tempos em que este escriba era guri, tocava com frequência nas rádios (nem existia o conceito de “rádio rock”, era na pop Mundial mesmo, no AM). A banda das irmãs Ann e Nancy Wilson (esta última, foi casada um bom tempo com o diretor de cinema Cameron Crowe, aquele ex-jornalista da revista “Rolling Stone”, que fez o ótimo “Quase Famosos”) até hoje, é conhecida por aqui, por conta dessa música. Contudo, jamais vieram tocar no Brasil.

Jurnee Smollett-Bell, Rosie Perez, Mary Elizabeth Winstead, Margot Robbie and Ella Jay Brasco no lançamento do filme 'Arlequina'/ Foto: Matt Crossick (Getty)
Jurnee Smollett-Bell, Rosie Perez, Mary Elizabeth Winstead, Margot Robbie and Ella Jay Brasco no lançamento do filme 'Arlequina'/ Foto: Matt Crossick (Getty)

E tem muito mais músicas bacanas na trilha do filme da espevitada Arlequina (que é interpretada, com o pé nas costas, por Margot Robbie, um pouco diferente da que foi mostrada no horroroso “Esquadrão Suicida”, onde só a presença dela salvava, daí ter ganhado esse filme quase solo): a versão original de “Love Rollercoaster”, do Ohio Players (que foi “coverizada” pelos Red Hot Chili Peppers, nos anos 90, para a trilha do filme “Beavis e Butt-Head Detonam a América”); “Collage”, das Three Degrees; “I Hate Myself For Loving You”, de Joan Jett & the Black Hearts, petardo certeiro em pistas de rock. Curiosamente, uma das atrizes, a que faz a personagem Canário Negro, Jurnee Smolett-Bell, manda no gogó a belíssima “It’s A Man’s Man’s Man’s World” , de James Brown. É um dos únicos momentos memoráveis do filme. E ela nem é cantora profissional. Mandou bem.

Mas tem coisas mais recentes também no cardápio destas Aves de Rapina “lacradoras”, como se diz. Como duas cantoras pop do momento: Halsey (com “Experiment On Me”, que parece aquele tipo de punk rock dos anos 1990) e Ke$ha (com “Woman”, que tem uma pegada Amy Winehouse no arranjo — e feat. dos metais dos Dap-Kings). Além de uma versão dance para o hit “Heads Will Roll”, dos Yeah Yeah Yeahs — da magnífica líder vocal Karen O —, que andam meio sumidos.

Contudo, nada disso transforma “Aves de Rapina” (que, já tiveram série de TV), num filme mais palatável. Apenas nos faz aguentar melhor a coisa toda. Que seria bem mais interessante, se deixassem Harley Quinn (uma brincadeira com o nome verdadeiro da personagem, Harleen Quinzel, que se veste qual colombina), ser psicótica e violenta. Como é o personagem, originalmente criada para “Batman, The Animated Series”, por Bruce Timm e Paul Dini, nos anos 1990. Nem mesmo a citação a Marilyn Monroe, num delírio da maluquinha, copiando “Diamonds Are A Girl’s Best Friend” (do filme “Os Homens Preferem as Louras”), salva. Até Madonna já fez melhor, no clipe de “Material Girl”. No fim, “Arlequina” rende melhor como fantasia de carnaval do que como filme.

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