Artista curitibano cria músicas a partir de fotos do Instagram
Criatividade

Artista curitibano cria músicas a partir de fotos do Instagram

“A música é emoção que se ouve. Com ela, é possível traduzir em sons qualquer imagem, sentimento, cor, lembrança… Tudo é musicável". É isso que diz o jornalista e músico curitibano Bruno Vieira Brixel, de 23 anos, no manifesto do seu projeto autoralAnd Still I Hear It” - algo como “de alguma forma, eu ouço”, em português. A partir de fotos postadas no Instagram, Bruno compõe músicas que conectam as imagens aos sons e cria experiências sinestésicas estonteantes.

O perfil do “Asihi”, abreviação e @ do projeto no Insta, libera uma melodia por semana e surgiu a partir dos hábitos de Bruno de sempre criar playlists para situações específicas e de tentar encaixar canções em momentos do próprio cotidiano. “Eu sempre tive uma pequena obsessão em associar imagens, momentos e sentimentos a músicas”, diz o artista, que foi criado em um ambiente muito musical por conta das coleções de vinis e CDs dos pais.

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“Sempre achei incrível a capacidade que o som tem de ressignificar momentos e imagens - seja no cinema, seja na vida real”, ele conta. “Até que um dia, enquanto estava gastando um tempinho no Instagram, me deparei com uma foto que automaticamente me remeteu a uma melodia”. A partir daí, Bruno começou a salvar várias fotos que causavam a mesma sensação e amadureceu a ideia até começar a fazer as trilhas.

Sempre achei incrível a capacidade que o som tem de ressignificar momentos e imagens - seja no cinema, seja na vida real

O processo de escolha do que se tornará música é bem subjetivo, segundo Bruno. “Tem algumas fotos que eu escolho por terem uma atmosfera meio cinematográfica, como se fossem um frame congelado de algum filme”, ele diz. “Outras eu escolho simplesmente por transmitirem algum sentimento específico para mim, como melancolia, nostalgia, saudade, alegria ou euforia”.

“O mais importante sempre é traduzir o sentimento que a foto transmite, sem isso não há música que funcione”, ele explica. Para compor “From Now On” - canção encomendada como presente de casamento -, Bruno se baseou nos elementos visuais da foto e em mais algumas outras referências, como em músicas da banda favorita da noiva, a Interpol. “Para fazer isso, eu também tenho usado muitos elementos “não-musicais”, como sons de cidade e de mar, para criar texturas e ambientes sonoros diferentes”, ele diz.

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Dependendo da imagem, Bruno segue a própria intuição ou pesquisa ainda mais a fundo antes de criar a música, como foi o caso da canção “10”. “Eu queria fazer uma música dentro da tradição folclórica japonesa, que transmitisse uma sensação de festividade e leveza, uma canção de celebração”, ele explica. “Pesquisei diferentes instrumentos e escalas da música oriental e fui testando diferentes combinações entre elas até chegar em algo que passava essa sensação que eu buscava”.

Cada post do perfil do “And Still I Hear It” vem com uma legenda ou texto escrito pelo autor da fotografia - que geralmente é alguém que Bruno já segue no Instagram - e é ainda mais um bônus para a construção da atmosfera da obra. O projeto acabou servindo como desafio criativo e profissional para Bruno, que planeja transformar o “Asihi” em algo material no futuro, como uma exposição interativa, instalação, show ou worksop. “Só sei que é um processo muito gratificante quando eu junto texto, imagem e música e aquilo tudo faz sentido”, conta o artista que se diz influenciado por Lenine, Radiohead, Milton Nascimento, Cícero e Frank Ocean.

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