Artista esculpe piano baseado nas escolhas da vida; entenda
Criatividade

Artista esculpe piano baseado nas escolhas da vida; entenda

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A obra de madeira esculpida pelo artista Daniel Herthel é tão perfeita que parece de mentira. Um falso piano acoplado a um “equalizador” de sentimentos, emoções e comportamentos. A harmonia obtida por essas escolhas de equalização resultaria no “som” imaginário de como escolhemos viver os nossos dias. Complexo? Talvez, mas, longe do campo das ideias, uma linda peça de marchetaria com lâminas naturais de madeira e goma laca - uma espécie de verniz - sobre compensado naval. 

A peça respira filosofia e poesia. Desde o nome - “tabula rasa” - até às inscrições presentes nela. São antônimos como “graciosa e tosco”, “elegante e deselegante” nos botões deslizantes da equalização; “incapaz”, “escasso” e “barato”, nas teclas do piano; ou “selecto”, “enérgico”, “inerte” e “vulgar” nos botões giratórios. As escolhas da vida, somados todos esses aspectos sincronizados, produziriam o aquilo que “ouvimos” do que somos. 

“Neste instrumento o ‘som’ produzido é o resultado dos valores que escolhemos”, explica o artista, em entrevista ao Reverb, “valores estes que vão desde os úteis, passando pelos lógicos, estéticos, morais até os espirituais. Suas posições nos controles seguem ordens variadas, mas em sua maioria são postos em pontos antagônicos tendo os valores espirituais sugeridos por válvulas e circuitos incontroláveis manualmente e os outros, abaixo, com opções de escolha”, completa. 

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O nome vem da ideia de “tábula rasa” da Roma Antiga: uma espécie de bloco de anotações, uma placa de madeira coberta por uma camada de cera em que a escrita era feita por meio de arranhões e incisões. Para se apagar os escritos, se raspava a cera, o que cunhou o termo - como uma espécie de folha em branco. “O termo foi sendo reutilizado ao longo do tempo por alguns filósofos como a metáfora de que produzimos conhecimento apenas por meio da experiência e das diversas escolhas que  fazemos com base nesse exercício”, explica. 

Herthel é artista natural de Barbacena, em Minas Gerais, mas mora em Belo Horizonte desde 2003 quando se mudou para estudar Belas Artes na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ele conta que, desde que entrou na faculdade, desenhou dia e noite nos primeiros anos até ter sido apresentado a um um workshop de "mecânica para artistas" dado por Guto Lacaz. Anos depois, os dois já participaram de exposições juntos. 

Depois da experiência, Daniel não hesitou e decidiu se graduar em escultura. “Trabalhei desde então em diversas áreas artísticas  como cinema de animação, cenografia, desenho, escultura e sempre tive o trabalho em madeira como um veículo destas experiências”, conta ele sobre sua trajetória.  

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