Artistas da Alemanha exigem que gravadoras paguem mais por  streaming
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Artistas da Alemanha exigem que gravadoras paguem mais por streaming

Uma associação que reúne os maiores empresários de música da Alemanha já entrou em contato com as principais gravadoras, como Universal, Sony, Warner e BMG, exigindo uma fatia maior do crescente negócio de streaming do país.

O momento é revelador. Até 2018, a Alemanha, como o Japão, estava nadando contra as tendências globais ao se apegar a um mercado de CDs relativamente desafiador: em 2017, o International Federation of the Phonographic Industry relatou que as vendas físicas representavam 40,6% do mercado de discos alemão, enquanto o streaming manteve-se em 25,5%. Em 2018, no entanto, a ordem mudou, pois as vendas físicas caíram para 35%, enquanto o streaming ultrapassou os 37%.

A partir de 2018 as vendas físicas caíram e o streaming utrapassou os 37% do mercado de discos alemão. Foto: Getty Images
A partir de 2018 as vendas físicas caíram e o streaming utrapassou os 37% do mercado de discos alemão. Foto: Getty Images

Agora que o streaming já é o maior gerador de renda musical gravada lá, os empresários alemães não querem ficar no prejuízo de contratos firmados antes do boom digital. A questão, neste caso, não são as taxas de royalties pagas pelos serviços de streaming e se elas podem ser mais altas, mas o quanto dessa receita as próprias gravadoras estão retendo.

Empresários e advogados de grandes artistas, incluindo Rammstein, Die Toten Hosen e Helene Fischer, querem encontrar com representantes das gravadoras de Berlim para discutir isso. A Warner já disse que não pode participar devido a questões antitruste, mas um porta-voz da BMG disse que eles acolhem "essa tentativa de destacar algumas das iniquidades do contrato tradicional de gravação", acrescentando que o setor precisa de "uma abordagem sensata e é hora de as gravadoras mudarem".

Till Lindemann, do Rammstein - banda é uma das que lutam por mais royalties de streaming. Foto: Getty Images
Till Lindemann, do Rammstein - banda é uma das que lutam por mais royalties de streaming. Foto: Getty Images

Annabella Coldrick, diretora executiva do Music Managers Forum (MMF) no Reino Unido, acredita que isso pode levar a mudanças na Alemanha e ter um efeito dominó em outros lugares — mas apenas até certo ponto. Como esses são artistas importantes que envolvem empresários de peso, ela acredita que provavelmente eles intermediarão contratos individuais que serão abafados por acordos de não divulgação. “Artistas individuais já contestaram seus contratos e acordos individuais acabam sendo feitos, para que nunca tenhamos o precedente de mudanças por atacado”, diz ela.

A diretora do MMF diz que nunca houve uma anistia para lidar com contratos desatualizados e que ouve ecos de tentativas no Reino Unido de um acordo pan-industrial sobre transparência e remuneração mais justa há meia década.

Os empresários de outros mercados têm batido nessa tecla há anos, com o MMF chegando a publicar um guia de transparência em 2017, dizendo a seus membros o que buscar em negócios digitais. E, no entanto, o sigilo garante que tudo permaneça embaçado.

Por um tempo, os serviços de streaming foram alvo de músicos (como Thom Yorke e Taylor Swift) buscando uma parcela maior de sua receita digital. Mas a chegada de interfaces como Spotify for Artists e Apple Music for Artists mudou as regras, permitindo que os músicos rastreiem com precisão o quanto seu trabalho está sendo tocado e onde isso está acontecendo.

Taylor Swift já criticou o Spotify e a Apple por causa dos pagamentos de streaming. Foto: Getty Images
Taylor Swift já criticou o Spotify e a Apple por causa dos pagamentos de streaming. Foto: Getty Images

Agora as gravadoras devem fazer mais do que ser transparentes. No ano passado, a Sony adicionou o rastreamento de royalties em tempo real ao seu portal, enquanto a Universal lançou o aplicativo Universal Music Artists para artistas e empresários, oferecendo a eles dados semelhantes aos fornecidos pelos serviços de streaming.

O streaming ajudou a aumentar novamente as receitas globais de música gravada a partir de 2015, após um declínio acentuado nos anos 2000. Embora os empresários cobrem mudanças por uma parcela maior desse crescimento, a preocupação é que o barulho aconteça em público, mas os acordos sejam feitos por trás de portas fechadas e nada mude. Transparência pode ser o termo de interesse da indústria, mas se apenas os maiores artistas se beneficiarem, é tudo apenas aparência.

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