As 10 melhores biografias de astros do rock com tradução em português para ler durante a quarentena
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As 10 melhores biografias de astros do rock com tradução em português para ler durante a quarentena

A revista "Rolling Stone" organizou uma lista com 50 biografias de importantes figuras do rock mundial. Infelizmente, muitos desses lançamentos ainda não têm tradução em português.

Separamos 10 livros mais interessantes que ganharam edições nacionais - ainda que alguns tenham chegado por aqui anos depois do lançamento original. Escolha alguns para saber mais sobre seus artistas preferidos durante esse tempo de quarentena:

Anthony Kiedis: 'Scar Tissue' (2004)

Kiedis reflete sobre sua infância, sua banda, seu tempo no Dalai Lama e suas muitas, muitas e muitas ex-namoradas. Mas o ponto alto é mesmo as relações de amor, ódio, amizade e respeito entre os integrantes do Red Hot Chili Peppers. Como a culpa de Kiedis pela morte do guitarrista Hillel Slovak (1962-1988), os conflitos com o substituto John Frusciante e a relação fraterna com o australiano Flea. Sincero, o texto percorre a trajetória de menino simples do Michigan que um dia partiu para Hollywood e encontrou “mais do que podia no final do arco-íris”. “Esta é a minha história, com cicatrizes e tudo”, diz de cara no início do livro, que só ganhou tradução no Brasil em 2018.

Capa da autubiografia do vocalista do Red Hot Chili Peppers. Foto: reprodução
Capa da autubiografia do vocalista do Red Hot Chili Peppers. Foto: reprodução

Bob Dylan —'Crônicas, Volume Um' (2004)

O talento de Bob Dylan com as palavras sempre foi evidente, mas nem mesmo seus mais ardorosos fãs poderiam esperar que ele escrevesse uma autobiografia tão intensa. O texto perpassa os fragmentos da vida do cantor, com personagens meio loucos e cenas bizarras a cada capítulo. Ao abordar seus anos na cena folk de Nova York no começo da década de 1960, ele desbanca a noção de que seria a voz daquela geração: "Eu estava mais para peão da roça do que para o flautista de Hamelin". No entanto, há uma coerência interna na narrativa, que vai dos relatos sobre a infância em Minnesota até a fase meio decadente vivida na década de 1980.

A biografia de Dylan termina nos anos 1980. Foto: Reprodução
A biografia de Dylan termina nos anos 1980. Foto: Reprodução

Bruce Springsteen — 'Born To Run' (2016)

O cantor lançou este livro de surpresa, na mesma época, aliás, que ele começou seu show na Broadway também sem muito alarde. Na primeira parte da autobiografia, Bruce Springsteen fala de sua infância em Freehold e dos primeiros encantos musicais com Elvis Presley e Beatles. E conta histórias deliciosas como quando ele e seu guitarrista Little Steven foram expulsos da Disneylândia por violarem o código de vestuário, ou quando ele canta jazz no jantar de 80 anos de Frank Sinatra (1915-1998). Bruce é capaz de analisar sua obra com franqueza e humildade, um distanciamento que muitas estrelas da música não conseguem ter de seu trabalho.

Bruce mantém o distanciamento de sua carreira na autbiografia. Foto: Reprodução
Bruce mantém o distanciamento de sua carreira na autbiografia. Foto: Reprodução

Keith Richards - 'Life' (2010)

Como muitos livros dessa lista - e mais ainda - "Life" impressiona pelo fato de ser alguém que viveu todo esse caos conseguir se lembrando de qualquer um deles. Na verdade, é difícil imaginar como um artista que carrega o rótulo de mito do rock and roll com tanta propriedade ainda pudesse escrever um livro tão bom. O livro é enorme, com 600 páginas, o que pode eventualmente se tornar um pouco cansativo. Mas há muitas histórias que valem a pena a leitura, como quando ele revela que compôs com Mick Jagger "As Tears Go By" quando o empresário os prendeu na cozinha.

Autobiografia de Keith impressiona pelos detalhes. Foto: Getty Images
Autobiografia de Keith impressiona pelos detalhes. Foto: Getty Images

Lemmy - 'White Line Fever' (2002)

Um texto repleto de sinais de exclamação e com dicas sobre como manter sua aparência jovem. Sim, essa é a autobiografia de Lemmy, o vocalista nada certinho do Motörhead. “Rir exercita todos os músculos faciais e evita que você envelheça. Olhar severo lhe dá rugas terríveis", escreve. E, quem diria, repreende quem fuma maconha: "Fumar maconha ajuda o senso de humor, mas depois de um tempo você o perde completamente e tudo o que você pode fazer é falar sobre o cosmos e qualquer merda, o que é realmente chato". Lançado no Brasil apenas em 2016, a edição traz um capítulo abrangendo a vida do artista no período posterior à publicação original, de 2002 a 2015, além de uma introdução de Lars Ulrich, do Metallica, escrita após a morte de Lemmy em 2015.

Nile Rodgers - 'Le Freak – Autobiografia do Maior Hitmaker da Música Pop' (2011)

Eis a revolução do “sexo, drogas e disco” dos anos 1970 sob o ponto de vista do compositor, produtor e guitarrista do Chic. Ele apenas mudou, permanentemente, a forma de se sentir, ouvir e dançar música. Sua vida pessoal ocupa 1/3 do livro, o que não significa que há histórias incríveis de sua trajetória profissional, como quando ele e Bernard Edwards escreveram o clássico "Upside Down" para Diana Ross, mas todos na Motown odiaram. A música teria sido vetada, se não fosse uma única pessoa a reconhecer sua potencial. "Nós tocamos para Gene Simmons, do Kiss, que estava gravando ao lado, e ele nos disse que era ótima. Nós respeitamos a opinião de Gene, mas ele estava namorando Diana na época, então o que mais ele diria?", brinca.

Nile Rodgers: o homem que mudou a forma de se sentir, ouvir e dançar música. Foto: Reprodução
Nile Rodgers: o homem que mudou a forma de se sentir, ouvir e dançar música. Foto: Reprodução

Patti Smith - 'Just Kids' (2010)

Um retrato romântico da vida de dois jovens aventureiros na cidade grande: Patti Smith e seu melhor amigo, o fotógrafo Robert Mapplethorpe (1946-1989). O mais incrível no livro é seu calor humano — as lembranças que Patti carrega da cena boêmia de Nova York na década de 1960 são carregadas de doçura. Melhor momento: o encontro entre o poeta Allen Ginsberg (1926-1997) e a futura cantora. Ginsberg pagou um sanduíche para Patti porque a confundiu com um rapaz. Quando ela revela ser uma garota, pergunta ao poeta: "Bem, vou ter que devolver o sanduíche então?". Nada disso. Ginsberg continuou a conversa, falando de Jack Kerouac (1922-1969) enquanto Patti comia.

Patti Smith: lembranças boêmias de Nova York. Foto: Reprodução
Patti Smith: lembranças boêmias de Nova York. Foto: Reprodução

Paul McCartney - 'Many Years from Now' (1997)

Oficialmente, esta é uma biografia autorizada escrita por Barry Miles, amigo de Paul, mas isso é fachada, porque no livro Paul conta sua história com as próprias palavras. De acordo com a contracapa da edição de 1998, foi baseado em centenas de horas de entrevistas realizadas num período de cinco anos. O título foi tirado da canção "When I'm Sixty-Four", do álbum dos Beatles "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" (1967). Sua fama de bom moço cai por terra diante de histórias como a inspiração para “Can’t Buy Me Love”, gravada após uma orgia de nove dias com as melhores prostitutas de Miami Beach. "Na verdade, deveria se chamar 'Can Buy Me Love'". ironiza Paul.

Paul McCartney perde um pouco de seu "bom-mocismo" nessa autobiografia. Foto: Reprodução
Paul McCartney perde um pouco de seu "bom-mocismo" nessa autobiografia. Foto: Reprodução

Rod Stewart - 'Rod' (2012)

Na época do lançamento, a revista "Spin" comparou o livro de Rod Stewart a duas biografias recentes também de astros do rock: Pete Townshend e Neil Young. "Quem imaginaria que Rod Stewart faria o melhor livro? Ele conseguiu", afirmava a crítica. Cheio de passagens hilárias, Rod conta, por exemplo, quando ele, Freddie Mercury e Elton John passaram uma noite louca regada a drogas em Bel Air, planejando formar um supergrupo. "O nome que tínhamos em mente era Nose, Teeth, & Hair, uma homenagem a cada um de nossos atributos físicos mais comentados. De alguma forma, esse projeto nunca chegou a nada, uma perda profunda e permanente da música contemporânea", brinca. Ninguém até hoje transformou este livro em um filme, talvez porque o cantor não tenha altos e baixos em sua trajetória — ele passou 50 anos sendo apenas Rod Stewart.

Rod Stewart pode não ter altos e baixos na carreira mas conta várias histórias engraçadas em seu livro. Foto: Reprodução
Rod Stewart pode não ter altos e baixos na carreira mas conta várias histórias engraçadas em seu livro. Foto: Reprodução

Slash - 'Slash' (2007)

O que não falta nas livrarias é livro de fofocas sobre figuras do metal, incluindo outras excelentes memórias do Guns N' Roses, como "My Appetite for Destruction", de Steven Adler, ou "It's So Easy (And Other Lies)", de Duff McKagan. O livro de Slash equilibra reflexão com um hilariante tom blasé sobre seus momentos de excesso. E olha que não faltam idas ao fundo do poço, como quando o guitarrista teve uma overdose e, levado às pressas para o hospital, os médicos conseguiram ressuscitá-lo. "Não tive nenhum remorso pela minha overdose, mas fiquei puto comigo mesmo por ter morrido. Afinal, aquela excursão ao hospital acabou com meu dia de folga", escreve o guitarrista.

Autobiografia de Slash: vida louca. Foto: Reprodução
Autobiografia de Slash: vida louca. Foto: Reprodução

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