As 8 melhores linhas de baixo de todos os tempos, segundo Thundercat
Entretenimento

As 8 melhores linhas de baixo de todos os tempos, segundo Thundercat

Todo ídolo tem seus próprios ídolos. Para Stephen Lee Bruner, o Thundercat, não poderia ser diferente. Em entrevista à “Pitchfork”, o músico, baixista, produtor e cantor fez uma lista com as oito melhores linhas de baixo de todos os tempos — ao menos, as oito que são favoritas dele. Com referências de soul, funk e R&B, ele explica o motivo de cada uma delas — e coloca o legendário Larry Graham, tio de Drake, na lista., junto com Jaco Pastorius, Marcus Miller e Jack Bruce.

“O baixo exerce uma papel na música que fica entre o que é melódico, harmônico e o que é rítmico. Quando você pensa no que é rítmico, você pensa na bateria. Quando você pensa no que é harmônico e melódico, você pensa no piano. O baixo é o meio termo disso. Ele cria seu próprio ritmo e carrega a sua própria melodia”, explicou.

Thundercat se apresenta no palco do FYF Fest, em 2017, em Los Angeles / Foto: Getty Images
Thundercat se apresenta no palco do FYF Fest, em 2017, em Los Angeles / Foto: Getty Images

‘Lady’, D'Angelo (1995)

“Eu acho que a música está no fim do álbum de estreia do D’Angelo, “Brown Sugar”. Eu treinava baixo ouvindo isso, mas tinha um erro que eu sempre cometia. Eu passei alguns anos em turnê com o Raphael Saadiq e é ele quem toca baixo nessa faixa”, comentou o músico. “Toda vez que nós ensaiávamos e tocávamos a música, ele perguntava o que havia de errado. Uma vez ele pegou o baixo da minha mão e mostrou que não havia nada naquela parte a não ser três simples notas sendo tocadas. ‘Bum, bum, bum’. É em um trecho que a linha do baixo vai evoluindo e guiando a música, mesmo sendo tão simples. É a real alma da música. Eu fiquei incrédulo”, lembra Thundercat.

“Isso me leva a quando eu estava começando a entender sobre intuição e sobre a importância de como as partes são colocadas na música. Levei muito tempo para realmente assimilar que esse cara toca apenas três notas. Mas essa música é tão forte. É como o relógio interno dos bateristas. Tem a ver com a sua ligação com o seu instrumento, com como você o sente. Eu acho que isso pode ser um pouco complicado para muitos músicos. A intuição é um dos aspectos mais importantes de ser um músico. Se você não sente da forma certa, você é demitido. Essa é a verdade”, diz.

‘You Are In My System’, The System (1982)

“Eu lembro que quando comecei a ouvir essa música repetidamente, percebi o que estava acontecendo entre as linhas dos sintetizadores eu fiquei atônito. É como se houvesse um momento na música em que ela se transforma nessa troca entre o cantor e a linha do baixo. Melodicamente, é como se houvesse esse estranho passeio entre oitavas. Perceber isso quase me fez bater o meu carro algumas vezes”, ri. “O que me chamou atenção foi a simetria, o som dos anos 1980 e o synth pop e todas as coisas nesse sentido."

‘Haboglabotribin’, Bernard Wright (1981)

Marcus Miller é uma lenda. Quando ele faz o slap no baixo, pode ser algo traiçoeiro para um baixista. Existem estilos diferentes de se tocar que podem fazer toda a diferença, como quando você está tocando com todos os dedos ou apenas fazendo o tradicional, com dois dedos”, explica. “Markus é um dos caras que definiu o que é fazer um slap no baixo. Essa parte se tornou uma linha de baixo icônica. Todo mundo se lembra dela porque Snoop Dogg a colocou em “Gz And Hustlas” (música do álbum “Doggystyle”, de 1993). A linha de baixo transcendeu no tempo. Eu acho que essa linha de baixo é uma daquelas que são de bom gosto. Mas Chris Dave (baterista) uma vez me disse ‘se você um dia fizer um slap, eu jogo minha caixa em você’”, se diverte o artista.

‘Strawberry Letter 23’, The Brothers Johnson (1977)

“Muitas das minhas músicas favoritas tem o Lewis Johnson nela, como as músicas do Michael Jackson. Brothers Johnson é um grupo lendário. Eu sinto que a linha do baixo é definitivamente um dos motivos para a música ter sido um sucesso. A forma como o Lewis desliza entre as notas é o que dá uma sensação furtiva. Esse estilo tocado entre oitavas é o que representa os anos 1970.”

“Novamente, é um estilo mais percussivo. É uma linha tênue entre aquilo que é funky e desastroso. Às vezes, alguns baixistas gostam de correr esse risco. Esse é outro daqueles momentos em que o slap do baixo é como uma coisa percussiva. É uma linha de baixo realmente simples, mas que foi transformada e se tornou algo que passeia entre a bateria e o ritmo melódico. A sensação geral é de alguma forma centrada em torno disso.”

“O papel do slap no baixo na música é bastante controverso. Eu me lembro de quando era mais novo conversar sobre isso e falar sobre slap no baixo era como conversar com garotas. Sabe, você é um adolescente tentando entender como se aproximar das garotas, mas só pensa: ‘o que há de errado com a gente? Estamos aqui conversando sobre onde a gente deve usar o slap em uma música!’”

“Eu amo essa linha do baixo e eu nem fumo, mas essa música me faz pensar que eu deveria estar fumando. Usando uma jaqueta com franjas”, completa, aos risos.

‘Portrait Of Tracy’, Jaco Pastorious (1976)

Jaco Pastorious em “Portrait Of Tracy” é especial. Essa música traz Jaco fazendo tudo ao mesmo tempo: melodia, harmonia e ritmo. Antes dele, as pessoas certamente faziam piadas dizendo que o baixo era um instrumento que fazia barulhos estranhos. Mas o Jaco sabia exatamente a função de cada aspecto e passeava por eles com facilidade. Você consegue ouvir a harmonia que ele faz, desde a falsa harmonia até a harmonia de fato.”

‘Hair’, Graham Central Station (1974)

“É insano. A essa altura todo mundo sabe que Larry Graham inventou o slap no baixo. Isso é ponto pacífico. Se você não sabia: Larry Graham inventou o slap. Ele, aliás, é tio do Drake, para aqueles que não sabiam. Eu sempre fui do Drake, mas quando eu descobri isso, eu disse: ‘Drake nasceu para fazer o que faz’.”

“A forma como o baixo dança entre os outros instrumentos é como se você pudesse ouvir o quebra-cabeça se encaixando. É como ver as engrenagens funcionando. É assim que a música soa graças à linha do baixo. E pensar que ele faz os slaps e ainda canta é como se fosse um milagre.”

‘Chameleon’, Herbie Hancock (1973)

Herbie Hancock está tocando baixo, mas Paul Jackson toca um segundo baixo. Temos duas linhas sendo tocadas ao mesmo tempo aqui. Paul assume um papel mais de percussão no baixo, usando a região mais afastada do braço. O baixista atua aqui quase como um percussionista.”

“Paul é um dos meus baixistas favoritos por saber aquela linha de baixo — e ele arrasava com Herbie. Ele era alguém que sabia se colocar no papel entre o baixista e o percussionista. Isso deixa a música mais ritmada. A música está em um lugar entre ser melódica e ser percussiva.”

‘Sunshine Of Your Love’, Cream (1967)

“Essa música tinha Jack Bruce no baixo. É possível ouvir o slide em uma parte também. Parece que ele está tocando um baixo sem traste. Eu escolhi essas músicas porque as linhas do baixo nelas são simples e isso também se torna a força motriz por trás da música. É engraçado que na música, até hoje em dia, quando você ouve coisas como trap, o baixo é ainda aquilo que conduz a música”, diz. “Essa é uma daquelas linhas de baixo que você não tem como fugir dela, mas é simples. A guitarra de Eric Clapton o acompanha, sendo mais enfático na harmonia ao tocar as progressões, mas ainda seguindo a linha do baixo. É muito doido.”

Relacionados

Canais Especiais

Ícone do FacebookÍcone do TwitterÍcone do InstagramÍcone do YoutubeÍcone do DeezerÍcone do SpotifyÍcone do Pinterest