As cartas de amor de Tchaikovsky que a censura russa tentou abafar
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As cartas de amor de Tchaikovsky que a censura russa tentou abafar

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Um dos maiores compositores da música clássica, o russo Pyotr Ilyich Tchaikovsky teve algumas de suas obras mais poéticas escondidas por um único motivo: serem cartas de amor dedicadas a outros homens. O maestro russo, conhecido por obras primas como os balés “O Lago dos Cisnes” e “A Bela Adormecida”, teve suas correspondências censuradas até recentemente, tendo sido publicadas em inglês pela primeira vez em 2018, apenas por ele ser gay.

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As palavras de Tchaikovsky são ternas e apaixonadas e mostram a sensibilidade das emoções do músico, antes excluídas do conhecimento público por censores russos - um país em que a homofobia é alimentada constantemente pelo próprio governo, que utiliza da legislação para calar a luta da comunidade LGBT através de leis retrógradas e campanhas publicitárias. Em uma das passagens, até então inéditas, o compositor se mostra completamente apaixonado por um de seus empregados: “Meu Deus, que criatura angélica e como desejo ser seu escravo, seu brinquedo, sua propriedade!".

Marina Kostalevsky, editora do novo livro “The Tchaikovsky Papers”, publicado pela editora da Universidade de Yale e que traz os detalhes das cartas do compositor, ressalta que, embora a homossexualidade de Tchaikovsky tenha sido amplamente aceita no ocidente, ela ainda é "questão de calorosos - e frequentemente feios - debates públicos na Rússia", diz Kostalevsky, em entrevista ao “Guardian”.

“Quando a edição russa dos documentos foi divulgada, em 2009, não foi percebida por muitos russos como o argumento definitivo sobre a sexualidade de Tchaikovsky. Alguns leitores até questionaram a autenticidade de certas cartas guardadas no arquivo. Portanto, pode-se argumentar que a edição russa, apesar da riqueza de novas informações sobre a vida dele, não apagou os velhos preconceitos sobre sua sexualidade em seu país natal", disse a editora.

Em uma outra carta, Tchaikovsky descreve “um tormento de indecisão”: “Meu encontro foi marcado para esta noite. Um dilema verdadeiramente amargo e doce! Finalmente decidi ir. Passei duas horas absolutamente maravilhosas nas circunstâncias mais românticas; Eu estava com medo, fiquei emocionado, eu estava com medo do menor som. Abraços, beijos, um apartamento fora de mão... Uma tenra conversa, que prazer!”.

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