As referências nas letras de Rosalía, a cantora catalã que é hit em 'feats' com Pharrell e J Balvin
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As referências nas letras de Rosalía, a cantora catalã que é hit em 'feats' com Pharrell e J Balvin

Se você navegou pela internet em 2018, provavelmente ficou sabendo da existência da cantora catalã Rosalía. Aos 25 anos, com uma carreira em ascensão desde 2017, ela se tornou celebridade global em tempo recorde. Seu segundo álbum, "El Mal Querer", lançado em novembro do ano passado, se tornou sucesso de crítica e de público, mesmo se tratando de uma obra "conceitual" — baseada no livro "Flamenca", um clássico do século XIV de autoria desconhecida.

Como o repertório de Rosalía ainda é pequeño, não é tão trabalhoso procurar as referências pessoais espalhadas por suas músicas. Pensando nisso, a revista "i-D" fez um apanhadão com as citações mais bacanas pelas letras do disco "El Mal Querer" e da sua recente mixtape " F *cking Money Man". Veja abaixo:

'Con Altura'

:: Em um trecho da faixa "Con Altura", um feat. entre Rosalía e J Balvin, a cantora diz "De Héctor aprendí la sabrosura / Nunca he visto una joya tan pura". Esse tal Héctor não é um ex-namorado da jovem, muito menos o cantor da dupla de reggaeton Hector & Tito. Na letra, ela se refere ao porto-riquenho Héctor Lavoe, um dos artistas de salsa mais importantes de todos os tempos.

:: Na mesma faixa, Rosalía canta: "Pongo rosas sobre el Panamera / Pongo palmas sobre la Guantanamera / Llevo a Camarón en la guantera (De la Isla)". Neste trecho, ela mostra que entende de carros e cita o automóvel de luxo Porsche Panamera, que ganhou esse nome após participar da Carrera Panamericana, uma corrida tradicional no México. Ainda nessa parte, ela referencia seu cantor favorito, Camarón de la Isla (1950-1992), um dos mais cultuados cantores de flamenco, romani (cigano).

'Malamente'

:: "Aunque no esté bonita, la noche undivé / Voy a salir pa' la calle", diz Rosalía em "Malamente". Nesse trecho, é possível perceber como a cantora usa algumas palavras em caló — dialeto dos ciganos da península ibérica, com elementos romani e do português — em suas músicas. Em destaque, está "undivé", termo utilizado por essa comunidade para se referir a Deus. Na letra de "Malamente", essa palavra é usada para ilustrar que ela vai testar sua sorte saindo nas ruas, apesar do aviso de um perigo iminente de um cigano.

:: A faixa "Malamente" é cheia de improvisos, ad-libs — ou "jaleos", o equivalente na língua flamenca. Eles não têm nenhum significado específico, estando presentes apenas para ilustrar a música com "toma que tome", "aí sí" e "tra tra".

'Milionària'

:: Neste ano, Rosalía lançou a mixtape "F *cking Money Man" com duas músicas. Entre elas, esta a faixa "Milionària". Em um trecho dessa canção, a artista declara: "Porto dos Audemars / Fets a mà coberts de diamants / I un Hublot Black Caviar Bang bang / Que te'l puc regalar". Humildemente, a catalã quer deixar bem claro que está portando muitas e muitas notas, capazes de comprar peças luxuosas da marca de relógios suíça Audemars Piguet. O modelo citado na letra, Hublot Black, é avaliado em mais de US$ 1 milhão.

:: Rosalía lança um shade em Beyoncé no trecho: "Perquè em tanquin el Louvre així com el Macba". Na letra, ela quer dizer que fechou o Louvre, como fez a cantora americana e seu marido Jay-Z no clipe de "APE SHIT", e também o Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, conhecido como Macba.

'Bagdad'

:: "Por la noche, la sali'a del Bagdad", diz Rosalía na faixa "Bagbad". A referência não é sobre a capital do Iraque, mas sim a um mítico clube erótico que leva o mesmo nome, localizado no bairro de Raval, em Barcelona, onde o protagonista do disco "El Mal Querer" desce ao inferno.

:: O clipe da música, aliás, não foi gravado na Bagdad de verdade, mas sim em uma boate em Pigalle, bairro parisiense que fica o Moulin Rouge.

'Aute Cuture'

:: Se você já assistiu a qualquer clipe de Rosalía, percebeu que a cantora adora unhas gigantescas repletas de adornos e enfeites. Por sua verdadeira paixão por essa arte, ela cita a marca de unhas postiças de Barcelona Dvine Nails no trecho "Uñas de Dvine ya me las han copiao' / Que te las clavo niño ten cuidao".

:: "Sonando en las peñas y los Hamptons / Sangría y Valentino / En el Palace y en el chino" — neste trecho, Rosalía se gaba de usar múltiplas referências sonoras em suas músicas, o que lhe tem conferido fama internacional. Em pouco tempo de carreira, ela já foi chamada para se apresentar nos festivais Coachella e Glastonbury. É uma baita moral para uma cantora de 25 anos e uma trajetória musical iniciada em 2017. Ainda nesse verso, ela faz uma comparação entre a bebida sangria e o designer italiano Valentino, conhecido por amar a cor vermelha, a favorita de Rosalía.

'Que no salga la luna'

:: A faixa mais flamenca de "El Mal Querer", "Que no salga la luna" é claramente influenciada por "Bodas de Sangre" (1931), peça de teatro do autor espanhol Federico García Lorca. Ele, aliás, era obcecado por facas, lâminas de barbear e a lua, citada no título da canção. Essa referência fica clara no trecho "Como las hojas de un cuchillo / Brillaban los sacáis suyo' cuando le di el anillo". nela, novamente, Rosalía usa um termo Caló, "sacáis", que significa sacos.

'De aquí no sales'

:: Se você não nasceu em Cádis, na Espanha, ou nunca ouviu falar nessa cidade, provavelmente não vai sacar essa referência. Quando Rosalía canta "Amargas penas te vendo / Caramelos también tengo", em "De aquí no sales", ela se refere a Gabriel Macandé (1897-1947), um cantor e vendedor ambulante de Cádis que se tornou bastante conhecido por seus jargões — e também, de certa forma, por influenciar a música flamenca. Ele era considerado louco e terminou seus dias em um hospício, onde morreu.

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