Assassinado, Nipsey Hussle usava o rap para ajudar comunidade em que cresceu
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Assassinado, Nipsey Hussle usava o rap para ajudar comunidade em que cresceu

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Nipsey Hussle não era apenas um rapper. Nipsey Hussle era um homem que via nas ruas que o criaram a chance de transformar vidas. Com 33 anos e uma carreira promissora pela frente — este ano, ele havia sido indicado ao Grammy na categoria melhor álbum de rap —, ele atuava como ativista, mentor de sua comunidade e empreendedor. No último dia de março, ele foi assassinado em frente a uma loja de sua propriedade, em Los Angeles. Outras duas pessoas também ficaram feridas em um incidente ainda sem muitas informações divulgadas. 

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A música criada por Ermias Asghedom, seu verdadeiro nome, era direcionada aos traficantes de rua e àqueles que, assim como ele, lutavam um dia de cada vez para sobreviver. O rapper costumava vender CDs com seu trabalho no estacionamento do mesmo shopping em que ele, anos mais tarde, abriria a loja. Ele se tornou um herói por usar o dinheiro e o reconhecimento que ganhou graças ao rap para reinvestir em sua comunidade. 

Na região de Crenshaw, no sul de Los Angeles, o rapper era conhecido pelas boas atitudes. Desde comprar tênis para estudantes menos favorecidos até a reformar quadras de basquete e playgrounds em geral. O que se diz na região é que ele procurava empregos para quem precisasse e ajudava a pagar pelos enterros quando alguém morria.  

Por vezes, ele afirmou que o sucesso era uma forma de transformar a vida de quem não teve a mesma sorte. Enquanto promovia o elogiado álbum "Victory Lap", Nipsey inaugurou o Vector 90, um espaço de co-working no distrito de Crenshaw pensado como uma ponte entre grupos minoritários da sociedade e parceiros corporativos do Vale do Silício. 

"Em nossa cultura, há uma narrativa que diz: 'Siga os atletas, siga os artistas'", ele disse em entrevista ao "Los Angeles Times". "E isso é legal, mas deve haver algo que diga: 'Siga Elon Musk, siga Mark Zuckerberg'. Acho que pelo fato de eu ser um artista jovem, influente, nascido na cidade, faz sentido eu ser uma das pessoas a levantar essa bandeira", afirmou.

Nipsey havia acabado de comprar o local onde abriria uma loja e construiria um prédio de apartamentos para alugar a preços módicos. O lugar agora é uma cena de um crime. 

Pelas boas ações, o jornal britânico "Guardian" o chama de "o samaritano que ajudou a elevar Los Angeles". No dia seguinte ao que foi morto, ele teria um encontro com membros da força policial de Los Angeles para discutir formas de conter a violência entre gangues.  

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O perfil oficial dos Los Angeles Lakers, time local de basquete da NBA, prestou uma homenagem a ele: "Artista. Ativista. Angeleno. LA lamenta a morte de um de nós", é o texto que acompanha uma foto do rapper. Da mesma forma fizeram artistas como Kendrick Lamar, Drake, Rihanna, Cardi B, 21 Savage e tantos outros nomes do rap e do entretenimento americano. "Você era alguém de verdade para os seus e para o resto de nós", escreveu Drake. "Isso não faz sentido algum. Meu espírito está abalado", afirmou Riri. Chance The Rapper classificou a morte do amigo como uma tragédia. 

Durante sua apresentação no Lollapalooza Argentina, Kendrick Lamar também lembrou o amigo: "Antes de subirmos ao palco, ficamos sabendo que nosso irmão, nosso guerreiro, nosso soldado Nipsey Hussle faleceu", antes de pedir um minuto de silêncio. "Que dia triste. Que descanse em paz um cara realmente incrível. Uma grande representação de positividade e mudança par a sua comunidade. Que o Senhor possa dar forças a sua família", escreveu Cardi B em sua conta no Instagram. "Você não pode matar o amor e você não poder matar o respeito".

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