B-52s festeja 40 anos de eterna new wave: diversão, alívio e felicidade
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B-52s festeja 40 anos de eterna new wave: diversão, alívio e felicidade

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"Comecei a aceitar a ideia de que somos bobos e malucos e que damos às pessoas uma sensação de diversão, alívio e felicidade." Kate Pierson conseguiu sintetizar 40 anos de carreira do B-52s em uma frase. Na entrevista que deu ao jornal The Guardian, ela diz que hoje se sente mais relaxada do que no auge do estouro da banda new wave. "Nunca nos encaramos como pop stars", conta a vocalista, que criou o grupo em 1976 ao lado de Cindy Wilson, Fred Schneider, Ricky Wilson (o guitarrista morreu em 1985) e Keith Strickland (que não participa mais de turnês desde 2013). O figuraça Fred, aliás, não gostou nem quando foram indicados na categoria melhor performance pop pelo single "Love Shack" no Grammy de 1989.  "Incensado!", bradou.  

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A banda está atualmente numa longa turnê que se estende até outubro por cidades americanas. Em novembro faz apresentações no México e, em 2020 já tem show agendado em Porto Rico. "As pessoas me dizem que 'você me ajudou quando eu estava no ensino médio', 'você me deu forças quando eu estava em crise'. Isso é um verdadeiro presente!", diz Kate. A cantora fez uma lista de suas músicas preferidas do The B-52s (a banda tirou o apóstrofe original do nome em 2008).

1. 'Mesopotamia' (EP 'Mesopotamia', 1982)

A pressão para manter o sucesso alcançado pelo álbum 'Wild Planet', top 20 nos Estados Unidos e na Europa, acabou naufragando o lançamento do terceiro trabalho. 'Mesopotamia', produzido por David Byrne, veio em formato de EP com seis faixas. "Falaram na época que tivemos algum tipo de conflito com David Byrne, mas isso não é verdade. Foi realmente o nosso empresário Gary Kurfirst, que também era o do Talking Heads, que achava que precisávamos manter o ritmo acelerado. Acabamos cedendo. Ainda assim, Kate diz que o grupo conseguiu a evolução que queria ao ter Byrne como produtor: ”O som dos dois primeiros discos foi determinado pelo chefe da Island Records, Chris Blackwell. Ficamos meio desapontados, queríamos soar um pouco melhor. Então a escolha de Byrne foi uma evolução no nosso som”.

2. 'Trism' ('Whammy!', 1983)

Nem sempre a ideia de ser chamada de banda "boba e maluca" foi bem aceita pelos integrantes. Kate conta que um crítico britânico disse que eles não iriam "empurrar sua estética do lixo americano para nós". Foi a época em que surgiu 'Trism':  "Fred pensou no trismo: uma máquina do tempo, como a de teletransporte de Star Trek. Eu não tenho ideia se alguém sabia do que diabos estávamos falando. Mas eu amo essa música porque, como muitas nossas, não há refrão real. Cada parte é diferente. Cindy e eu temos uma harmonia estranha, uma marca do B-52. É uma daquelas jóias escondidas que eu ainda gosto de ouvir, porque não cantamos muito".

3. 'Love Shack' ('Cosmic Thing', 1989)

O sucesso veio na época em que os integrantes foram pegos de surpresa com a morte do baterista Ricky Wilson, vítima da Aids. Ele manteve a doença em segredo, só contando para Strickland pouco antes de morrer. "Vimos Ricky ficar magro e perguntávamos: 'Você está bem?' Ele brincava dizendo que tinha parado de comer comida mexicana. Um dia ele não apareceu para o ensaio e Keith me ligou: 'Ricky está no hospital e ele pode morrer'. Foi chocante, parecia que nunca iríamos superar. Kate destaca que foi Strickland quem trouxe a banda de volta, trocando a bateria pela guitarra e aprendendo a tocar no estilo de Wilson. “Ele foi o catalisador. Foi uma coisa curativa e sentimos que, em homenagem a Ricky, tínhamos que nos unir", conta. 'Love Shack' foi ideia do Fred, que se inspirou numa lojinha chamada Hawaiian Ha-Le onde estudantes se reuniam para ouvir música. "Acho que tem um pouco também do lugar onde vivi pagando US$ 15 por mês em meio a cabras... enfim,  é um lugar fictício, com a ideia de que todos sejam bem-vindos à festa”, resume.

4. 'Deadbeat Club' ('Cosmic Thing', 1989)

A canção é uma homenagem ao passado da banda - o vídeo, em sépia, transmite esse clima saudosista -, antes da fama, quando tinham empregos ruins ou eram desempregados. “É uma música muito nostálgica, que fala sobre coisas que realmente aconteceram. Fizemos uma festa de despedida para o nosso amigo Robert Waldrop. Nós nos encontramos num jardim e ficamos em silêncio. Estava chovendo, estávamos nus e tínhamos lençóis e cobertores ao nosso redor. Corríamos e voávamos ao redor dele. Muito escola de arte!", diverte-se Kate. 


5. 'Cosmic Thing' ('Cosmic Thing', 1989)

Pierson diz que a faixa-título de 'Cosmic Thing' resume o álbum e que é a música mais progressista, com tom político. O trabalho elevou a fama da banda, que fez sucesso no mundo todo, exceto no Japão. Isso por causa do nome que, apesar de se referir a um tipo de penteado em forma de colmeia, foi interpretado como uma homenagem ao bombardeio americano em terras japonesas. Foram 18 meses de turnê: "Quando você faz uma turnê por tanto tempo, você volta para casa e novos prédios foram construídos... Nós estávamos isolados, então não acho que tivemos tempo para viver uma vida de estrelas pop. Nós estávamos no ônibus nos divertimos um com o outro”.

6. 'Roam' ('Cosmic Thing', 1989)

O quarto álbum ('Bouncing Off the Satellites'), gravado em 1985 e lançado no ano seguinte, foi um processo difícil porque Ricky estava doente. "Era um sentimento de fragmentação, eu me senti alienada, como acho que Fred também. 'Cosmic Thing' reunificou a banda mas sua ausência se tornou aparente quando as turnês começaram. "Cindy às vezes olhava para o palco e via um fantasma de Ricky", lembra. Kate diz  ser um milagre ainda serem amigos depois de 40 anos: "Fizemos intervalos também e não fizemos muitos álbuns, somos amigos o suficiente para dar espaço um ao outro e saber o que incomoda cada um.  Ainda saímos, comemos e festejamos juntos. É meio milagroso ainda nos amarmos!"

7. 'Juliet of the Spirits' ('Funplex', 2008)

O último álbum da banda homenageia o cineasta Federico Fellini - os integrantes não apenas adoravam as trilhas de Nino Rota, se consideravam discípulos do diretor.  “Escrevemos para Fellini para ver se ele faria um vídeo, mas ele recusou educadamente. O de 'Deadbeat Club' foi muito influenciado por seu filme 'Julieta dos espíritos', aliás, Keith teve a ideia de fazer uma música em homenagem a Julieta. É uma música muito poderosa sobre mulheres, sinto que deveria ter sido um sucesso tão grande quanto 'Roam'", lamenta. Falando em poder feminino, Kate diz que ela e Cindy nunca se vestiram somente pela beleza. "Nós usamos perucas e roupas loucas, não queríamos  ser glamourosas. Nunca tivemos um líder, todos contribuíam igualmente ”, esclarece. E brinca: "Fico feliz se hoje alguém achar que eu sou um colírio para os olhos".

The B-52s em show recente da turnê 2019 nos Estados Unidos. Crédito: Getty Images
The B-52s em show recente da turnê 2019 nos Estados Unidos. Crédito: Getty Images

8. 'Rock Lobster' ('The B-52´s', 1979)

Os integrantes do B-52´s se conheceram na pequena Athens, na Georgia. Kate havia se mudado há pouco e logo fez amizade com um grupo de artistas excêntricos que se divertiam juntos e estava sempre em festas - entre eles, Ricky, sua irmã Cindy, Keith e Schneider. A ideia de formar a banda não poderia ter sido "normal": surgiu depois que tomaram um coquetel chamado Flaming Volcano em um restaurante chinês. “Fred tinha uma enorme coleção de discos e havia a biblioteca da Universidade da Geórgia. todos ouvimos coisas realmente ecléticas. Nós ouvimos Perez Prado, Kai Winding, Nino Rota, soul music e trilhas sonoras de filmes trash”, lembra ela, que conta que a letra de 'Rock Lobster' veio de uma discoteca em Atlanta chamada 2001. “Fred estava lá e viu esses crustáceos projetados nas paredes. Mas a música foi impulsionada pelo riff que Wilson escolheu em sua guitarra. No começo, o sucesso foi uma surpresa completa. Nós dizíamos um ao outro: 'Isso é tão estranho; quem vai ouvir isso?' ", conta Kate.

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