Backstreet Boys: o dia em que a boy band parou a praia de Copacabana
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Backstreet Boys: o dia em que a boy band parou a praia de Copacabana

Os mais jovens não devem se lembrar, mas a primeira vinda dos Backstreet Boys ao Brasil parou Copacabana, no Rio de Janeiro. Era uma segunda-feira, 20 de novembro em 2000. Fazia forte calor na cidade e, apesar do dia útil (naquela época, a data ainda não era feriado, Dia da Consciência Negra), havia muitas pessoas na praia, uma consequência do início precoce das férias escolares. Dez mil fãs, segundo reportagem da “Folha de S. Paulo” da época. No fim da tarde, o quinteto pop formado por Kevin, Nick, Brian, Howie D e A.J. chegou ao hotel Le Méridien, na esquina da Avenida Atlântica com a avenida Princesa Isabel (onde atualmente é o Hilton Copacabana), atravessando uma multidão de cerca de dez mil fãs, segundo reportagem da “Folha de S. Paulo” na época.

A viagem fazia parte de uma turnê de divulgação do álbum “Black & Blue”. Durante 100 horas, o grupo passaria por seis cidades ao redor do mundo: Estocolmo, Tóquio, Sydney, Cidade do Cabo, Rio de Janeiro e Nova York, onde terminariam lançando o disco. Naquela época, os integrantes do grupo tinham entre 20 e 29 anos. Nesta sexta-feira, o grupo americano se apresenta no Rio de Janeiro, quase cinco anos após sua última vinda ao país, em 2015.

Novembro de 2000: Milhares de fãs tomam as ruas de Copacabana e Leme à espera dos Backstreet Boys / Foto: Reprodução
Novembro de 2000: Milhares de fãs tomam as ruas de Copacabana e Leme à espera dos Backstreet Boys / Foto: Reprodução

“Quando nós chegamos ao Rio, eu sabia que ia ser uma loucura. As fãs de Backstreet Boys, no geral, são como o serviço secreto americano. Elas sabem para onde você está indo antes mesmo de você saber. Elas estão sempre esperando, sabem em qual voo você está, mesmo se você estiver em um voo privado”, contou Brian, à época, em entrevista gravada ao programa “Diary of The Backstreet Boys”, da MTV americana.Uma declaração típica de um mundo pré-redes sociais, com internet ainda não onipresente (e pré-11 de setembro de 2001 também).

As imagens mostram centenas de fãs acompanhando o ônibus já na saída do Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador. Em determinado momento, é possível ver Kevin exclamar de preocupação com uma fã que havia tropeçado do lado de fora. “Nos disseram que havia umas 200 pessoas do lado de fora do hotel. Quando nós chegamos lá, nos informaram que havia cerca de duas mil”, conta Howie. Mas ao finalmente se aproximarem do local, perceberam que havia um número de pessoas muito maior do que este. A estimativa dava conta de que entre 10 e 20 mil pessoas se encontravam na porta do Méridien, uma mistura de fãs e curiosos que passavam pela região.

Milhares e milhares de pessoas se amontoavam ao redor do ônibus. Nas gravações feitas para a MTV, é possível ouvi-las batendo na lataria do veículo em meio a gritos de euforia. Do lado de fora, algumas fãs se arriscavam subindo em árvores para conseguir ter uma visão melhor dos astros. “O A.J. tinha falado de irmos dar uma volta na praia”, comenta Brian ao ver, incrédulo, o que se passava. “Começou a ficar um pouco assustador para a nossa segurança e para a segurança dos fãs.”

No documentário da MTV, Kevin relata que, em determinado momento, a banda e sua equipe temeram que o ônibus pudesse capotar, tamanha a força com que as fãs batiam no carro. “Vão esmagar aquela garota. Por favor, levantem ela, levantem ela!”, gritava o integrante mais velho do grupo, ao ver uma menina cair no chão em meio à multidão. “Você iria pensar que era a visita do presidente ou de Michael Jackson, alguma lenda da música. Eu não conseguia acreditar que aquilo tudo era para a gente”, disse Howie, à MTV.

“Eu não me sinto merecedor de toda essa comoção. Ao ver todo aquele pessoal ali, você tem que parar um pouco e dizer: ‘Oi, tudo bem? Eu sou uma pessoa comum’”, ponderou Kevin.

Show dos Backstreet Boys na sacada do hotel Meridien, em 2000 / Foto: Reprodução
Show dos Backstreet Boys na sacada do hotel Meridien, em 2000 / Foto: Reprodução

Depois de um encontro rápido com cerca de 40 fãs no hotel, o número de pessoas do lado de fora já havia aumentado consideravelmente. A avenida Princesa Isabel e parte da avenida Atlântica estavam tomadas de gente. “Foi algo incrível”, lembra Howie.

O grupo acabou fazendo um pocket show — apresentado pelo saudoso Gugu Liberato, que gravava toda a comoção para o “Sabadão”, programa do SBT — em um palco montado na área da piscina do hotel. “Essa apresentação era para ser algo pequeno e se transformou em algo imenso e lindo”, discursou Kevin à multidão, antes do grupo cantar, a capella, “Don't Wanna Lose You Now”, “Quit Playing Games (With My Heart)”, uma amostra de “Time”, do álbum “Black & Blue”, emendada com “All I Have To Give” e “I Want It That Way” e terminarem novamente com “Time”.

“É apenas uma prévia do que nós vamos trazer para vocês na nossa turnê no ano que vem!”, prometeu. O grupo, de fato, cumpriu com o que disse. Em 3 de maio de 2001, eles se apresentaram no Maracanã com a turnê “Black & Blue”, para um público de 70 mil pessoas. Desde lá, já voltaram ao Brasil outras três vezes, em 2009, 2011 e 2015.

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