Banda Baleia convida os fãs para participar da criação de 'Coração Fantasma'
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Banda Baleia convida os fãs para participar da criação de 'Coração Fantasma'

E se a sua opinião fosse capaz de alterar o processo criativo de uma banda? Para o lançamento de seu novo álbum, o grupo carioca Baleia decidiu revelar os bastidores da composição musical e convidar o público a desenvolver o trabalho junto com eles. As três primeiras canções do álbum “Coração Fantasma” foram disponibilizadas nas principais plataformas de streaming há duas semanas; as outras ainda sequer foram escritas ou estão em fase de produção, esperando para ser experimentadas nos próximos shows já marcados no Rio (nesta sexta-feira, 05 de outubro, no Circo Voador), em São Paulo e cidades do Nordeste. E, dependendo das respostas dos fãs, elas ainda podem mudar completamente até a gravação em estúdio.

Trata-se de um “disco vivo”, alcunha escolhida pelo grupo para o conceito que quebra o processo criativo em etapas, revela os bastidores de seu desenvolvimento para os fãs e os convida a participar ativamente durante a sua elaboração. “Com as plataformas digitais, a gente ganhou uma liberdade para fazer o que quiser com a própria música. Depois de pensarmos sobre o modelo que faria mais sentido para a banda, decidimos lançar um álbum que pudesse evoluir com o tempo”, explica ao Reverb o baterista Gabriel Vaz, que também divide os vocais com a irmã, Sofia Vaz. O baixista Cairê Rego e o guitarrista e violinista Felipe Pacheco completam a formação.

Com as plataformas digitais, a gente ganhou liberdade (...). Depois de pensarmos sobre o modelo que faria mais sentido para a banda, decidimos lançar um álbum que pudesse evoluir com o tempo

O audacioso formato reflete diretamente nas novas formas de fazer e consumir música, impulsionadas pelas constantes mudanças no mercado fonográfico. E isso não fica restrito ao cenário independente. No ano passado, a cantora Anitta lançou um clipe por mês, entre setembro e dezembro, como parte do projeto “Checkmate”. Lá fora, os ingleses do Massive Attack dividiram as últimas criações musicais em três EPs. “Dificilmente alguém hoje pega um disco completo para ouvir, o modelo convencional de escutar música se transformou”, avalia Sofia.

Se o advento das mídias sociais culminou na busca por uma relação mais direta com o público, a estratégia do Baleia acerta em cheio: o feedback, seja pela internet ou depois de um show, será determinante para a produção das próximas canções, que serão apresentadas em novos capítulos. A previsão é de que o segundo ainda seja lançado este ano, seguindo um fluxo constante de criação. Em um modelo de criação aberto, não existem prazos ou pré-definições, mas a banda cogita quatro séries de três músicas cada. “Mas pode ser um CD que vai durar para sempre”, brinca Gabriel. A realidade sociopolítica brasileira também poderá servir como base, bem como possíveis parcerias com outros artistas ou a descoberta de novas influências.

“Coração Fantasma” celebra uma nova fase para a banda carioca, que no final do ano passado perdeu dois integrantes e se transformou em um quarteto. “Tudo partiu de um desejo nosso por uma maior vulnerabilidade. Sempre fomos muito controladores e agora estamos tentando dar mais leveza ao nosso trabalho”, completa o vocalista. A linguagem estética, no entanto, segue um padrão já reconhecido por quem acompanha a trajetória do grupo. O clipe da música “Eu Estou Aqui”, dirigido por Philippe Noguchi, reafirma um caráter soturno explorado pelo Baleia - ainda que os arranjos se afastem bastante do lado mais sombrio do álbum anterior.

Em comum com “Atlas”, lançado em 2016, segue a vontade da banda de inovar. Há dois anos, o disco-físico foi lançado no formato de um livro interativo ilustrado por Lisa Akerman e rendeu uma indicação ao Grammy Latino na categoria Melhor Projeto Gráfico. Não à toa, a banda reafirma a parceria com a designer, que criou a primeira capa do disco e será responsável por suas atualizações na medida em que os lançamentos forem acontecendo. Para o novo trabalho, a banda pensa em um produto que possa ser colecionável pelo público. Nem eles sabem ainda exatamente o que vai ser, mas com certeza nada nem próximo do anticlímax de um reles CD.

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