Bat for Lashes lança 'Lost Girls', mergulho no universo feminino embalado por timbres dos anos 80
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Bat for Lashes lança 'Lost Girls', mergulho no universo feminino embalado por timbres dos anos 80

Bat for Lashes, a.k.a. Natasha Khan, está de volta com o sucessor de "Bride" (2016) — que conta a história de uma noiva cujo marido morreu à caminho do casamento. O novo disco, intitulado "Lost Girls", foi lançado nesta sexta-feira (6), mas parece ter saído diretamente dos anos 1980. Isso, porque ele tem, primeiramente, uma estética sonora muito similar à new wave e ao synthpop, e, segundo, pelas músicas realizarem uma espécie de viagem visual que nos leva de volta às produções hollywoodianas daquela década.

A explicação para tal mood da inglesa de 39 anos é a mudança para Los Angeles, cenário de grandes sucessos do cinema contemporâneo, em 2016. "Quando estou dirigindo pelo litoral, admirando as palmeiras, o pôr do sol, o cais com parques de diversão abandonados... Sinto que estou morando em um subúrbio onde o ET do filme de Spielberg poderia aparecer a qualquer momento", admitiu ela em entrevista à "BBC".

Ela cruzou o Atlântico rumo à costa oeste dos EUA após o contrato com a gravadora Parlophone chegar ao fim. Em LA, Natasha planejava seguir seu sonho de se tornar uma cineasta, após anos e anos dedicando-se exclusivamente à música. Inspirada em cada canto da nova morada, ela começou a trabalhar em um roteiro sobre "uma gangue de meninas revoltadas que tinham um visual vampiresco" e que, ao longo da história, revelam-se "verdadeiras bruxas que usam o poder da natureza para trazer a bondade ao mundo". Parece bobo, mas se David Lynch tivesse escrito isso, todos achariam incrível.

Natasha Khan, a.k.a. Bat for Lashes, se apresenta como uma noiva vermelha em show de seu disco anterior, "The Bride", de 2016/Getty Images
Natasha Khan, a.k.a. Bat for Lashes, se apresenta como uma noiva vermelha em show de seu disco anterior, "The Bride", de 2016/Getty Images

Mas, pensar no roteiro de um filme é apenas um passo de produzi-lo, certo? E o ser humano precisa pagar seus boletos. Então, a artista deu um tempo nessas vibes Winona Ryder dos anos 1980 e focou em um novo trabalho: criar músicas para a série de TV "Castle Rock", antologia inspirada nos personagens, cenários e histórias criadas pelo autor Stephen King. Para tal, ela foi apresentada a Chris Westlake, o compositor do programa. Em apenas um dia, eles criaram juntos a faixa mais popular do disco, e que virou single, "Kids In The Dark".

"Quando a música ficou pronta, eu pensei: 'Meu Deus, ela soa como as minhas canções favoritas da vida", disse Natasha.

A partir desse encontro com Chris, a artista decidiu transformar seu roteiro de cinema no tema de seu próximo disco, o "Lost Girls". Ela contou com a ajuda do produtor e expert em trilhas sonoras de filmes Charles Scott IV — que já trabalhou em longas de J.J. Abrams, Alfonso Cuarón e Dan Trachtenberg, só para citar alguns nomes.

"Assisti novamente 'Karate Kid', 'Os Goonies', 'ET: O extraterrestre'', 'Repo Man - A Onda Punk' e 'Os Garotos Perdidos'", apontou ela. "Também vi 'Fome de Viver', com o David Bowie, e outros filmes de terror. Tudo isso influenciou muito no novo disco. Quando eu e Charles escutamos novamente entendemos que as guitarras soam como o Cure, a bateria como Robert Palmer, e os sintetizadores como Peter Gabriel."

"Nossa intenção não foi copiar o trabalho desses músicos, mas utilizá-los como inspiração para criar nossas próprias versões", explicou a moça. Aliás, não é a primeira vez que Natasha busca inspiração nos anos 1980 para suas realizações musicais — vale a pena lembrar, ela nasceu em 25 de outubro de 1979. Em 2009, ela convidou o ator Daniel Larusso, de "Karate Kid", para atuar no clipe de "Daniel".

Mas, voltando à história da gangue de meninas bruxas, Natasha criou uma espécie de alegoria feminista para explicar que toda mulher tem tudo de bom dentro de si, dentro de sua feminilidade. Basta encontrá-la. "A metáfora da história é que, para viver e amar no nosso planeta, todos temos que mergulhar no subconsciente e nos reconectar com elementos da nossa psique já esquecidos e deixados nas sombras. Eles sempre têm a ver com o universo da mulher. Portanto, procurem", completou ela. E, claro, ouçam o disco.

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