Bebeto, autor de hinos informais do Flamengo, se recupera de AVC e torce pelo Mundial
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Bebeto, autor de hinos informais do Flamengo, se recupera de AVC e torce pelo Mundial

O ano de 2019 trouxe duas grandes alegrias para o cantor Bebeto. Primeiro, a volta aos palcos, depois de passar quase dois anos se recuperando de um AVC. Depois, os dois títulos do Flamengo: a emocionante vitória na Libertadores e o Campeonato Brasileiro. Na música, ele está melhor a cada dia, vem compondo bastante e planeja um EP para o ano que vem. No futebol, se prepara para mais uma emoção: a disputa do Mundial de Clubes. O time rubro-negro joga nesta quarta-feira contra o Al Hilal, da Arábia Saudita. Se vencer, vai à final no sábado, dia 21 —, e o autor de “Arigatô Flamengo” (feita em 1982, quando o Fla foi campeão mundial) acredita que vem mais um título por aí.

“Estou com overdose de títulos (risos). E acho que o Flamengo vai vencer o mundial também”, arrisca ele, que se encantou pelo time ainda na infância. “Eu lembro da minha mãe, a gente morava em Resende (RJ), ela pegava o rádio e botava na mangueira que tinha no fundo do quintal. E eu escutava com ela. Foi ali que ouvi falar dos jogadores, o Silva, por exemplo, que eu conheci quando já estava parado. Virei flamenguista aí. Depois vim para São Paulo, eu tocava numa casa onde os jogadores de futebol todos iam, Barracão de Zinco. Conheci o Nunes, o Zico, essa turma toda. O Flamengo é uma paixão”, lembra.

Bebeto com seu violão durante show / Foto: Arquivo pessoal
Bebeto com seu violão durante show / Foto: Arquivo pessoal

Recentemente, Bebeto registrou outra música em homenagem ao clube: “Não Me Faça Escolher”, de J Sales, Badah, Nil Carvalho e Jorge Nascimento. “É amor diferente/ que mexe com a gente/ sem explicação/ entenda meu jeito de amor/ teu ciúme é em vão”, cantarola ele. A faixa foi disponibilizada no YouTube. “É para uma mulher que implica com o amor do cara pelo Flamengo”, diz.

Nascido em São Paulo “por acidente” — seus pais viviam em Volta Redonda (RJ) na época —, Roberto Tadeu de Souza, o Bebeto se diz um “Paulioca”. A carreira começou em 1975, com o disco “Bebeto”. É dele o hit “Segura A Nega”. Em 1978, se mudou para o Rio de Janeiro e lançou o álbum “Cheio de Razão”, no qual gravou seu maior sucesso, “A Beleza É Você, Menina” (parceria com Rubens). De lá para cá, foram 39 discos e hits como “Menina Carolina” e “Hei, Neguinha”, entre outros, que fizeram com que ele se tornasse um dos principais nomes do samba-rock. Ele apresentava-se com frequência nos bailes do subúrbio carioca, o que lhe rendeu o título de Rei dos Bailes.

O sorriso está de volta ao rosto do cantor e compositor depois de muito sufoco. No dia 3 de novembro de 2017, Bebeto passou mal durante um show em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Tinha sofrido AVC isquêmico. Ficou 15 dias em coma, passando 33 dias internado em um hospital na Barra da Tijuca, no Rio. Quando voltou para casa, estava sem andar, sem falar e com problema na vista. Sem poder trabalhar e com os gastos do tratamento, viu as contas de casa se acumularem — sua mulher é também sua empresária. A ajuda dos amigos, que fizeram shows beneficentes em seu favor, foi fundamental. “Descobri os verdadeiros amigos agora nessa situação. Alguns deles me deram um apoio muito grande”, diz o artista. “Elymar Santos foi um: eu não sabia que ele era o cara que é. Sandra de Sá, Eri Johnson, Mano Brown, dos Racionais, e Neguinho da Beija-Flor foram outros.”

Bebeto também conta com amigos que vão toda semana até sua casa no Recreio, no Rio, fazer um som com ele. “O pessoal vem toda quinta-feira aqui fazer um pagode de roda. O que já fizemos de música não foi brincadeira”, conta ele. O artista que planeja para 2020 um EP com cinco dessas músicas novas: “Mulher Livre”, “Alegria De Viver”, “Desabafo”, “Encontro” e “Boteco do Bebeto”, que foi o apelido dado à roda comandada pelos amigos em sua casa.

Em 20 abril de 2019, ele retornou aos palcos, na Lona Carlos Zéfiro, em Anchieta. Bebeto ainda não está cem por cento — tem que se apresentar sentado —, mas já está com uma agenda de shows movimentada. “Foi legal voltar aos palcos. Acho que isso me ajuda muito. Deu uma travada, mas já estou de volta. Estou fazendo fisioterapia, fonoaudiologia, compondo com amigos, a minha neta está cantando comigo. Eu tive um bloqueio na visão, desequilíbrio e um problema na voz, mas estou melhorando, estou trabalhando. Para falar é mais difícil, para cantar é melhor, estou cantando perfeitamente”, garante.

'Enquanto eu aguentar, vou cantar', diz Bebeto / Foto: Divulgação
'Enquanto eu aguentar, vou cantar', diz Bebeto / Foto: Divulgação

Mas o artista de 72 anos teve outro baque em 2019: em 6 de junho, perdeu o filho, Leandro Bebetinho, de 41, do relacionamento com Zizi Chaves, que morreu de infarto. “Evito falar desse assunto porque foi muito ruim, foi muito difícil. Não quero nem pensar”, desabafa.

Quem o ajudou a segurar todas as barras, ele conta, foi Sonia Mesquita, com quem ele é casado há 33 anos e que também é sua empresária. “Graças a ela estou aqui, me ajuda muito”, elogia Bebeto, que dá a dica para a união durar. “A gente se respeita para caramba. Ela tem o temperamento dela, eu tenho o meu, a gente não discute”, garante ele. “Ela é que comanda minha carreira. E vou te falar uma coisa: o que ela fala acontece. Ela é danada. Eu a chamo de Ferrari, porque ela é ruiva. Ou então de Massey Ferguson, um trator, vermelho também. Ela tem uma força grande”, derrete-se.

Bebeto diz que ainda não tem planos para se aposentar e que vai fazer shows enquanto puder. “O cantor, se não tiver palco, vai embora cedo. Você não vê a Beth Carvalho e a Elza Soares? Mesmo sem conseguir ficar em pé, não pararam de fazer shows”, cita ele. “Enquanto eu aguentar, vou cantar. Eu preciso”, resume.

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