Beth Carvalho: 7 vídeos históricos com raridades para matar a saudade da madrinha do samba
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Beth Carvalho: 7 vídeos históricos com raridades para matar a saudade da madrinha do samba

Há um ano o Brasil perdia Beth Carvalho (1946-2019), uma das intérpretes mais simbólicas do samba. A cantora morreu aos 72 anos no dia 30 de abril do ano passado, às vésperas de celebrar mais um aniversário. Na vida quase inteira dedicada ao samba, a mangueirense usou de sua generosidade imensa para lançar e alavancar novos compositores, como Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho. O coração gigante cheio de afilhados deu à apaixonada botafoguense o título de madrinha do samba, voz de clássicos como “Andança” e “Vou Festejar”.

Reviver a história de Beth Carvalho é resgatar as raízes do samba contemporâneo, desde o Cacique de Ramos até sua última turnê, já bastante prejudicada por problemas de saúde, mas sempre lembrando que o show tem que continuar. Aqui vão sete vídeos para relembrar a madrinha do samba. Por onde ela for, queremos sempre ser seu par.

Beth Carvalho e Jorge Aragão no Cacique de Ramos, em 1979 / Foto: Reprodução
Beth Carvalho e Jorge Aragão no Cacique de Ramos, em 1979 / Foto: Reprodução

O encontro com o Cacique de Ramos

A ligação de Beth Carvalho com o Cacique de Ramos é antiga. O encontro da sambista com o bloco carnavalesco de Olaria aconteceu em 1977, graças a Alcir Portela (1944-2008), ex-jogador (e depois técnico) do Vasco. “Eu fui levada pelo Alcir ex-capitão e treinador do Vasco e muito amigo meu, sambista, adora samba ele também. Ele falou: ‘Olha, eu vou te levar em um lugar que eu sei que você vai gostar porque eu sei que você gosta do samba na intimidade e você vai ver um samba que você vai ficar apaixonada.' E ele tinha toda razão”, contou Beth em entrevista disponível no YouTube. Foi lá, nos pagodinhos de quarta-feira, que ela conheceu Luiz Carlos da Vila, Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e outros nomes do samba.

“Eu resolvi gravar aquela turma não só como compositores, mas também como músicos — porque eles não eram profissionais. Então eu coloquei o Bira, o Jorge Aragão, o Almir (Guineto) em um estúdio tocando e gravando as composições deles. E a que estourou primeiro foi ‘Vou Festejar’ que era do Jorge Aragão, do Dida e do Neoci (Dias)”, conta, antes de cantar um samba do Cacique dos anos 1960 que marcou sua vida: “Querem me derrubar, aí meu Deus, o que será. Tenho arco e flecha mas em ninguém vou atirar. Entrego-me à proteção divina, só ela é quem pode me amparar.”

‘Folhas Secas’ para Elizeth Cardoso (1973)

O programa “Sambão”, da TV Record, ficou pouco mais de um ano no ar. Era apresentado por Elizeth Cardoso (1920-1990) e levou ao seu palco grandes nomes do samba. Ao apresentar Beth Carvalho, a divina fez um belo discurso. “E vem mais uma vez à sua casa de música popular brasileira uma moça que vem se revelando maravilhosamente e admiravelmente cantando seus sambões, (ela) se dedicou completamente àquela gente lá do morro, àquele pessoal bom que desce e que entrega seu repertório a todos nós. Mais uma vez, nós vamos receber essa formidável intérprete nossa, Beth Carvalho”, anunciou.

Carinhosa, Beth retribuiu com mais belas palavras: “Olha, antes eu quero contar o seguinte: essa música que eu vou cantar é de um compositor que eu adoro: Nelson Cavaquinho e o seu parceiro é Guilherme de Brito. Mas antes de eu gravar essa música, eu cantei ela em um teatro, no Rio, e Elizeth Cardoso estava presente. Eu soube que ela adorou a música e queria gravar também, mas quando ela soube que eu ia gravar, ela disse: ‘não, se a Beth vai gravar, mais tarde eu gravo’. Por isso que ela é a divina Elizeth Cardoso", disse, antes de dedicar “Folhas Secas” à apresentadora.

Beth Carvalho, Martinho da Vila e João Nogueira no ‘Clube do Samba’ original

O “Clube do Samba” surgiu no fim dos anos 1970 por uma iniciativa de João Nogueira (1941-2000). A roda reunia compositores, artistas e amantes da música no quintal da antiga casa de João Nogueira. Quando se mudou para a Barra, o sambista deixou o espaço para o Clube, antes dele seguir para antiga sede do Flamengo, no Morro da Viúva. Neste vídeo, Beth Carvalho canta “Agoniza Mas Não Morre”, de Nelson Sargento, ao lado de João e Martinho da Vila.

‘1800 Colinas’ na TV Tupi (1974)

Em 1974, Beth se apresentou no programa “Clube dos Artistas” da TV Tupi (assista a partir de 1:14). Sorridente, cantou “1800 Colinas” ao lado de um jovem Alceu Maia ao cavaquinho.

‘Coisinha Do Pai’ com os Trapalhões (1979)

Uma versão inesperada de “Afina O Meu Violão”: Didi no pandeiro, Mussum no surdo, Zacarias no tamborim e Dedé no violão acompanham a madrinha do samba em uma participação no programa “Os Trapalhões”, em 1979.

A gravação ainda conta com um divertido improviso do quinteto em que Beth tira onda com Dedé e Zacarias e quase é mandada para “aquele lugar” por Didi Mocó, de brincadeira é claro. A cantora ainda apresentou “Coisinha do Pai”:

‘Pedi Ao Céu’ com Jorge Aragão (1979)

“Aqui do Cacique de Ramos saiu um dos maiores sucessos do carnaval passado, ‘Vou Festejar’”, diz a repórter antes de mostrar Beth Carvalho e Jorge Aragão cantando “Pedi Ao Céu”, de Almir Guineto, na sede do bloco em Olaria.

‘Força da Imaginação’, no ‘Cassino do Chacrinha’ (1983)

Chacrinha recebe Beth Carvalho, que canta “Força da Imaginação” na edição especial do “Cassino do Chacrinha” no Maracanãzinho, em 1983. Ao terminar a apresentação, Beth aproveita para convidar o público a estar presente na inauguração da Praça Clara Nunes, localizada nos fundos da casa de João Nogueira onde rolava o “Clube do Samba”.

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