Big Grrlls: quem são as dançarinas plus-size de Lizzo
Entretenimento

Big Grrlls: quem são as dançarinas plus-size de Lizzo

Com sua história de vida e mensagens que passa nas músicas e declarações públicas, não é surpresa ver a diversidade que Lizzo tem ao seu lado no palco. A cantora e sua coreógrafa Jemel McWilliams selecionaram um grupo de dançarinas de várias nacionalidades, cor, peso e altura — The Big Grrrls — numa iniciativa que aponta uma tendência no mundo pop.

"Comecei a trabalhar como coreógrafa e diretora artística de Lizzo em janeiro de 2019 e a visão era de colocar dançarinas cheias de curvas em suas performances, porque elas são merecedoras. Mas quando tivemos nossa primeira chamada com agências em Los Angeles, descobrimos que elas só tinham de duas a quatro dançarinas em seu cast que poderiam consideradas de tamanho grande", escreveu Jemel em um artigo na "Dance Magazine" no início deste ano. O nome escolhido para o grupo, The Big Grrrls, foi inspirado no título do segundo álbum de Lizzo, “Big Grrrl Small World”.

Lizzo e suas dançarinas na apresentação no Grammy em janeiro. Foto: Getty Images
Lizzo e suas dançarinas na apresentação no Grammy em janeiro. Foto: Getty Images

O empenho da coreógrafa e de Lizzo em contratar dançarinas consideradas "fora do padrão" já deu uma balançada no mercado. "Lizzo estava se sentindo derrotada com aquela situação, então fizemos uma chamada pelo Instagram e uma tonelada de meninas fez o teste. Logo depois as agências de Los Angeles começaram a me ligar, pois tinham começado a representar dançarinas mais curvilíneos. O mercado se abriu. Nós pensamos: 'Uau!' Na prática, trouxemos algumas mudanças no setor", contou Jemel.

O grupo de Lizzo tem sete dançarinas que podem ser consideradas plus-size: Le'Ana Levi Hill, Grace Holden, Courtney Hollinquest, Shirlene Quigley, Chawntá Van, Dominique Loude e Allison Buczkowski. "É a primeira vez que posso apreciar minhas curvas, gostar de ser quem sou e como sou. É tão bom estar com um monte de garotas, se divertir e sacudir nossas bundas no palco", diz Shirlene ao "Dance Spirit". Ela conta que recebia olhares reprovadores quando subia ao palco para alguma apresentação e que lutou com uma dieta extrema durante anos, pois achava que nunca iria trabalhar com seu tamanho.

Para a maioria dessas mulheres, entrar para a equipe de Lizzo foi o incentivo que faltava para aprender a se aceitar e se amar. "Não se trata apenas de olhar no espelho e gostar do que você vê. Trata-se realmente de me sentir bem e positiva sobre quem eu sou como pessoa e saber o que importa para mim na vida", fala Grace.

Aqui no Brasil, uma referência de dançarina plus size — infelizmente não há um número significativo delas nos palcos — é Thais Carla, do grupo de Anitta. "Hoje me lembrei o quanto nós somos treinados para odiar o nosso corpo. Já parou pra pensar nisso? Pare de perder tempo querendo ser igual a protagonista da TV. A sua singularidade é o seu poder, é o que te faz única", escreveu ela em um post de sua conta no Instagram, que tem 1,1 milhão de seguidores.

Thais Carla, que está grávida: dançarina plus size de Anitta. Foto: Reprodução Instagram
Thais Carla, que está grávida: dançarina plus size de Anitta. Foto: Reprodução Instagram

Mesmo que a maioria das Big Grrrls ainda seja menor do que a mulher americana comum — que, segundo pesquisas, têm tamanho 16, o equivalente ao nosso número 50 —, todas enfrentaram preconceito e portas fechas em algum momento da vida. "Você sempre é solicitada a perder peso. Eu costumava amarrar um moletom em volta da minha cintura se usava legging, porque não queria chamar muita atenção para minhas curvas", lembra Chawntá, citando um emprego que teve em que o diretor da empresa disse a ela que ser uma ótima dançarina não era suficiente e que ela também precisava "se encaixar". Comentários levaram Van a fazer uma dieta absurda, comendo apenas uma barrinha de cereal ao dia.

Apesar das dificuldades, as dançarinas perseveraram, mirando-se no próprio exemplo de Lizzo, e o esforço para quebrar estereótipos começa a valer a pena. Ao transmitir essa mensagem de inclusão aos fãs, inspiram uma nova geração de dançarinos. "Estou tão honrada de ser alguém que as pessoas admiram ou a que se referem como uma das dançarinas plus size que começou a mudar o jogo", diz Courtney, também conhecida como DJ Cquestt.

Jemel concorda que há uma explosão de autoconfiança e encorajamento após muitos anos de rejeição, ouvindo que não eram dignas daquele palco. "As garotas curvilíneas estão por aí e precisamos representá-las. A imprensa precisa apresentá-las não em artigos sobre 'garotas curvilíneas', mas em artigos sobre 'dançarinas incríveis'. O mundo da moda já começou a se abrir, mas todos precisamos trabalhar em conjunto para garantir que haja representação", ressalta a coreógrafa.

Relacionados

Canais Especiais

Ícone do FacebookÍcone do TwitterÍcone do InstagramÍcone do YoutubeÍcone do DeezerÍcone do SpotifyÍcone do Pinterest