Bill Bruford, legendário baterista de Yes e King Crimson que não toca no instrumento há dez anos, revê a carreira
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Bill Bruford, legendário baterista de Yes e King Crimson que não toca no instrumento há dez anos, revê a carreira

Bill Bruford, legendário baterista de Yes, King Crimson, Genenis e do grupo de jazz Earthworks, está com 70 anos. Há dez, ele não encosta um dedo em seu velho instrumento, mas sua aposentadoria tem ótimos motivos. Um deles, é poder estar por perto de seus netos enquanto crescem. Outro, é que ele quer se jogar em novos projetos, como escrever livros. E, por fim, o fato de que, para tocar rock n' roll, ou jazz, é preciso estar 100% comprometido. "Algo que, agora, eu não quero saber", disse ele em entrevista à "Rolling Stone", concedida por telefone.

Desde que pendurou as baquetas, Bill entregou ao mundo dois livros: uma autobiografia, "Bill Bruford – The Autobiography", de 2009, e "Uncharted: Creativity and the Expert Drummer", de 2018. Este último foi escrito a partir da pesquisa acadêmica para seu PHD em música, realizado na Universidade de Surrey, onde vive atualmente.

O trabalho como autor e a atenção à família têm tomado boa parte do tempo do ex-baterista, mas ele ainda arrumou algumas brechas para reeditar o catálogo de sua ex-banda de jazz, Earthworks, criada nos anos 1980. "Tive certo receio de ser sugado por essa coisa de 'gerenciar seu próprio legado'", revelou Bill. "De fato, estou muito empolgado com isso, e não posso deixar de reconhecer que adoraria que meu trabalho continuasse a ressoar depois da minha morte."

O resultado destes esforços culminaram no lançamento de uma caixa comemorativa intitulada "Earthworks Complete". Dentro dela, há um extenso material de gravações em estúdio e ao vivo, 20 CDS e DVDS.

Na entrevista de Bill para a "Rolling Stone" americana, ele repete não ser grande do termo "rock progressivo", ou "prog", como chamam os ingleses e americanos. "É uma palavra bastante singular, não é? E também muito feia", considerou. "Gosto da ideia de progresso porque é o que todos os músicos deveriam fazer. Por exemplo, eu não escuto música country, mas sei que o gênero progrediu. Me sinto confortável com o sentimento em torno do termo. Mas 'prog' é muito feio, é péssimo."

Ele também admitiu que não mantém relações muito próximas com Robert Fripp, seu parceiro no King Crimson. "Quando o King Crimson estava tocando em Londres recentemente, eu me reuni no backstage com meus ex-colegas de banda, como Jakko Jakszyk, Tony Levin e Pat Mastelotto. Robert me viu e disse: 'Olá'. Eu respondi: 'Oi'. E foi isso. Todos ficaram botando pilha para que eu tocasse 'Schizoid Man', ou algo do tipo, mas pensei: 'Não sejam idiotas. Não toco bateria há dez anos'", contou Bill.

O ex-baterista ainda falou sobre a introdução do Yes no Hall da Fama do Rock N' Roll. Ele afirmou ter ficado feliz com a homenagem, mas que não liga muito para isso, ou para troféus. "A estatueta deve estar no meu banheiro", brincou ele. "Não sou fã de troféus. Não sou muito bom em prêmios. Ter meu trabalho reconhecido por gente como Max Roach significou muito mais para mim."

Em outro momento da entrevista, Bill revelou que chegou a tocar bateria no primeiro ano de aposentadoria, mas que depois perdeu totalmente o interesse. "Algumas pessoas podem achar isso estranho. Para mim, é supernormal", confessou o músico, que costumava se divertir interpretando faixas da Motown. "Acho que minha faixa favorita do selo é 'I Heard It Through de Grapevine', na versão de Marvin Gaye."

Por fim, Bill deixou claro que não se arrepende de ter deixado o Yes e o King Crimson — da qual foi expulso. "As pessoas me dizem que eu deveria ter esperado. Mas a verdade é que eu não aguentava mais. Especialmente ao fim do disco 'Close to the Edge' (do Yes)", contou. "Aquilo foi demais para mim. Eu tinha apenas 21 ou 22 anos e queria tocar com mais pessoas. Por isso, fiquei feliz em sair." Tão feliz que até concedeu metade dos royalties de "Close to the Edge" (1972) para o baterista que o sucedeu na banda, Alan White. "Somos grandes amigos e fizemos uma bela troca."

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