Billie Eilish e artistas da nova geração mostram que não há mais limites entre gêneros musicais
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Billie Eilish e artistas da nova geração mostram que não há mais limites entre gêneros musicais

"Old Town Road", de Lil Nas X, foi considerada como uma canção de trap, rap e, ao mesmo tempo, country. Isso é, aparentemente, impossível, certo? Pois bem, não para um representante da geração Z , ou pós-millennial, aqueles nascidos pouco após o começo da década de 1990 até o início dos anos 2010. Uma galera que sabe, muito bem, fazer uma coisa: pisar em rótulos pré-estabelecidos. Lil Nas X, assim como Billie Eilish, não teme misturar todos os gêneros possíveis, até aqueles que parecem não ter qualquer semelhança. Tem a coragem — ou a ingenuidade — de fazer o que muitos dinossauros da indústria fonográfica pararam há anos: experimentar.

Podemos, portanto, considerar "Old Town Road" como uma faixa de gênero fluido, afinal, não há barreiras para separar o que é trap, do que é rap e country. Alguns vão dizer: "Ah, mas isso já existia". Mais ou menos. Existe, há algumas décadas, esforços para misturar cada vez mais as fronteiras que separam os gêneros musicais. Por exemplo, rock que flerta com o pop, pop que flerta com o rap, rap que flerta com a música clássica... Enfim. Mas nada parecido com o que vemos hoje. Isso é fato.

Tomemos Taylor Swift como exemplo. A cantora ficou reconhecida no universo country e acabou migrando, aos poucos, para o pop, até que entrou, enfim, nessa categoria. Ela nunca saiu do que conhecemos como mainstream. Muito pelo contrário, sempre manteve seus pés bem fincados lá. O mesmo não acontece com Lil Nas X ou Billie Eilish (apesar de ela estar ficando bastante popular).

E por que isso está acontecendo com os representantes da nova geração? Ainda é cedo demais para garantir, mas, segundo pesquisas apontam, o gosto musical dos pós-millennials é muito mais diversificado do que o dos baby boomers (geração que nasceu entre os anos 1946 e 1964), por exemplo. Eles não se apegam a um gênero só e escutam isso até a morte. Pelo contrário.

Um estudo revelou que mais de 97% das meninas da geração Z escutam mais de cinco gêneros diferentes em suas rotinas musicais. É como botar para tocar, no mesmo dia, axé, sertanejo universitário, rap, pop, rock e reggae. Coisa que, definitivamente, sua mãe não faz.

Outro fator que aponta para essa fluidez é o fato dos mais jovens estarem viciados em playlists variadas do Spotify ou de serviços de streaming do gênero. Por exemplo, na lista "Jantar com os Amigos" pode ter de tudo um pouco, assim como na de músicas para malhar, relaxar, correr...

Lil Nas X e Billy Rae Cyrus apresentando 'Old Town Road' em um festival/Getty Images
Lil Nas X e Billy Rae Cyrus apresentando 'Old Town Road' em um festival/Getty Images

A última possível explicação para tal mistureba conceitual na cabeça desses jovens é o acesso ilimitado à internet como nenhuma geração jamais viu. Uma vez que você passa o dia inteiro conectado à rede, pode acessar músicas de todos os lugares do planeta, desde o Brasil, até os Estados Unidos e Grã-Bretanha.

Prefiro imaginar que o É o Tchã, lá nos anos 1990, já estava prevendo isso com a faixa "Dança do Ventre", que começa com "essa é a mistura do Brasil com o Egito". Ok, não é exatamente essa mistura que vemos hoje, mas não me surpreenderia caso acontecesse. Afinal, Anitta já gravou clipe ali por aquelas bandas (foi no Marrocos, né?) e ela adora uma boa parceria com quem estiver bombando. Seja música latina, americana, funk, pop, reggaeton. Nossa representante de Honório Gurgel é o que temos de mais próximo da geração Z no Brasil.

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