Bivolt lança álbum de estreia com choque de amor próprio para ‘ocupar os espaços e deixar o machismo quebrar a cara’
Inspiração

Bivolt lança álbum de estreia com choque de amor próprio para ‘ocupar os espaços e deixar o machismo quebrar a cara’

O nome dela é Bárbara, mas ela prefere ser chamada de Bivolt. O apelido veio de uma professora de escola, ainda na infância. Hoje, a alcunha não é só o reflexo de uma persona “elétrica”, mas o retrato de uma artista que usa sua voz para o rap, para o pop e para o R&B. “Eu acho que isso (o nome Bivolt) me representa tanto que eu abracei e criei um conceito em cima disso. Eu vivo a Bivolt”, diz, em entrevista ao Reverb, ainda rouca, um dia após lançar seu álbum de estreia “Bivolt”.

Há dez anos se destacando na cena rap, Bivolt é a primeira mulher a compor o cast de rap da gravadora Som Livre. Paulistana da comunidade do Boqueirão, na Zona Sul da cidade, em 2017, ela se apresentou no Rock in Rio, após ser descoberta por um olheiro que a viu cantando na rua. “Normalmente, quando a pessoa é elétrica, dizem que ela é ligada no 220v. Mas eu era tão elétrica na infância que era ligada em tudo”, explica sobre o nome. Ela conta que a característica ainda faz parte de quem ela é hoje. “Tem dia que eu estou toda slow, mas tem dia que, meu Deus, eu não paro nunca!”, brinca.

A rapper Bivolt na festa de lançamento de seu álbum, 'Bivolt’, na última quinta-feira, em São Paulo / Foto: Aline Moss / Divulgação
A rapper Bivolt na festa de lançamento de seu álbum, 'Bivolt’, na última quinta-feira, em São Paulo / Foto: Aline Moss / Divulgação

O lançamento de “Bivolt” chega acompanhado de uma inovação. No álbum, Bivolt faz uma parceria com ela mesma. Explica-se: se ouvidas simultaneamente, as faixas “110 V” e “220 V” se transformam em uma nova música. A pegada melancólica de pop e R&B de uma, se mistura às rimas do rap da outra. Sobrepostas, as duas se encaixem perfeitamente. A experiência é ainda melhor se os dois clipes lançados para as faixas forem assistidos ao mesmo tempo.

“Foi um jeito que a gente encontrou de explicar para as pessoas que, apesar de eu ter dois lados, de gostar de cantar e de rimar, ainda sou a mesma pessoa”, explica. A ideia e o conceito do projeto nasceram de um brainstorm em parceria com a agência AQKA. Já as letras, não só das duas faixas, como de todo o álbum, foram compostas por Bivolt em parceria com outros artistas, como as gêmeas Tasha e Tracie Okereke e Nave, produtor e diretor musical do álbum. “As músicas saíram todas de mim, da minha cacholinha”, diz Bivolt, que conta com as participações de Dada Yute, Tropkillaz, Jé Santiago, Lucas Boombeat e Xênia França em “Bivolt”.

Xênia França e Bivolt / Foto: Aline Moss / Divulgação
Xênia França e Bivolt / Foto: Aline Moss / Divulgação

O convite à cantora baiana, aliás, foi feito de forma inesperada, obra do “cosmos”, segundo Bivolt. Em viagem a Nova York, nos Estados Unidos, a empresária da rapper acabou encontrando Xênia ao acaso nas ruas e a chamou ali mesmo. Como resposta, França pediu para ouvir a música e disse que, se a faixa tocasse em seu coração, ela faria a participação. “Qual é a probabilidade da sua empresária encontrar a Xênia nas ruas de Nova York? Se não foi obra do cosmos, eu não sei do que foi. Estava predestinado!”, diz. "Quando ela topou, eu fiquei sem chão. Parecia que tinha aberto um buraco no chão e eu me enfiei dentro. Ela é muito alegre e tem uma energia absurda."

Perto do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, Bivolt vê na parceria entre mulheres uma forma de fortalecimento. “É inspirador. Quando eu vejo as mulheres trabalhando, eu me sinto mais ativa, não me sinto só. Eu me sinto importante, eu me sinto parte”, reflete. “Eu estou aqui para incentivar que outras mulheres façam isso tanto quanto eu. Eu estou aqui para deixar um legado. E não vejo isso acontecer só no rap, mas na música brasileira por completo. As mulheres estão roubando a cena cada vez mais e isso me enche de satisfação.”

Dentro do universo do rap, ela diz que já viveu situações complicadas por ser mulher. Hoje, a resposta que ela dá ao machismo é uma só: seu trabalho. “As bocas estão aí para falar, mas meu trabalho está aí para mostrar que nós mulheres viemos fazer o que a gente quiser do jeito que a gente quiser. Estamos aí para ocupar os espaços que existem e deixar o machismo quebrar a cara”, defende.

“Minha missão é fazer prevalecer a minha existência. Que nós todas possamos sempre ser nós mesmas, que o amor próprio nunca falte. Meu álbum fala muito disso, das minhas relações comigo mesma no cotidiano de uma mulher brasileira periférica e eu sei que muitas mulheres vão se identificar. Seja você, seja livre, seja dona da sua própria voz.”

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