Björn Ulvaeus, do ABBA, lança aplicativo que beneficia músicos de estúdio
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Björn Ulvaeus, do ABBA, lança aplicativo que beneficia músicos de estúdio

Um músico de estúdio que participa de gravações de inúmeros artistas pode, em algum momento, não ter seu nome devidamente creditado no lançamento. Seja porque sua participação foi pequena, por algum equívoco da produção, erro de grafia ou má-fé. Mas uma nova tecnologia promete impedir que esse tipo de injustiça aconteça. O Session, anteriormente conhecido como Auddly, é um aplicativo que registra contribuições individuais em gravações no momento da criação. Os criadores são os suecos Björn Ulvaeus, compositor e cantor do ABBA e Niclas Molinder, compositor e produtor.

Não é só porque está com 74 anos e foi integrante de um dos grupos mais bem-sucedidos da história do pop que Björn se contenta apenas em contar seus milhões de coroas suecas. O cantor e compositor está superativo e conectado nas novas tecnologias. Tanto que ajudou a desenvolver um novo aplicativo que vai beneficiar músicos e compositores de estúdio. Idealizado por Niclas, o Session ganhou a atenção de Björn quando os dois se conheceram em uma comemoração do 40º aniversário do ABBA na Tate Modern, em Londres, em 2014. Seis anos depois desse primeiro encontro, a tecnologia está pronta para registrar contribuições individuais para gravações no momento da criação.

Niclas Molinder e Björn Ulvaeus, suecos parceiros na criação do aplicativo Session. Foto: Getty Images
Niclas Molinder e Björn Ulvaeus, suecos parceiros na criação do aplicativo Session. Foto: Getty Images

O funcionamento é simples: músicos fazem o download em seus telefones e ativam-no quando chegam ao estúdio. O aplicativo registra todas as suas participações, paralelamente ao software de estúdio compatível, que fará o mesmo. Depois, a sessão é incorporada ao popular Pro-Tools, quando os dados coletados no estúdio podem ser incorporados aos serviços de streaming. Isso é um outro grande avanço, pois passa a ser mais fácil pesquisar os nomes desses músicos individuais em bancos de dados. Além dos músicos, compositores e engenheiros de estúdio também podem usar o aplicativo para garantir que sejam creditados adequadamente.

O aplicativo é uma grande esperança para enfim, resolver a velha questão de como dividir a responsabilidade por uma música de sucesso - afinal, um hit tem muitos pais - e evitar tantas injustiças ao longo dos anos da indústria musical. "Você percebe os conflitos de alguém dizendo 'eu toquei isso' e outra pessoa dizendo 'não, você não tocou. Imagine todos os e-mails, ligações e informações distorcidas ao longo do caminho? É trabalho de detetive! Se você tem 15 compositores e 10 músicos em uma música que se torna sucesso vários anos depois, é impossível descobrir quem tocou o que e quem escreveu o que. Isso gera um conflito, onde o dinheiro fica numa caixa preta e ninguém é pago'", explica Björn em entrevista ao "Financial Times".

O músico acaba de assinar um contrato com a companhia de licenciamento musical inglesa PPL que, por sua vez, fez uma parceria com o Session em 2018. “A indústria da música passa por um período de mudanças significativas à medida que a digitalização continua a sustentar o aumento do consumo. À medida que o uso da música cresce, devemos garantir que aqueles que investem tempo e talento sejam bem pagos pelo seu trabalho. A Session é uma das várias iniciativas que trabalham para esse objetivo, e a PPL é outra”, diz Björn ao "Celebrity Access".

A PPL, que representa mais de 65 mil artistas e detentores de direitos de registro internacionalmente, cobra taxas para músicos, compositores e gravadoras sempre que a música é transmitida ou tocada em público. “É um privilégio poder cobrar os royalties internacionais de Björn. Como artista, ele contribuiu muito para a indústria da música, e continua a fazê-lo através de sua defesa de um melhor gerenciamento de dados musicais e do fluxo de dinheiro mais eficiente para os criadores - objetivos também compartilhados pelo PPL", diz Peter Leathem, CEO da empresa.

Em 2018, os direitos de performance representaram US$ 2,7 bilhões da receita global de US$ 19,1 bilhões em músicas gravadas. O Session foi criado justamente para otimizar e melhorar a precisão das informações para esclarecer quem deve o quê. "Eu sempre achei nossa indústria bastante opaca por causa de sua complexidade. Eu gostaria que fosse muito mais transparente”, diz Björn.

Björn e Benny Anderson, do ABBA: pistas de novas músicas em 2020. Foto: Getty Images
Björn e Benny Anderson, do ABBA: pistas de novas músicas em 2020. Foto: Getty Images

Björn voltou recentemente ao estúdio, com um misterioso projeto que envolve avatares digitais do quarteto, “Abbatars”, com material antigo e novo que inclui a gravação de duas músicas não lançadas. "Nós gravamos há algum tempo, há um ano e meio, por isso não usamos o Session porque não estava completamente pronto", justifica, afirmando que as próximas serão monitoradas com o novo aplicativo.

Em janeiro, seu companheiro e parceiro Benny Anderson falou em uma entrevista na Suécia que o grupo lançaria novas músicas ainda este ano. "Elas virão, acho que depois do verão. Mas só posso adivinhar, porque não tenho muita certeza. Não se deve prometer nada, mas se eu decidisse, seria setembro. É o que pretendemos", disse, sem ser muito assertivo.

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