‘Black Album’ sinfônico: como são feitos os arranjos de heavy metal para uma orquestra
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‘Black Album’ sinfônico: como são feitos os arranjos de heavy metal para uma orquestra

O solo de "Enter Sandman" é conhecido até por quem não é lá muito fã de metal. A primeira faixa do álbum "Metallica", do Metallica, carrega o peso da guitarra de Kirk Hammett e é um marco no estilo musical do grupo liderado por James Hetfield. Depois de se aventurar pelo rock psicodélico do Pink Floyd, pelo pop clássico de Michael Jackson e pelo rock indie dos Los Hermanos, a Orquestra Petrobras Sinfônica (Opes) inclui mais um capítulo na sua série "Álbuns" e traz o heavy metal do "Black Album" para a música clássica, com apresentações no Rio nos dias 19 e 20 de junho e em São Paulo, no dia 30.

A maior dificuldade do arranjador Ricardo Cândido foi transportar para o ambiente da música clássica o peso das guitarras de heavy metal. Foram três meses com noites a fio trabalhando para permanecer fiel à sonoridade do rock pesado sem deixar irreconhecíveis as peculiaridades de um conjunto sinfônico. "É muito complexo passar as músicas de uma banda de metal para uma orquestra. O pessoal quer ouvir aquele 'chão' das guitarras com distorção, que é o principal, então temos que fazer adaptações na orquestra", explica.

Felipe Prazeres é o regente da Orquestra Petrobras Sinfônica para o concerto do 'Black Album' / Foto: Divulgação
Felipe Prazeres é o regente da Orquestra Petrobras Sinfônica para o concerto do 'Black Album' / Foto: Divulgação

Para criar a atmosfera da parede de guitarras de James Hetfield e companhia, a Opes apresenta o concerto com algumas modificações. Um quarteto elétrico traz o peso das distorções, com dois violinos, uma viola e um violoncelo. Somados a eles, há ainda um baixo elétrico, tocado pelo próprio Ricardo, e a bateria, tudo para que os fãs de metal possam reconhecer no palco o que ouvem desde 1991, quando o álbum foi lançado, em casa. "No ‘Black Album’ e na obra do Metallica, sempre tem um solo de guitarra difícil, extremamente virtuosístico. O desafio é enorme porque esses dois violinos elétricos estão dividindo todos os solos", conta o maestro Felipe Prazeres, que conduz a orquestra nessa série de concertos.

Todas as 12 músicas do “Black Album” serão tocadas. Em cada uma delas, há um solo originalmente apresentado por uma guitarra, mas interpretados pela Opes pelos spallas. O volume de solos é bem maior do que o apresentado no concerto do ano passado, do álbum “"The Dark Side of The Moon", do Pink Floyd. Entre as surpresas da mistura do heavy metal com o clássico, há "duelos" de bateria com tímpano e a presença maciça de instrumentos de metais. Ao todo, 50 músicos compõem o conjunto sinfônico.

"Você tem que caracterizar o heavy metal sem descaracterizar uma orquestra sinfônica. Esses instrumentos têm que dar uma 'sujeirinha' com essas distorções no fundo", explica Ricardo. Ele explica que, por conta da presença pronunciada das guitarras, os instrumentos elétricos de cordas têm que fazer um rodízio constante durante a performance. “Eu escrevo de uma maneira que deixo o músico livre para tocar e ‘respirar’ à hora em que ele precisar”, diz.

De "Sad But True” a “The Struggle Within”, Ricardo não admite ter preferência por nenhuma das faixas que montou. Para ele, todas ficaram impressionantes. “Durante o ensaio, o rapaz do som mostrava à toda hora que estava arrepiado. As músicas lentas são mais emocionantes, como 'Nothing Else Matters'. Todas elas têm alguma surpresa. Você vai chegar no fim do álbum e querer começar o concerto de novo", garante.

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