Black Sabbath com Dio: 'Heaven and Hell' faz 40 anos como um marco do heavy metal
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Black Sabbath com Dio: 'Heaven and Hell' faz 40 anos como um marco do heavy metal

O Black Sabbath vinha de um disco conturbado ("Never Say Die), havia acabado de demitir o vocalista, o baixista estava com problemas pessoais e ainda tinha que se adaptar a um novo produtor. O que poderia ter afundado a carreira da banda de heavy metal ajudou a reinventá-la. O álbum "Heaven And Hell", que marcou a saída de Ozzy Osbourne e a entrada de Ronnie James Dio (1942-2010), está completando 40 anos de lançamento em 25 de abril. Um trabalho que revelou um Sabbath mais melódico, dinâmico e ainda muito pesado.

"É um grande tipo épico de música — algo que você nunca ouviu do Sabbath antes — com muita melodia e mudanças maravilhosas de coral e orquestra. Acho que isso nos separou imediatamente do que tinha acontecido antes", declarou Dio no livro "Holy Hell: The Making of Black Sabbath's Heaven and Hell", de Adem Tepdelen. O vocalista assumiu a responsabilidade dos vocais da banda em 1980 a convite do guitarrista Tony Iommi, quando se percebeu que Ozzy não tinha mais condições de gravar nem cantar por causa da dependência das drogas.

"Começamos a reunir ideias para um novo álbum em Los Angeles ainda com Ozzy, mas rapidamente ficou óbvio que ele não estava preparado. Ele estava lutando contra a dependência, que parecia ser mais forte que ele. Não que o resto de nós fôssemos santos, mas com ele era muito pior", explicou Iommi em uma entrevista ao "Louder Sound". Foi quando ele entrou em contato com Dio, ex-vocalista do Rainbow. “Ronnie e eu discutimos algumas ideias, e eu, Geezer e Bill logo decidimos que teríamos uma novo cantor", contou.

A transição, que parecia bem arriscada — mágoa entre os integrantes, possível reação negativa dos fãs, a dúvida se Dio se adaptaria — foi incrivelmente tranquila. “Nós pegamos o ritmo. Na verdade, eu tenho que dizer que nunca estivemos tão preparados como quando entramos no estúdio. Até então não tínhamos certeza nenhuma com Ozzy, mas com Ronnie sabíamos o que esperar dele”, comparou o guitarrista.

Sobre uma possível rejeição dos fãs diante de um novo vocalista, Tony lembra que houve uma preocupação da banda, mas que a confiança no novo trabalho era maior. "Claro, havia uma preocupação, mas estávamos prontos para enfrentar qualquer crítica. É certo que haveria alguns que reclamariam da falta de Ozzy, mas nos sentimos confiantes de que a maioria viria conosco e que até atrairíamos mais fãs", disse. O guitarrista estava certo: o "novo" Black Sabbath, mais melódico, dinâmico e pesado como sempre, atraiu uma geração mais jovem de fãs de metal que nada ou pouco conheciam da fase Ozzy.

Ronnie James Dio e Tony Iommi durante a turnê de "Heaven And Hell" em 1981. Foto: Getty Images
Ronnie James Dio e Tony Iommi durante a turnê de "Heaven And Hell" em 1981. Foto: Getty Images

Outras turbulências na época vieram com a entrada de um novo produtor e o drama pessoal do baixista e compositor Geezer Butler. "Ele estava lidando com muitos problemas sérios e não sabíamos se estaria bem para gravar. Ronnie tocou baixo enquanto ele estava na Inglaterra finalizando seu divórcio", lembrou Tony. Geoff Nicholls chegou a ser convocado caso Geezer não participasse das gravações, mas tudo se resolveu e o músico acabou tocando teclados.

Mais uma grande mudança veio com a chegada do produtor inglês Martin Birch, o primeiro a trabalhar com a banda no estúdio desde Rodger Bain, no "Master Of Reality", de 1971. “Ele trouxe uma dimensão extra para as músicas e rapidez no processo, onde correu tudo bem. Dessa vez foi uma alegria estar no estúdio", recordou Tony.

A primeira faixa gravada foi a música-título: "Em minha mente vivemos no céu e no inferno. Deus e o diabo são inerentes a cada um de nós, e é nossa escolha pegar o caminho para o bem ou para o mal. Essa música é justamente sobre isso", explicou Dio no documentário "Metal: A Headbanger's Journey", de 2006. Já "Children Of The Sea" foi a primeira música que Tony e Dio escreveram para o álbum. "Acredito que usamos todas as músicas que escrevemos. Nada foi deixado de lado, está tudo lá", garantiu ele sobre as o álbum que tem ainda "Neon Knights", "Lady Evil", "Wishing Well", "Die Young", "Walk Alway" e "Lonely Is The Word".

Gravado no Criteria Studios em Miami, onde a banda havia gravado em 1976 "Technical Ecstasy", e no Studio Ferber em Paris, "Heaven And Hell" foi lançado em 25 de abril de 1980. O álbum chegou ao 9º lugar na parada do Reino Unido e 28º na dos Estados Unidos — o melhor desempenho da banda desde "Sabotage", de 1975.

Quando os integrantes pensavam que estava tudo acertado e começaram a turnê em abril de 1980, foi a vez de Bill Ward sair da banda devido a problemas de saúde. “Bill estava realmente forçando a barra indo para a estrada. Sua saúde estava frágil e ele também estava lidando com problemas familiares", contou Tony. Para seu lugar, a banda convidou Vinny Appice, irmão mais novo do baterista Carmine Appice, que assumiu as baquetas em agosto daquele mesmo ano.

Tony diz que "Heaven And Hell" resistiu ao tempo e ajudou a reinventar a banda. "No que diz respeito às músicas, está entre os discos mais musicais da nossa carreira. Sim, eu sei que existem pessoas que ainda afirmam que Black Sabbath é Ozzy, mas há outras que nos conheceram com 'Heaven And Hell'. Pessoas como Dave Grohl, do Foo Fighters, e sua geração ouviram o Sabbath pela primeira vez com esse álbum, então acho que ele desempenhou um papel enorme em dar à banda uma longa carreira", opina.

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