Blue Note: 7 curiosidades do doc 'Beyond the Notes', que conta a história do legendário selo de jazz
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Blue Note: 7 curiosidades do doc 'Beyond the Notes', que conta a história do legendário selo de jazz

A Blue Note, gravadora especializada em jazz responsável por lançar os mais importantes músicos do gênero do século XX, acaba de ganhar um documentário. Em "Beyond the Notes", a diretora Sophie Huber explora desde os primórdios, no final dos anos 1930, até gravações recentes, uma obra considerada praticamente sagrada por músicos e fãs.

Veja sete curiosidades que o documentário, que será lançado ainda este mês em Nova York e Los Angeles, revela sobre a Blue Note:

1. Os fundadores eram imigrantes alemães

Os judeus Alfred Lion e Francis Wolff escaparam do regime nazista nos anos 1930 e se instalaram em Nova York, onde fundaram a gravadora em 1939. Por sorte o negócio deu certo porque, pelo que se sabe, eles eram mais fãs de música do que homens de negócios.


Alfred Lion com Francis Wolff no abraço de Dexter Gordon/ Reprodução
Alfred Lion com Francis Wolff no abraço de Dexter Gordon/ Reprodução

2. Música sempre foi a prioridade

"Nenhuma gravação feita na Blue Note tem a intenção de ser hit. Se a canção se torna um sucesso, é porque tinha que ser." Pela regra do co-fundador Alfred Lion, percebe-se que o importante era a qualidade e não sucessos comerciais, algo confirmado por nomes como o saxofonista Lou Donaldson - "Alfred deixava a gente fazer o que quisesse. Ele respeitava todo mundo" - e o pianista e compositor Herbie Hancock: "Os dois nos davam todo apoio para que a música emergisse de forma livre, sem algemas".

Lou Donaldson/ Getty/Michael Ochs
Lou Donaldson/ Getty/Michael Ochs

3. Vale insistir nos gênios

No final dos anos 1940, quando era conhecido entre poucos músicos, Thelonious Monk encontrou na Blue Label a chance de gravar pela primeira vez. Mas, de acordo com um depoimento de Lion no documentário, não foi nada fácil: "As reações eram variadas. Uns o adoravam, outros o achavam terrível". Foram longas sessões de gravações até chegar ao primeiro LP 78 rotações do pianista, que permaneceu na gravadora por cinco anos. Segundo Lou Donaldson, isso quase faliu a empresa. "Mas se não fosse pela Blue Note, o mundo não teria ouvido falar de Monk", afirma o saxofonista.

Thelonious Monk/ Getty/William Gottlieb
Thelonious Monk/ Getty/William Gottlieb

4. A dancinha do dono

Um trecho do documentário mostra que, durante o intervalo de uma gravação de Herbie Hancock e Wayne Shorter, o primeiro pergunta para o amigo saxofonista quem era um cara que estava no estúdio. "É Frank Wolff", responde Shorter. Foi aí que Hancock descobriu que o fundador da Blue Note tinha uma "mania", que servia de termômetro para os músicos. Se ele dançasse durante uma gravação, aquele take estava aprovado.

Herbie Hancock/ Getty/Gai Terrell
Herbie Hancock/ Getty/Gai Terrell

5. O sucesso pode trazer problemas

O produtor e historiador Michael Cuscuna conta que em meados dos anos 1960, dois sucessos quase afundaram a gravadora. O trompetista Lee Morgan emplacou “The Sidewinder” e o pianista Horace Silver, “Song for My Father”, dois hard bops que acabaram trazendo problemas para a empresa. Ele explica: "As distribuidoras pressionavam por mais hits, mas Alfred preferiu manter o ritmo normal, sem se preocupar com novos hits. Então as distribuidoras começaram a atrasar os pagamentos". O que acabou culminando na venda da Blue Note, em 1966, para a Liberty Records.

Horace Silver/ Getty/Tom Coppi
Horace Silver/ Getty/Tom Coppi

6. Ressurgimento nos anos 1980

A Blue Note quase chegou ao fim nos anos 1980 quando, por sorte, Bruce Lundvall, seu novo presidente, promoveu um relançamento do selo com a ajuda de Cuscuna. A liberação do catálogo para samplers e a contratação de nomes como Norah Jones e Robert Glasper foram algumas das iniciativas bem sucedidas. "Uma das razões de eu amar essa gravadora é que eu sempre tive liberdade para fazer minha própria música, sem restrições", elogia Norah Jones.

Norah Jones/Getty/Paul Bergen
Norah Jones/Getty/Paul Bergen

7. Saída pelo crossover entre jazz e hip-hop

Em 1993, a Blue Note autorizou o grupo inglês de hip-hop Us3 a samplear a canção "Cantaloupe Island”, lançada por Herbie Hankock em 1964 no álbum "Empyrean Isles". O resultado foi “Cantaloop (Flip Fantasia),” que chegou ao Top 10 e abriu caminho na gravadora para muitas outras gravações de hip hop.

US3 /Getty/ Frans Schellekens
US3 /Getty/ Frans Schellekens
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