Bob Dylan: As histórias por trás das capas de discos do cantor e poeta
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Bob Dylan: As histórias por trás das capas de discos do cantor e poeta

Por ser um grande ícone da música folk, Bob Dylan é um dos caras mais respeitados do show bussiness. Ele conseguiu um Nobel de Literatura sem ao menos escrever um livro, e isso não é qualquer coisa. Ainda mais porque ele esnobou o prêmio durante, pelo menos, seis meses. Coisa que só alguém com a moral que ele tem poderia fazer. Portanto, trabalhar ao lado desse cara, que é considerado por muitos um semi-deus, que transforma em ouro tudo o que toca, é uma grande honra, como você deve imaginar.

Pensando nisso, o fotógrafo Jerry Schatzberg criou um livro de recordações e imagens do cantor registradas por ele anos 1960. A obra se chama "Dylan By Schatzberg" e inspirou o repórter Zach Schonfeld a conversar com quatro profissionais que também fotografaram o artista ao longo das décadas.

Assim, além do Jerry, Zach falou com Rowland Scherman, Jimmy Wachtel, Paul Till e Elliott Landy para compartilharem suas histórias envolvendo Dylan. E o resultado foi uma longa entrevista repleta de curiosidades. Leia abaixo:

Joan Baez e Bob Dylan em agosto de 1963. A imagem de é Rowland Scherman/Getty Images
Joan Baez e Bob Dylan em agosto de 1963. A imagem de é Rowland Scherman/Getty Images

1. Quando Dylan se tornou Dylan

Rowland Scherman conheceu Dylan no Festival de Folk de Newport, em 1963. Na época, o cantor tinha 22 anos e havia lançado apenas dois discos. "Ele estava vestindo um chicote", lembrou o fotógrafo. "Não sei exatamente o porquê, mas tirei algumas fotos dele naquele momento".

Umas duas horas depois, Dylan participou de um workshop para compositores e começou a tocar seu violão. Havia umas 50 pessoas ao redor dele. Aí, chegou a cantora Joan Baez, que se juntou a ele. Os dois músicos começaram a improvisar e, do nada, surgiram umas 300 ou 400 pessoas.

"Sabia que, a partir daquele momento, com uma plateia tão grande, praticamente inédita naquele festival, Dylan iria se tornar o Dylan que conhecemos hoje. No dia seguinte, quando ele se apresentou no palco principal, não deu outra. Ele atualizou seu status como 'um zé ninguém' para uma super estrela do folk", explicou o fotógrafo.

Um mês depois do festival, Dylan e Joan apresentaram aquela mesma música que fizeram durante o workshop para mais de 250 mil pessoas em uma marcha em Washington. A foto do momento é a que você pode ver acima.

Capa de 'Blonde on Blonde', de 1966/Divulgação
Capa de 'Blonde on Blonde', de 1966/Divulgação

2. A foto tremida de Bob Dylan na capa de 'Blonde on Blonde'

Jerry Schatzberg sempre quis fotografar Dylan. Um dia, ele contou ao escritor Al Aronowitz sobre o seu desejo, e, em 24 horas, a namorada do cantor, Sara, ligou para ele o convidando a aparecer no estúdio onde estavam ensaiando.

Embora nunca tivessem se encontrado antes, Dylan o cumprimentou como um velho amigo, e eles realmente começaram a sair juntos desde então. "Nós bebemos, comemos e nos divertimos muito", disse Jerry, hoje com 91 anos.

Em 1965, o empresário de Dylan convidou Jerry para registrar a próxima capa do álbum do cantor. Se tratava de "Blonde on Blonde".

"Tentamos algumas fotos no estúdio, mas nada saiu muito especial. Daí fomos dar uma volta no Meatpacking District, em Manhattan, e encontramos um prédio de tijolos na 375 West Street. Como estava muito frio, minhas mãos estavam tremendo muito e, por isso, a foto saiu tremida. Mas muita gente sugeriu que fiz aquele efeito porque estava drogado. Mas não", disse ele.

Capa do disco 'Good as I Been to You', de 1992/Divulgação
Capa do disco 'Good as I Been to You', de 1992/Divulgação

3. Para a capa de 'Good As I Been to You', Dylan pegou emprestado a camisa do fotógrafo

Jimmy Wachtel sequer tinha uma câmera quando foi convidado para fotografar Dylan na capa de "Good as I Been to You". Mas ele pegou uma emprestada e topou o desafio na hora. Mas as coisas não foram tão bem quanto Jimmy imaginava, e ele quase foi substituído por outro fotógrafo. Mas foi salvo porque teve a brilhante ideia de emprestar sua camisa a Dylan.

"Ele não estava muito bem vestido, então sugeri que ele trocasse de camisa", falou Jimmy. "Ela era preta e branca e acabou ficando com Dylan. Ele gostou".

Divulgação
Divulgação

4. A foto que acabou em 'Blood on The Tacks' por acidente

Paul Till nunca esteve com Bob Dylan, mas tirou uma foto dele de perfil icônica, que ilustra a capa do disco "Blood on The Tracks". Na época em que eternizou a imagem, Paul tinha apenas 20 anos.

Com o corte certo, você não pode dizer exatamente que é uma foto de um show, mas, na verdade, é. Paul conseguiu essa imagem durante um concerto em 1974. "Eu estava na plateia. Não estava registrado como fotógrafo do espetáculo", afirmou ele, que não se considerava um bom artista na época. Ao menos, ele tinha uma Leica.

Com as imagens, Paul conseguiu apenas US$ 300. Não imaginava que, anos depois, a foto apareceria na capa de um álbum.

Elliott Landy conseguiu capturar uma imagem de Dylan sorrindo. E isso é, praticamente, impossível/Getty Images
Elliott Landy conseguiu capturar uma imagem de Dylan sorrindo. E isso é, praticamente, impossível/Getty Images

5. Dylan em seu sorriso mais sincero e espontâneo

Em 1969, Dylan ligou para Elliott Landy pedindo que o fotografasse para a parte de trás de seu novo disco, "Nashville Skyline".

"No primeiro ensaio que tentamos fazer, não tínhamos qualquer conceito", disse Elliott. "Mas nenhuma foto tinha ficado boa. Só na segunda tentativa deu certo. Ele estava com esse chapéu e me perguntou se seria uma boa ideia usá-lo. Eu disse que sim e andamos pela floresta que ficava atrás de sua casa".

Quando encontraram o lugar perfeito para bater as fotos, Dylan parecia estar feliz e bem-humorado. "Ele estava brincando de colocar e tirar o chapéu e, espontaneamente, sorria. Deu sorte em conseguir capturar o momento exato", concluiu o fotógrafo.

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