'Bohemian Rhapsody' com um brasileiro: Leo Freire, músico radicado em NY,  faz jams com Brian May e Roger Taylor
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'Bohemian Rhapsody' com um brasileiro: Leo Freire, músico radicado em NY, faz jams com Brian May e Roger Taylor

Leo Freire mora há 16 anos em Nova York, onde é baterista, produtor, professor e faz turnês com várias bandas. Mas foi de seu estúdio caseiro, há uma semana, que experimentou um dos momentos mais incríveis da carreira. Um vídeo em que ele acompanha à bateria uma live que Brian May havia feito tocando "Keep Yourself Alive", viralizou. Depois, o guitarrista do Queen repostou e lhe fez elogios ao músico, e os dois tocaram juntos "Bohemian Rhapsody". Foi então que Leo propôs um desafio, que Brian aceitou, tocando "Hammer To Fall".

O brasiliense Leo Freire é fã do Queen desde criança. Cresceu admirando a banda e o talento dos integrantes como compositores e instrumentistas, e certamente carregou alguma influência da banda britânica para sua própria carreira, consolidada em solo americano, para onde se mudou ainda como estudante. O que ele não poderia imaginar é que essa relação até então "normal" de fã fosse ganhar tal impulso com um elogio do próprio Brian May.

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O guitarrista do Queen vem publicando, em seu instagram, uma série chamada MicroConcertos, onde toca alguns de seus solos e de músicas de outras bandas. Leo, que já seguia Brian há meses, começou a assistir os vídeos e decidiu fazer um acompanhamento em "Keep Yourself Alive". "Achei curioso ele fazer esses tutoriais da casa dele. Um dia pensei que seria engraçado fazer um vídeo onde eu o acompanhasse tocando bateria, ia parecer uma jam session virtual. Está todo mundo trancado, quis fazer algo para as pessoas gostarem de ouvir, para se divertir", conta Leo em entrevista ao Reverb.

Quatro dias depois, o próprio Brian repostou o vídeo de Leo, escrevendo: "I was very taken by this !! Very enterprising — beyond what I’d expected. THAAANKS @leofreiremusic So! The possibilities are endless!!!" ("Eu fiquei totalmente envolvido com isso!! Muito bom, foi além do que eu poderia esperar. Muito OBRIGADO, Leo. As possibilidades são infinitas!!!"). "Sinceramente, eu tinha uma pequena esperança de que o perfil oficial do Queen fizesse um repost ou retuitasse. Confesso que o próprio Brian fazer o repost foi surpreendente e grande motivo de orgulho!", diz.

Leo já contabiliza 85 mil compartilhamentos de seu vídeo original no Twitter e mais de 10 mil no Instagram "Tenho recebido mensagens do mundo todo, o que tem sido uma luz durante esse período esquisito que o mundo está vivendo", comemora.

A hashtag #dontstopusnow, que já circula nas redes sociais com performances de fãs cantando e tocando Queen, acabou incrementada pela "jam virtual" de Leo e Brian com a #dontstopusnowCHALLENGE. O músico pediu a autorização de Brian para convocar as pessoas a participar do que ele intitulou "the global quarantine Queen jam". "É uma coisa interessante as pessoas começarem a compartilhar vídeos delas acompanhando o meu com o Brian, onde cantam e tocam outros instrumentos. Acho que é uma tentativa bacana de aproximar o mundo", analisa.

Brian topou a brincadeira — "This is a challenge, jam with me! (Isso é um desafio, façam uma jam comigo!"), disse o guitarrista — e fez um vídeo onde é acompanhado por Leo em “Hammer to Fall”. E na quinta-feira (2/4), Leo publicou um vídeo tocando teclados e acompanhando, dessa vez, com Roger Taylor, num trecho de "Radio Gaga" com "Don't Stop Us Now". "Acordei no outro dia vendo que o perfil do Queen e o do Roger publicaram o vídeo em seus stories!", conta, feliz da vida.

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Leo se mudou para Nova York em 2004, quando o pai, diplomata, foi transferido. Um ano depois, ele já havia decidido que aquela era a melhor cidade para morar e seguir na profissão. "Aos três anos fomos para a Bélgica, depois Tóquio, voltamos para Brasília e, em 2004 ir para Nova York. Posso falar que tive sorte com essa mudança, pois me deu oportunidade de estudar e me instalar de vez na cidade", conta.

Leo começou a tocar bateria aos 12 anos e estudou informalmente no Brasil até resolver que seguiria na carreira musical. "Depois de uma batalha interna dentro em casa, afinal é complicado trabalhar com música, decidi por esse caminho. Nos Estados Unidos fiz a High School e depois consegui bolsa para a faculdade", conta ele, que cursou Economia e Música, além de uma especialização em Ciências Sociais, e depois fez mestrado em Educação Musical, concluído em 2015.

Já trabalhando como baterista em várias bandas, como a Wheatus — "Foi com eles que fiz meu primeiro show em uma grande arena, a Wembley, na Inglaterra", lembra — Leo conseguiu o green card para morar de vez no país. "Acho que já fiz uns 400 shows nesses últimos anos. Entre gravações, uma bem bacana foi ao lado da banda de hip hop Flatbush Zombies e também quando compôs a trilha de "Black and White Stripes: The Juventus Story" (assista ao trailer aqui), documentário sobre o time italiano. Lembro que fiz uma apresentação ao vivo no Museu do Amanhã em 2017, quando lançaram o filme no Rio e foi um momento muito importante para mim, pois faço pouquíssimos shows no Brasil", lamenta.

"Após muito tempo trabalhando profissionalmente, passei a tocar outros instrumentos e a cantar. A bateria é importante para desenvolver a noção de ritmo, mas um músico completo tem que entender de harmonia e melodia. Por isso incentivo todos os meus alunos a estudar vários instrumentos, a bateria é apenas um pedaço da equação", ensina.

Aprendi que um segredos da continuidade da carreira de músico é aprender a ganhar dinheiro. Por isso decidi pelo mestrado — em Nova York há muitas famílias de classe média alta interessadas em que seus filhos tenham aulas com professores particulares o que já é, em si, um grande mercado — e também desenvolvi minha atuação em direção musical de música pop.

Leo tem um estúdio caseiro, que começou a montar há dois. "Primeiro comprei um iMAC superpotente, depois bateria eletrônica, teclado, microfone... tem sido um ótimo investimento. Aprendi que um segredos da continuidade da carreira de músico é aprender a ganhar dinheiro. Por isso decidi pelo mestrado — em Nova York há muitas famílias de classe média alta interessadas em que seus filhos tenham aulas com professores particulares o que já é, em si, um grande mercado — e também desenvolvi minha atuação em direção musical de música pop. Nessa área, uma das coisas que mais faço é o backing track, que é o playback para acompanhar apresentações ao vivo", conta.

É desse estúdio que Leo segue trabalhando nesse período de distanciamento social. "Eu tinha turnês por Austrália, Estados Unidos e Reino Unido que foram canceladas e não há previsão pois está ficando cada vez mais claro que não será possível retomar esse tipo de atividade tão cedo. Não há outra escolha senão esperar. Por sorte continuo com meus alunos, pois fizemos a transição para aulas virtuais usando o aplicativo Zoom para fazer as lições. Era algo que eu já pensava em fazer e acabou que a pandemia me forçou a organizar tudo mais rapidamente."

Leo Freire já fez mais de 400 shows em cinco anos. Foto: Divulgação
Leo Freire já fez mais de 400 shows em cinco anos. Foto: Divulgação

Apesar do cenário nada favorável, principalmente em Nova York, que concentra a maioria dos casos de coronavírus nos Estados Unidos, com números alarmantes, Leo consegue vislumbrar saídas dentro da situação. "Adaptação é a forma de se sobreviver. Eu fico pensando que, por exemplo, essa oportunidade com o Brian não teria surgido se não fosse por essa crise. Isso me faz refletir que coisas ruins acontecem, mas que às vezes elas trazem oportunidades e abrem novos caminhos. É importante manter isso na cabeça para seguir em frente", opina.

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