BTS, Rosalía e 'Parasita' rompem barreira da linguagem no mercado americano
Entretenimento

BTS, Rosalía e 'Parasita' rompem barreira da linguagem no mercado americano

Em um fenômeno que se estende além das paradas da “Billboard” , onde o BTS vem quebrando recordes em sequência, artistas de diferentes nacionalidades têm conseguido destaque em espaços até então dominados por companheiros de língua inglesa, como o Grammy e o Oscar.

O BTS estreou três músicas de seu novo álbum "Map of the Soul: 7" na parada de singles Billboard Hot 100 desta semana. "On", a faixa principal, ficou em 4º lugar, conforme informado pela revista americana, e foi o primeiro hit top 5 do BTS no Hot 100. "My Time", solo de Jungkook, e "Filter" , de Jimin, estrearam em 84º e 87º na lista, respectivamente. Esta é a primeira vez na história pop coreana em que três músicas do país entram simultaneamente na parada de singles da “Billboard”.

Os números são impressionantes quando se analisa a história do Hot 100, criado em 1958. Sete músicas em língua estrangeira (cinco coreanas) entraram no Top 10 na década de 2010, que ficou marcada como a década com mais hits em uma língua estrangeira. O BTS, com três, ultrapassou seu conterrâneo Psy, que tem duas — "Gangnam Style", em 2012, e "Gentleman", em 2013. O grupo coreano Wonder Girls estreou na lista em 2009, ficando em 76º lugar com sua "Nobody". Para se ter ideia, houve apenas cinco desses hits nos anos 1960, o recorde anterior de uma década.

"On" também ganhou a marca de ser o vigésimo hit "cantado principalmente em um idioma que não o inglês", que alcança o top 10 — dessas 20, três são do BTS, segundo a “Billboard”. Luis Fonsi e seu "Despacito", que passou 16 semanas como número 1 em 2017, e "Macarena" de Los Del Rio", que manteve-se no topo por 14 semanas em 1996, estão entre essas duas dezenas de grandes sucessos.

Os meninos do BTS ainda têm muitas conquistas a contabilizar. Enquanto "Love Yourself: Answer", de 2018, entrou na 133ª posição da Billboard 200 (que classifica os 200 álbuns ou EPs mais vendidos nos Estados Unidos), "Map of the Soul: 7" se torna, esta semana, o 10º álbum ou EP que é executado principalmente em um idioma que não o inglês a alcançar o número 1 na lista, desde seu início em 1956. Foram 422 mil vendidos, segundo a Nielsen Music/MRC Data. O que chama a atenção, reforçando o fenômeno que torna o mundo cada vez mais multilíngue, é que seis desses dez álbuns foram lançados nos últimos dois anos.

Outras importantes referências culturais onde a língua inglesa sempre foi onipresente abrem cada vez mais espaço — e premiações — a outras culturas. No último Grammy, por exemplo, a cantora catalã Rosalía se tornou o primeiro artista a receber a melhor indicação de revelação por um álbum gravado em idioma estrangeiro (no caso, castelhano). Ela perdeu para Billie Eilish, mas seu álbum, "El Mal Querer", ganhou o prêmio de melhor álbum de rock latino, urbano ou alternativo. Rosalía também se destaca como o único artista a receber as indicações de melhor artista revelação nos Grammys e nos Latin Grammys dois anos antes.

Na edição 2016 da premiação musical, "Despacito", do porto-riquenho Luis Fonsi, tornou-se o terceiro hit em língua estrangeira a receber indicações tanto para disco quanto para música do ano. Ele seguiu o italiano Domenico Modugno, com "Nel Blu Dipinto Di Blu (Volare)", que conquistou os dois prêmios na cerimônia inaugural de 1958, e a cover de Los Lobos para "La Bamba", de Ritchie Valens, também em espanhol, em 1987.

Na seara cinematográfica, o coreano "Parasita" fez história no Oscar ao ser a primeira produção em outro idioma a ganhar a estatueta de melhor filme. Antes dele, o francês "Amour" (2012) e o mexicano "Roma" (2018) haviam sido indicados a melhor na década de 2010.

Bong Joon-Ho com dois dos quatro Oscar que recebeu por "Parasita". Foto: Getty Images
Bong Joon-Ho com dois dos quatro Oscar que recebeu por "Parasita". Foto: Getty Images

O diretor Bong Joon-Ho ainda levou os Oscars de produção, roteiro e direção. Isso levou a outra marca, a de ser o segundo ano consecutivo em que o Oscar de direção não foi para um filme em inglês; o mexicano Alfonso Cuarón foi o pioneiro ao vencer no ano passado por "Roma", falado em espanhol.

Outro sinal dos novos tempos é que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, antes mesmo da consagração de "Parasita", decidiu em abril de 2019 alterar o nome de melhor filme em língua estrangeira para melhor filme internacional. Os integrantes alegam que o termo "estrangeiro" já estava desatualizado e que o novo representa melhor a categoria, além de promover uma visão positiva e inclusiva da produção cinematográfica.

Relacionados

Canais Especiais

Ícone do FacebookÍcone do TwitterÍcone do InstagramÍcone do YoutubeÍcone do DeezerÍcone do SpotifyÍcone do Pinterest