Campanha usa música para ajudar mulheres africanas a não se culpar pela infertilidade
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Campanha usa música para ajudar mulheres africanas a não se culpar pela infertilidade

A campanha “More Than a Mother” ("Mais do que uma mãe", em tradução livre) quer empoderar mulheres africanas que lidam com a infertilidade. Há uma cultura em certos países do continente que joga a “responsabilidade” pela impossibilidade de engravidar apenas na mulher. Por conta disso, muitas sentem vergonha e se culpam por não poder ter filhos. O projeto, promovido pela companhia farmacêutica Merck, pretende usar a música como forma de conscientização de que a história não deve ser entendida assim.

A campanha já promoveu 14 músicas com artistas de países como Gâmbia, Gana, Ruanda, Quênia e outros, entre eles o rapper queniano Octopizzo e Rozzi, cantora de Serra Leoa. Segundo a Merck, as músicas foram criadas para empoderar as mulheres com a mensagem de que há mais na vida do que ser mãe e que os homens não podem culpá-las caso a gestação planejada não aconteça.

As letras das músicas também apontam para o fato de que a infertilidade também pode ser um problema dos homens. "Sim, ela pode ser a única com o problema. Mas você pode ser o único com o problema", canta o artista ruandês Tom Close em "Life Is Bigger". A faixa “More Than a Mother”, de Octopizzo e Rozzi, segue o mesmo caminho. O clipe para a música mostra uma mulher que é colocada para fora de casa pelo marido por não conseguir engravidar. Logo no começo do vídeo, uma mensagem indica que a música — e as imagens — não têm como alvo o público americano e canadense.

O rapper queniano Octopizzo / Foto: Reprodução
O rapper queniano Octopizzo / Foto: Reprodução

Apesar da intenção positiva, o vídeo recebeu críticas por poder passar a ideia de que intervenção médica resolve todos os problemas. Austin Okigbo, professor de saúde global e etnomusicologia na Universidade do Colorado, nos EUA, chama a peça de "problemática" por "não resolver questões culturais enraizadas sobre culpar mulheres pela infertilidade". "Uma solução médica só funciona quando preconceitos culturais foram resolvidos", diz. Rasha Kelej, presidente da Merck Foundation, não enxerga o vídeo dessa forma. "Nós queremos que mulheres e casais do mundo inteiro tenham tudo: acesso à informação e à saúde. Queremos mudar a forma que eles pensam sobre infertilidade e mostrar que há uma opção", explica.

A África subsaariana vive cenários opostos simultâneos com relação ao nascimento de crianças. Enquanto a região tem um dos maiores índices de natalidade no mundo, ela também figura na lista de de áreas mais inférteis em todo mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade estima que a taxa de infertilidade após 12 meses em países pobres esteja entre 6.9 e 9.3%

"Há uma expectativa de que as mulheres possam ter filhos. E quando elas não engravidam, se assume que a culpa é delas", diz Jocelyn E. Finlay, pesquisadora de saúde pública de Harvard em entrevista à “NPR”.

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